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domingo, 25 de setembro de 2011

A relação afetiva é o grande espelho que reflete quem somos



Terapeuta de casal, Jorge Bucay afirma que, em um relacionamento, o comportamento do seu parceiro deve servir de espelho para facilitar o seu autoconhecimento. Segundo ele é impossível um relacionamento ser totalmente bom ou ruim.


Sem dúvida ter um relacionamento duradouro é uma tarefa que produz suor, lágrimas, doses altíssimas de prazer e aulas avançadas de autoconhecimento. Afinal, o outro é um espelho que, de tão sincero, nos desmascara sem dó. Essa é a mensagem que o psiquiatra e psicoterapêuta argentino Jorge Bucay vem transmitindo há décadas aos casais que estão passando por crise. 






Segundo o terapeuta de casal, autor do romance, Amar de Olhos Abertos (ed. Sextante, escrito em parceria com a psicóloga Argentina Silvia Salinas), o relacionamento amoroso tem um grande poder: o de nos servir de espelho (sem o qual continuaríamos cegos sobre como realmente somos) e também de alavanca (para nos tornarmos quem verdadeiramente somos). "Não considero que a medida do amor seja o quanto estou disposto a me sacrificar por alguém, e sim o quanto estou disposto a desenvolver minha autonomia”, diz Bucay. Confira a entrevista:

Por que os relacionamentos amorosos são fonte de tanto prazer e sofrimento ao mesmo tempo?
Nada no mundo é totalmente bom ou ruim. Se quisermos desfrutar os prazeres proporcionados por um relacionamento, teremos de pagar o preço cobrado pelos momentos dolorosos. Eles são necessários porque nos mostram que nosso par não é exatamente como gostaríamos que fosse, e vice-versa. Acontece que, quando nos apaixonamos, acreditamos que o ser amado corresponda exatamente aos nossos ideais. Mas, com o tempo, abrimos os olhos, inevitavelmente, e descobrimos que o parceiro não é como o imaginávamos. Ele é o que é. Então, nós nos frustramos a cada vez que ele não age da maneira desejada. Isso dói. Os desencontros do dia a dia também nos machucam. Um quer dormir enquanto o outro quer ver TV. Um quer fazer amor, o outro quer dormir. E assim por diante. Essas pequenas decepções nos mostram que somos seres individuais, o que não nos torna bons ou maus, apenas reais.

No livro, você afirma que a relação afetiva é o grande espelho que reflete quem somos, nossas qualidades e defeitos. Como se dá esse jogo?
Quando os parceiros se conhecem, criam vários objetivos: desfrutar a companhia do ser amado, passar cada vez mais tempo juntos, construir uma família, compartilhar projetos. No entanto, há um objetivo que permanece, na maioria das vezes, inconsciente: que o meu companheiro facilite meu autoconhecimento. Não posso ver a mim mesmo. Para isso, preciso de um espelho. Ao longo da vida, encontramos vários, pelo caminho: a família, os amigos e, sobretudo, o ser amado. Aprendemos muito quando vivenciamos uma relação amorosa, pois temos diante de nós alguém que nos vê. Assim, podemos nos conhecer e nos aprimorar.

Quando sentimos raiva, por que é mais fácil acusar a pessoa amada, responsabilizá-la por nossa insatisfação, em vez de buscar o diálogo?
Ao apontarmos o dedo para alguém, outros três dedos se voltam em nossa direção. Se determinado defeito nos incomoda em uma pessoa, é porque também o possuímos. Como não admitimos isso, é mais fácil apontá-lo fora, e não em nós mesmos. As características que não temos não nos perturbam quando aparecem no parceiro. Só nos causa aborrecimento o que revela uma parte renegada de nosso ser.

A rotina é mesmo a grande inimiga do casamento?
Há, na verdade, um monstro de sete cabeças que ameaça os relacionamentos. A primeira cabeça é a idéia de que eu não posso viver sem estar enamorado; a segunda, a competição com o par; a terceira, a falta de projetos comuns; a quarta, problemas com a família do cônjuge; a quinta, a incompatibilidade de gostos; a sexta, antagonismo nas linhas ideológicas básicas; e a sétima, a rotina. Com criatividade e desejo, é possível driblá-la. O que é melhor? Trocar o marido ou mudar o dia, o local e o horário de fazer amor?

Não saber mais onde termina o eu e onde começa o “nós”, é inevitável numa vivência amorosa?
Essa noção vem do mito de que duas pessoas são metades que, juntas, compõem uma maravilhosa e incrível unidade. Eu, particularmente, prefiro ser inteiro e ter a meu lado alguém igualmente inteiro, para, assim, enriquecermos a vida a dois. Não podemos descuidar esse ponto e deixar de ser quem somos. Afinal, a maior riqueza de conviver é a possibilidade de abrir espaço para que ambos possam ser quem são. Muitas pessoas, infelizmente, acreditam que, para estar junto de alguém, precisam renunciar a si mesmos. Não considero que a medida do amor seja o quanto estou disposto a me sacrificar por alguém, e sim o quanto estou disposto a desenvolver minha autonomia. Não creio que a base da relação seja o quanto deixo de ser eu, e sim o quanto consigo ser eu mesmo quando estou ao lado de quem amo. 


A equação ideal seria: você está para mim, eu estou para você, e nós dois estamos para os outros. O problema é quando pensamos: eu estou para mim, você tem de estar para mim, e todos os outros também. No avião, vindo para cá, observei a aeromoça dar instruções para o caso de um acidente. Ela disse que deveríamos colocar a máscara de oxigênio primeiro em nós e depois na pessoa ao lado, pois só assim teríamos condições de ajudá-la. O mesmo se aplica ao amor. Não acredito que, para estar com alguém, seja necessário deixar de pensar em si mesmo.

Duas pessoas são metades que, juntas, compõem uma maravilhosa  unidade. Colocar tudo de lado para que o parceiro vire o centro de nosso universo é preocupante?
Essa é a manifestação da paixão. Fugaz, por natureza. O amor não é assim. Não há com o que se preocupar. É só uma fase. Precisamos ser complacentes com os amigos que estão vivendo esse momento de êxtase e, por isso, acabam se distanciando. É um período maravilhoso, mas não podemos ficar assim eternamente. Do contrário, não faríamos mais nada na vida, não trabalharíamos, não cultivaríamos as amizades. Passada essa onda, ou o sentimento se transforma ou acaba.

Um relacionamento considerado enriquecedor costuma apresentar quais características?
Uma relação saudável possui três pontos de apoio: o amor, a atração e a confiança. Eles são tão importantes que funcionam como uma mesa sobre a qual repousam os projetos comuns, o tempo compartilhado, a casa, os filhos, a família. Se existir ou não um quarto ponto de sustentação, não fará diferença. Agora, se um dos três sair de cena, não haverá a parceria; talvez, o matrimônio, mas não a parceria.

Como avaliar se vale a pena seguir em frente ou se é hora de terminar?
Não há uma regra fixa. Alguns dizem que o ideal é terminar a relação um pouco antes do recomendado. O que acontece quase sempre é a percepção de que existe um problema pessoal. O outro não serve para mim. Essa não é a verdade. O problema não está em um dos cônjuges, mas no tipo de vínculo estabelecido entre eles. Muitas pessoas se separam e repetem com o parceiro seguinte a história nefasta que viveram no passado. Acredito que os casais não devam se separar enquanto não tiverem esgotado todos os recursos disponíveis, e um deles é procurar um terapeuta especializado. É bom ressaltar que esse tipo de profissional não representa a promessa da reconciliação. Às vezes, ele só ajuda a mediar a separação.

Quais são os aspectos frágeis das relações contemporâneas?
Os pares discutem por muitas coisas e os temas diferem de acordo com a época e a cultura de cada país. No entanto, identifico algumas recorrências: as pessoas se desentendem por causa da criação dos filhos, da relação com a família dele ou dela, por problemas financeiros, por disputa de poder e pelo direito de ter liberdade. Sempre que me trazem essas queixas, penso no que está se passando entre o casal, e não fora.

A independência das mulheres ainda ameaça os homens?
Para mim, é uma condição básica ter uma mulher independente a meu lado. Estou convencido de que não é possível amar se não formos livres. No entanto, sei que há ainda muitos homens machistas no mundo. Homens e mulheres não são iguais. Somos diferentes, mas complementares. Todas as disputas entre os sexos são tristes, sobretudo a disputa pela liberdade. Alguns homens ainda dizem: "Eu sou capaz e você não é. Eu posso e você não pode". Isso é mentira. Nós homens somos muito mais dependentes do que as mulheres, principalmente no que diz respeito a assuntos de ordem prática. Um homem se separa e, três meses depois, está vivendo com uma nova companheira. Já a mulher permanece só, aprende a fazer consertos domésticos, a se virar sozinha e, em pouco tempo, está pensando: "Para que preciso de um homem nesta casa?"

http://mdemulher.abril.com.br/amor-sexo/reportagem/relacionamento/relacao-afetiva-grande-espelho-reflete-quem-somos-diz-jorge-bucay-623495.shtml

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Desafios do Relacionamento

Todo relacionamento tem desafios… o maior deles são as diferenças. Qual a maior dificuldade em fazer um relacionamento dar certo? Por que muitas pessoas terminam namoros e casamentos? Existe uma fórmula para ser feliz a dois? Se existe resposta para essas perguntas, posso dizer que é o desafio de lidar com as diferenças! Nem todas as pessoas têm paciência e maturidade para entender que ninguém é igual a ninguém.

Quando se está envolvido(a) com alguém, existem duas opções: escolher aceitar as diferenças existentes ou colocar um ponto final, pois não vai saber lidar com isso. A maioria das brigas, são causadas por falta de entendimento, uma boa conversa e doses de tolerância. Quem é que não briga com pais, mães, irmãos, primos, etc? Mesmo tendo a mesma criação e desde criança conviver com eles, é impossível não haver diferenças. Isso acontece por um simples motivo: não existem pessoas iguais no mundo!
  
Muitas pessoas passam pelo mesmo processo: conhecem alguém especial, se apaixonam profundamente, se entregam, começam as brigas, o relacionamento acaba e a pergunta que fica é: “Por que nunca consigo um relacionamento saudável?” Isso acontece porque aceitar que nós temos defeitos, que erramos e o pior, que o ser amado não é perfeito, dói muito e preferimos aceitar que o outro não foi feito para nós. Não existe relacionamento sem diferenças. E esse é o grande desafio. Se conseguir superar isso, seu relacionamento será um sucesso.

Imagine a seguinte situação:

Ele mora sozinho, longe dos pais há muito tempo, é independente e não gosta de ser cobrado por horários, nem por onde se encontra.
Ela mora com os pais, não sabe o que é respeitar o espaço do outro, super mimada, dependente de atenção e foi criada tendo que dar satisfação dos seus passos.
Agora imagine essas duas pessoas juntas. Conseguiu? É muito difícil né? Por quê? Vamos lá… Ela vai controlar os horários dele, pedir atenção o tempo todo, cobrá-lo de gestos e atitudes de amor e não saberá entender, que ele precisa de espaço.

Na primeira vez ele vai tentar explicar, na segunda começa a ficar furioso e na terceira desliga o celular na cara dela.
Ela liga para as amigas aos prantos, dizendo que tudo acabou, que ele não é romântico, nem gentil e que é incapaz de entendê-la. Mas como se amam, ficam juntos.
O tempo passa e juntos aprendem as necessidades de cada um. Ele procura ser mais atencioso e dar satisfação do que vai fazer; ela passa a aceitar essa forma de amor.
Depois de dois anos e meio juntos, e aceitando cada vez mais as diferenças, se casam.

Quem viu esse casal no início achou que seria impossível isso acontecer, tantas brigas, desgastes… mas eles queriam estar juntos e sabiam que para isso os dois precisariam ceder e aprender.

E você? O que está esperando para parar de brigar por besteira e entender que seu(sua) parceiro(a) nunca será 100% o que sonhou, mas o que ele(a) pode ser é o suficiente para te fazer o(a) homem(mulher) mais feliz do seu mundo!!

Não perca tempo, nem desgaste sua relação por besteiras. Converse sobre as diferenças e veja quem pode ceder em cada situação. Nem sempre será o outro, às vezes você terá que ceder.
Mas quer saber? Vale a pena!!


domingo, 18 de setembro de 2011

Solidão... Antes só do que mal acompanhado!?



"Obrigada por razões profissionais a me transferir para São Paulo, me encontro sozinha e sem amigos. A cidade me sufoca durante o dia e me isola à noite num pequeno apartamento de bairro. Não sei o que fazer, não tenho a quem recorrer, às vezes chego quase ao desespero. Quero gente para conversar e para conviver. Ajude-me, por favor. (Cartas para Solitária desesperada)".




Pedido de socorro como esse, acima, está se tornando frequente em São Paulo e em outras grandes cidades. Razões profissionais e casamentos dos filhos, são os principais motivos para deixar os pais sozinhos; separação conjugal, viuvez, e não ter conseguido encontrar o amor da vida, também podem esvaziar o sentido de existência de algumas pessoas.

Nossa sociedade pós-moderna caracterizada pelas comunicações eletrônicas parece mais afastar do que aproximar as pessoas. A Internet como nova onda de comunicação, promete ser um meio de fazer amizades e até uniões amorosas, mas evidentemente é preciso saber ‘mexer’ no computador, na Internet, o que não é costume da geração mais ‘à antiga’. Muitos solitários como a moça acima, deseja mais que um  relacionamento virtual demanda uma companhia real que dê sentido à própria vida.

Não são poucos os que, desesperançados, terminam se virando com a companhia de um cachorro ou um gato....

O filósofo Schopenhauer, um dos muitos pensadores solitários, talvez até anti-social, preferia a companhia agradável de seu cão Atma à companhia humana. Lembro-me do carioca Eduardo Dusek quando compôs uma letra de música, não sei se moralista ou irônica que dizia “troque seu cachorro por uma criança pobre”. Houve gente sensibilizada até a medula, mas duvido que adotaram uma criança pobre e jogaram seu cachorrinho na rua.

Solidão X companhia

O paradoxo social contemporâneo é convivermos o dia a dia com tanta gente e ao mesmo tempo nos sentirmos solitários. Muitas são as situações geradoras de solidão: existe a solidão gerada pelo próprio poder, a solidão decorrente da riqueza, a solidão dos bem e mal casados, a solidão imposta pelo trabalho atomizado (significa promover o individualismo, ordenar as relações humanas segundo princípios hierárquicos), a solidão da criança cujos pais são egoístas ou inafetivos, a solidão dos velhinhos rejeitados com suas memórias e muitas vezes abandonados nos asilos onde se tornam esquecidos
dos familiares, a solidão das crianças órfãs, abandonadas ou que são obrigadas a viverem em instituições repressivas, a solidão da loucura, a solidão dos internos dos hospitais psiquiátricos,  a solidão dos enfermos hospitalizados, a solidão do excluídos no topo do mercado de trabalho,  a solidão do desempregado, a solidão do operário que deixou família para trabalhar na cidade grande, a solidão do estigmatizado, a solidão da morte, etc, etc.

As cifras da Pesquisa Nacional de Amostragem por Domicílios, diz que está aumentando o número de solitários no Brasil. São 3,8 milhões que moram sozinhos, um aumento de 137%, de 1988 a 1999. São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte estão à frente com mais pessoas vivendo isoladas. Esta pesquisa aponta somente os sozinhos, portanto, deixa de revelar o sentimento de solidão, o que evidentemente revelaria um universo ainda maior  desta população. Também revelam um significativo aumento de pessoas que vivem sozinhas por opção ou por imposição.

Os governantes dos países nórdicos por vezes revelam preocupação com o aumento de ‘casais solitários’, isto é, casais que fazem opção de não ter filhos. Preocupação parecida existe também em alguns paises asiáticos, tradicionais de famílias numerosas, como Cingapura, hoje convive com uma nova geração de família com um único filho, ou casal sem filhos e mulher que se recusa casar. A classe média brasileira também fez a opção de cada casal um ou dois filhos. A China, por sua vez, ao instituir a política "cada casal, um filho" de certa forma impôs uma forma de solidão ou tédio familiar. A geração de “filhos únicos” chamada de “reizinhos mandões” por ser demasiadamente crianças paparicadas, mimadas e excessivamente alimentados pelos pais, terminam obesas, egoístas, individualistas e incapazes de assimilar os “nãos” da vida.

Solidão “por opção” e “por obrigação” e seus efeitos

Muitas pessoas solitárias justificam seu “desejo de privacidade”, escolhendo "viver sozinhas porque gostam de liberdade", “preferir viver sozinhas a mal acompanhadas”. A tendência individualista de nossa época reforça o temor de conviver com as diferenças humanas, afinal, morar junto mesmo implica, sobretudo, sermos tolerante, compreender o outro, termos que dividir espaços e coisas e aceitar conferir a todo o momento que o outro não nos preenche.

Demandamos sempre que o outro irá preencher nosso vazio existencial, mas isso não passa de um delírio visando zerar nossa falta essencial, afinal o sujeito é sempre um sujeito faltoso. Os mais conscientes dessa falta se recusam a investir num relacionamento duradouro.

No universo dos sozinhos existem aqueles que o fizeram por opção pessoal, e aqueles que devido às contingências da vida foram obrigados a viverem desacompanhados.

Depois que morreu seu companheiro por mais de trinta anos, a viúva D. X. optou por viver sozinha apesar, dos filhos insistentemente convidarem a querida mãe para se mudar para a casa deles; por enquanto ela diz preferir não abrir mão de sua privacidade. Muitos aposentados se queixam de terem sumido os ‘amigos’ do trabalho. O rótulo de ‘inativo’sinaliza exclusão na linguagem e na prática da convivência diária.  Inativo ou aposentado são palavras mal ditas  no Brasil. Principalmente se for jovem o sujeito é visto como um “privilegiado”, que evidentemente força-o ainda mais ao isolamento ressentido.

O isolamento social obrigatório é muito diferente do viver sozinho “por opção”. No primeiro, existe a imposição do destino ou das circunstâncias, no segundo, a escolha é consciente e deliberada viver solitariamente.
A solidão só pode ser conquistada – ou domada – por aqueles cuja coragem e determinação de levá-la a trabalhar, a produzir criativamente. Entretanto, conquistar a solidão ou domá-la não quer dizer eliminá-la. Dizem que a Cecília Meireles, mesmo quando acompanhada dos amigos, dava sempre a impressão de estar solitária, vivendo no seu próprio mundo, impenetrável.

A solidão indomada tem o poder de fazer do sujeito seu objeto, isto é, efeitos patológicos são previsíveis como a depressão, às drogas, à hipocondria, ao alcoolismo e até o suicídio.

Por isso, Bachelard pergunta: “Como se comporta sua solidão?

Esta pergunta tem mil respostas...
Em que recanto da alma, em que recanto do coração, em que lugar do espírito, um grande solitário está só, bem só?
Só?
Fechado ou consolado?
Em que refúgio, em que cubículo, o poeta é realmente um solitário?

E quando tudo muda também segundo o humor do céu e a cor dos devaneios, cada impressão de solidão de um grande solitário deve achar sua imagem (...) Um homem solitário, na glória de ser só, acredita às vezes pode dizer o que é a solidão. Mas a cada um cabe uma solidão (...) As causas da sua solidão não serão nunca as causas da minha”. E conclui: “A solidão não tem história”.

Feliz Olhar Novo (Carlos Drummond de Andrade)
“…Chorar de dor, de solidão, de tristeza faz parte do ser humano. Não adianta lutar contra isso. Mas se a gente se entende e permite olhar o outro e o mundo com generosidade, as coisas ficam  diferentes…”


sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Ansiedade, Estresse e os Efeitos Gerados no Organismo

A era moderna é conhecida como a idade da ansiedade, referindo-se a agitação e aos transtornos da vida moderna. Porém, a ansiedade sempre esteve presente na vida do homem, desde a época dos homens das cavernas até hoje. É uma questão biológica. A diferença está na importância, através de estudos sobre os efeitos desta ansiedade no organismo e psiquismo humano, e a relação com o equilíbrio do peso corporal.

O que é Ansiedade?

A psicologia define a ansiedade, como um estado estressante que resulta da antecipação de perigo, gerando reação de alarme, fuga ou luta, que são componentes psicológicos que servem para ajudar a lidar efetivamente com os perigos reais e imediatos. Ela é um conjunto de manifestações somáticas que fazem o corpo ficar em alerta, segundo (Dratcu,1993), resultando no aumento da freqüência cardíaca e respiratória, tonturas, tensão muscular, náusea, sudorese e vazio no estômago.

As manifestações psicológicas geram apreensão, alerta, inquietude, hipervigilância, dificuldade de concentração e de conciliação do sono, entre outros. A ansiedade prepara o indivíduo para lidar com situações potencialmente prejudiciais, que possam afetar sua integridade pessoal, tanto física como moral. Desta forma, a ansiedade prepara o organismo a se defender. 

A ansiedade é uma reação natural e necessária para a autopreservação, mas não é um estado normal, e sim uma reação normal e autolimitada. No entanto,
quando a ansiedade persiste, ela pode ser psicologicamente e fisicamente prejudicial, transformando-se em patológica. Nesses casos, conhecidos como síndromes de ansiedade, torna-se necessário um tratamento específico.

Os Principais Distúrbios são:
Ansiedade generalizada;
Ansiedade induzida por drogas ou problemas médicos;
Ataque de pânico;
Distúrbio do pânico;
Distúrbios fóbicos, agorafobia, fobia social e fobia generalizada;
Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).

Qual a relação da Ansiedade com o Estresse?

Dr. Hans Selye, fisiologista austríaco, em 1936, descreveu que a ansiedade é um dos componentes afetivos do processo de estresse, que acaba ocorrendo quando a capacidade de resposta do individuo é excedida. É um componente atuante nas reações emocionais desencadeadas pelo estresse. O estresse era um termo usado na física, e significava o desgaste dos materiais. Em 1926, Hans Seyle, resolveu usá-lo no campo da saúde. Ele usou a palavra  para designar um mecanismo de defesa natural que o organismo aciona, quando percebe algo estranho, sendo um processo de resposta-adaptação (General Adaptation Syndrome).

Sintomas Gerais da Ansiedade

- Dores musculares;
- Incapacidade de relaxar;
- Sensação de bolo na garganta;
- Falta de ar ou sensação de fôlego curto;
- Exaustão mental e fadiga fácil;
- Boca seca;
- Sentir-se constantemente assustado ou preocupado;
- Náuseas e diarréias;
- Irritabilidade, agressividade e frustração;
- Vertigens e tonturas;
- Sensações conflitantes;
- Palpitações;
- Redução da capacidade de concentração;
- Nervosismo e abatimento;
- Impaciência;
- Incapaz de tomar decisões;
- Sudorese, mãos frias e úmidas;
- Demonstração de medos (desmaio, colapso);
- Polaciúria (aumento de número de urinadas);
- Ausência de sentir prazer ou alegria;
- Dificuldade em dormir e manter o sono.

Importante:
Recomenda-se a observar pelo menos “SEIS” dos sintomas descritos, quando freqüentemente presentes.

A Ansiedade e o Estresse afetam o controle do peso?

Existe uma compensação oral, uma sensação de prazer, que a comida preenche.
Mas não é somente o fator psicológico da compensação que afeta o controle de peso, existe um aumento de apetite, desencadeado por uma reação combinada de agentes químicos gerados pela ansiedade. É uma resposta fisiológica do organismo perante o estresse. (Hess, 1997) afirma que, no processo evolutivo, o cérebro recebeu uma programação para procurar substâncias de sabor doce, como fonte de nutrientes e energia. Receptores do sabor doce transmitem uma mensagem ao cérebro, que libera endorfinas. O aumento da liberação desse neurotransmissor provoca saciedade e bem-estar. Esse é um fator que explica
porque em períodos de tensão e ansiedade, muitas pessoas procuram substâncias doces.

Estima-se que dois terços dos obesos consomem carboidratos, não somente para aliviar a fome, mas para combater tensões, ansiedade, fadiga mental e depressão LAVIN et al. (1996). Indivíduos obesos consomem mais alimentos em situação de estresse emocional. Essa teoria, chamada de Modelo Psicossomático da Obesidade (Faith  et al, 1997), afirma que as pessoas obesas, principalmente mulheres, comem excessivamente como mecanismo compensatório em situações de ansiedade, depressão, tristeza e raiva (MATCH, 2003).

Resposta fisiológica do organismo em contato com a ansiedade

A glândula de secreção (hipófise), situada no centro do cérebro, produz mais hormônio adrenocorticotrófico (ACTH); este estimula a glândula supra-renal a produzir mais hormônio cortisol (uma cortisona natural). O hormônio cortisol em excesso, inibe a produção da substância leptina, que age  no hipotálamo, regulando o apetite. Ele também age aumentando a retenção de líquidos e, o acúmulo de gordura. Outro fator é a dopamina, o neurotransmissor das sensações de recompensa e prazer; descobriu-se que pessoas com receptores normais de dopamina não engordam com facilidade, em compensação as com o centro de controle em desequilíbrio, descontam na comida a busca da sensação de prazer imediata.

Os sintomas da ansiedade variam de pessoa para pessoa, entretanto, por causa de alterações biológicas ou hormonais e por fatores sociais, mulheres apresentam mais ansiedade, depressão, desordens somáticas e distúrbios alimentares, em relação aos homens (LINZER, 1996).

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Transtorno Afetivo Bipolar

O que é?

O transtorno afetivo bipolar era denominado até bem pouco tempo de psicose maníaco-depressiva.

Esse nome foi abandonado principalmente porque este transtorno não apresenta necessariamente sintomas psicóticos, na verdade, na maioria das vezes esses sintomas não aparecem. Os transtornos afetivos não estão com sua classificação terminada.
Provavelmente nos próximos anos surgirão novos subtipos de transtornos afetivos, melhorando a precisão dos diagnósticos. Por enquanto basta-nos compreender o que vem a ser o transtorno bipolar.

Com a mudança de nome esse transtorno deixou de ser considerado uma perturbação psicótica para ser considerado uma perturbação afetiva. A alternância de estados depressivos com maníacos é a tônica dessa patologia.

Muitas vezes o diagnóstico correto só será feito depois de muitos anos. Uma pessoa que tenha uma fase depressiva, receba o diagnóstico de depressão e dez anos depois apresente um episódio maníaco, tem na verdade o transtorno bipolar, mas até que a mania surgisse não era possível conhecer diagnóstico verdadeiro.

O termo mania é popularmente entendido como tendência a fazer várias vezes a mesma coisa. Mania em psiquiatria significa um estado exaltado de humor.

A depressão do transtorno bipolar é igual a depressão recorrente que só se apresenta como depressão, mas uma pessoa deprimida do transtorno bipolar não recebe o mesmo tratamento do paciente bipolar.


Aspectos do Transtorno Bipolar

      
O transtorno bipolar é uma doença crônica, recorrente e, se não for tratada, pode se tornar incapacitante. Caracteriza-se pela alternância nos estados de humor, entre fases de depressão e euforia (mania), intercaladas por períodos de normalidade.
       
  A fase eufórica consiste em uma exaltação do humor que ocorre sem nenhuma relação com o momento que a pessoa está vivendo. Em geral, a mudança é súbita, mas o indivíduo não percebe, porque o seu senso crítico também se encontra alterado.
       
  Nesta fase, os sintomas variam desde exaltação do humor, euforia, aceleração do pensamento e da fala, diminuição da necessidade de sono, exacerbação da sexualidade, comprometimento da crítica até a irritabilidade, agressividade e dificuldade de controlar adequadamente os impulsos.

Em casos de maior gravidade, o paciente apresenta delírios de conteúdo de grandeza, poder ou ainda de perseguição, podendo inclusive apresentar alucinações.

A fase de mania pode expor o paciente a vários riscos, como dirigir em alta velocidade, abusar de álcool ou drogas e gastar excessivamente, tornando por vezes, difícil o convívio social.
       
Na fase de depressão, é notável a diminuição do interesse ou prazer, podem ocorrer mudanças no apetite e no peso, insônia ou em alguns casos hipersônia, perda de energia, sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva, diminuição da capacidade de concentração, pensamentos recorrentes de morte, podendo levar até o suicídio.
         
O transtorno bipolar tem uma etiologia multifatorial, isto é apresenta uma vulnerabilidade genética e biológica que se manifesta quando o indivíduo é submetido a estressores físicos, sociais e psicológicos.
          
Existem pesquisas que sugerem que seja herdado, relacionado a uma falta de estabilidade na transmissão dos impulsos, tornando os portadores desse transtorno mais vulneráveis às tensões emocionais. No que se refere à etiologia da doença, podemos concluir que os aspectos biopsicossociais desempenham um papel importante no desencadeamento da doença.

Vale a pena destacar que apesar da questão genética do transtorno bipolar, os eventos estressantes da vida são os desencadeadores das crises que acometem as pessoas que sofrem com este transtorno.
        
Apesar de ser uma doença crônica e de haver necessidade de controle durante toda a vida, é necessário desestigmatizar a doença, já que existe tratamento que oferece condições para que essas pessoas tenham uma vida normal e produtiva.
       
Hoje em dia, já existe a possibilidade de por fim ao desespero dos que sofrem com este transtorno, tanto a medicação que é essencial ao tratamento quanto à terapia oferecem esperança de uma melhor qualidade de vida para os bipolares.


"A vida é um sonho, acordar é o que nos mata" (Virginia Woolf).

Aos leitores desse artigo, gostaria de sugerir a leitura do texto completo (conforme link abaixo), pois me ative a destacar os pontos mais importantes desse tipo de transtorno, no intuito de torná-lo breve e de fácil compreensão. Àqueles que tiverem curiosidade, vale a pena ler uma breve biografia da vida e da obra de Virginia Woolf, uma das maiores escritoras do século XX, que aos treze anos começou a apresentar os sintomas do que hoje seria diagnosticado, como transtorno afetivo bipolar. Embora tendo vivido entre constantes oscilações de humor, teve uma vida profissional bastante produtiva, Virginia Woolf foi romancista e crítica literária, sua obra inclui 9 romances e 40 contos, 2 biografias ficcionais e 1 verdadeira, aproximadamente 500 ensaios, 4000 cartas e quase 50 anos de diários.

Mesmo tendo uma vida profissional bem sucedida, as crises depressivas a acometiam, principalmente quando estava terminando um livro ou próxima a lançá-lo, queixava-se de sintomas físicos como enxaqueca e insônia        .
        
Infelizmente a psiquiatria da época ainda não dispunha de condições adequadas para o tratamento efetivo do Transtorno Bipolar. Em fevereiro, de 1941, Virginia Woolf começou a ter crises de desespero e em 28 de março do mesmo ano, acabou suicidando-se, morreu afogada em um rio após encher os bolsos de pedras. Deixou uma carta ao marido, onde dizia ter voltado a ouvir vozes e que não suportaria mais outra crise.

http://www.artigonal.com/psicologiaauto-ajuda-artigos/virginia-woolf-a-dificil-arte-de-viver-entre-a-esperanca-e-o-desespero-aspectos-do-transtorno-bipolar-1566225.html

sábado, 10 de setembro de 2011

TOC - Transtorno Obsessivo-Compulsivo

TOC, ou transtorno obsessivo-compulsivo é um distúrbio psiquiátrico de ansiedade descrito no “Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais” da Associação de Psiquiatria Americana, que se caracteriza pela presença de crises recorrentes de obsessões e compulsões.

Obsessões podem ser definidas como eventos mentais, tais como: pensamentos, idéias, impulsos e imagens, vivenciados como intrusivos e incômodos. Como produtos mentais, as obsessões podem ser criadas a partir de qualquer substrato da mente, tais como palavras, medos, preocupações, memórias, imagens, músicas ou cenas.

Compulsões são definidas como comportamentos ou atos mentais repetitivos, realizados para diminuir o incômodo ou a ansiedade causados pelas obsessões ou para evitar que uma situação temida venha a ocorrer. Não existem limites para a variedade possível das obsessões e das compulsões.

Sintomas

Preocupar-se excessivamente com limpeza, lavar as mãos a todo o momento, revisar diversas vezes portas, janelas ou o gás antes de deitar, não usar roupas vermelhas ou pretas, não passar em certos lugares com receio de que algo ruim possa acontecer depois, não sair de casa em determinadas datas, ficar aflito caso os objetos sobre a escrivaninha não estejam dispostos de uma determinada maneira, são alguns exemplos de ações popularmente consideradas “manias” e que, na verdade, são sintomas de um transtorno: oTranstorno Obsessivo-Compulsivo, ou TOC .

Considerado raro, até há pouco tempo, o TOC é uma doença bastante comum, acometendo, aproximadamente, um em cada 40 ou 50 indivíduos.

No Brasil, é provável que existam entre 3 a 4 milhões de portadores. Muitas dessas pessoas, embora tenham suas vidas gravemente comprometidas pelos sintomas, nunca foram diagnosticadas e mais dificilmente ainda, tratadas.

Talvez a maioria desconheça o fato de esses sintomas constituírem uma doença para a qual, de uns anos para cá, já existem tratamentos bastante eficazes.

O TOC é considerado uma doença mental grave por vários motivos: está entre as dez maiores causas de incapacitação, de acordo com a Organização Mundial de Saúde; acomete preferentemente indivíduos jovens ao final da adolescência – e muitas vezes começa ainda na infância – sendo raro seu início depois dos 40 anos; geralmente é crônica e, se não tratada, na maioria das vezes se mantêm por toda a vida.

Os sintomas raramente desaparecem por completo: o mais comum, quando não é realizado nenhum tratamento, é que apresentem flutuações ao longo da vida, aumentando e diminuindo de intensidade, mas estando sempre presentes em algum grau.

Em aproximadamente 10% dos casos, tendem a um agravamento progressivo, podendo incapacitar os portadores para o trabalho e acarretar sérias limitações à convivência com a família e com as outras pessoas, além de submetê-los a um grande e permanente sofrimento.

A ST (Síndrome de Tourette) é diagnosticada quando o paciente apresenta múltiplos tiques motores e ao menos um tique vocal, por um período mínimo de um ano no qual os tiques não estiveram ausentes por mais de três meses consecutivos.

Pacientes com TOC associado a tiques apresentam mais freqüentemente obsessões de agressividade e sexuais, além de compulsões de simetria, ordenação e arranjo, colecionismo.

Felizmente, têm sido desenvolvidos novos métodos de tratamento, utilizando medicamentos e psicoterapia, que conseguem reduzir os sintomas e, muitas vezes, eliminá-los completamente.


Quando suspeitar ser um portador de TOC
     
Caso você responda positivamente a alguma das questões seguintes é provável que seja portador do TOC

*Sua mente é invadida por pensamentos, impulsos, palavras, frases, música, ou imagens que não deseja, que o incomodam e não consegue afastar ?
*Preocupa-se demais com germes, contaminação, sujeira, ou doenças?
*Preocupa-se demasiadamente em ter certeza ou fazer as coisas de forma absolutamente perfeita, tendo por isso sempre muitas dúvidas, e a necessidade de repeti-las?
*Necessita lavar as mãos repetidamente ou de forma excessiva ?
*Tem necessidade de tomar vários banhos ao dia por se sentir sujo, contaminado ou por sentir culpa por algo que considera ter feito de errado ou imoral?
*Verifica portas, fogão, janelas, gás, torneiras, eletro-doméstico ou outras coisas de forma excessiva?
*Necessita fazer coisas de forma repetida e sem sentido (tocar, contar, repetir números, palavras ou frases?
*Preocupa-se demais em que as coisas estejam simétricas, perfeitas, organizadas ou alinhadas?

Se você identificou  um ou mais dos sintomas citados, procure um profissional especializado e peça uma avaliação.

Usualmente não é difícil identificar uma obsessão, pelo seu caráter intrusivo, repetitivo, involuntário, pelos temas comuns e pela aflição associada. Da mesma forma os rituais ou compulsões são fáceis de serem identificados pelo seu caráter estranho e repetitivo. Mas boa parte da população desconhece que são manifestações de um transtorno e na verdade envergonham-se do que consideram uma fraqueza, além do sofrimento que o transtorno lhes impõe. Os profissionais da área da saúde têm um importante papel de esclarecimento ainda mais que a maioria dos pacientes respondem favoravelmente aos tratamentos disponíveis e de forma bastante rápida. Sem tal auxílio muitos pacientes podem se tornar indivíduos incapacitados ou terem seu desempenho comprometido, acarretando além disso um enorme prejuízo às famílias que necessitam fazer acomodações aos seus sintomas.


Associação de familiares, amigos e pessoas com Transtorno Obsessivo Compulsivo e Síndrome de Tourette do Rio de Janeiro

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Doenças Psicossomáticas


“O Homem é sem dúvida um ser emocional, pois somos Espíritos. Somos seres emocionais, e neste inter-relacionamento entre corpo e espírito, verificamos a necessidade de começarmos a controlar nossos sentimentos e emoções. As doenças psicossomáticas são oriundas de nosso inconsciente, ou seja, daquelas emoções desagradáveis que permanecem em nós; são emoções mal resolvidas e que chamaremos de “lixo interior”, que ficam aguardando oportunidade de reciclagem, ou seja, de transformação”. (ad)



A psicossomática é uma ciência interdisciplinar que integra diversas especialidades da medicina e da psicologia para estudar os efeitos de fatores sociais e psicológicos sobre processos orgânicos do corpo e sobre o bem-estar das pessoas. O termo também pode ser compreendido, tal como descreve Mello Filho, como "uma ideologia sobre a saúde, o adoecer e sobre as práticas de saúde, é um campo de pesquisas sobre estes fatos e, ao mesmo tempo, uma prática, a prática de uma medicina integral".

A palavra psicossomática, na visão dos profissionais de saúde que compreendem o ser humano de forma integral, não pode ser compreendida como um adjetivo para alguns tipos de sintomas, pois tanto a medicina quanto a psicologia estão percebendo que não existe separação ideal entre mente, corpo, alma e espírito, que transitam nos contextos sociais, familiares, profissionais e relacionais. Então, psicossomática é uma palavra substantiva que pode ser empregada para qualquer tipo de sintoma, sejam eles, físico, emocional, psíquico, espiritual, profissional, relacional, comportamental, social ou familiar.



Na visão junguiana ou da psicologia integral, todo sintoma é psicossomático e pode ser um meio para que o processo do autoconhecimento possa acontecer. Entre outras possibilidades de interpretação de conflito postuladas pela corrente psicanalítica, que poderiam ser citadas, incluem-se as dificuldades de dar (expelir) e reter (absorver) explicitadas por Alexander (Alexander e Selesnick o.c.) nas doenças gastrointestinais; as concepções de que a mente, por não conseguir resolver ou conviver com um determinado conflito emocional, passa a produzir mecanismos de defesa com o propósito de deslocar a dificuldade e/ou "ameaça" psíquica para o corpo, chegando mesmo a indução de mutações físicas, oriundas do afeto doloroso e os fatores associados à depressão, inicialmente interpretadas por Freud como associadas à perda do objeto amado e ao luto. 

Segundo Mello Filho (2005 o.c.) a expressão doença psicossomática foi utilizada inicialmente para referir-se apenas a certas doenças como a úlcera péptica, asma brônquica,  hipertensão arterial e colite ulcerativa, onde as correlações psicofísicas eram muito nítidas, posteriormente foi-se percebendo que tal concepção é potencialmente válida para todas as doenças.

Apesar dessa possível generalização já imaginada por Freud quando fez a recomendação que todo médico além de sua especialidade deveria ser treinado em psicanálise, o conceito de doença psicossomática persiste face à evidente relação de algumas patologias com fatores emocionais ou psicológicos como por exemplo:



" Não corrigir nossas falhas é o mesmo que cometer novos erros." (Confúncio)

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