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quinta-feira, 10 de maio de 2012

Não estás deprimido, estás distraído – belíssima reflexão!

Não estás deprimido, estás distraído…  

Distraído em relação à vida que te preenche…  
Distraído em relação à vida que te rodeia. 
Golfinhos, bosques, mares, montanhas, rios.
Não caia como caiu teu irmão que sofre por um único ser humano 
quando existem cinco bilhões e seiscentos milhões no mundo.
Além disso, não é assim tão ruim viver só. Eu fico bem decidindo 
a cada instante o que fazer e graças à solidão conheço-me.  
O que é fundamental para viver. Não faça o que fez teu pai que tem setenta anos e esquece que Moisés comandou o êxodo aos oitenta e Rubinstein interpretava Chopin com maestria sem igual aos noventa, para citar apenas dois casos conhecidos.

Não estás deprimido, estás distraído. 
Por isso acreditas que perdeste algo, o que é impossível, porque tudo te foi dado. Além disso, a vida não tira coisas, te liberta de coisas e até alivia-te para que possas voar mais alto, para que alcances a plenitude. Do útero ao túmulo, vivemos numa escola; por isso o que chamas de problemas são apenas lições. Não perdeste coisa alguma. Aquele que morre está adiantado em relação a nós, porque todos vamos na mesma direção. E não esqueças, o melhor Dele, o amor, continua vivo em teu coração.

Não existe a morte… Apenas a mudança. 
E do outro lado te esperam pessoas maravilhosas: Gandhi, Madre Teresa, teu avô e a minha mãe, que acreditava que a pobreza está mais próxima do amor porque o dinheiro nos distrai com coisas demais e nos machuca porque nos torna desconfiados.
Faz apenas o que amas e serás feliz. Aquele que faz o que ama está benditamente condenado ao sucesso, que chegará quando for a hora,  porque o que deve ser será e chegará de forma natural.
Não faças coisa alguma por obrigação ou por compromisso, apenas por amor
Então terás plenitude e nessa plenitude tudo é possível sem esforço, porque és movido pela força natural da vida, a mesma que me ergueu quando caiu o avião que levava minha mulher e minha filha;  a mesma que me manteve vivo quando os médicos me deram três ou quatro meses de vida.
Deus te tornou responsável, porém como ser humano que és tu. 
Deves trazer felicidade e liberdade para ti mesmo. 
E só então poderás compartilhar a vida com os outros.
Lembra-te: “Amarás o próximo como a ti mesmo”. 

Reconcilia-se contigo, coloca-te na frente do espelho e pensa que esta criatura que vês é uma obra de Deus, e decide neste exato momento ser feliz, porque a felicidade é uma aquisição. 
Aliás, a felicidade não é um direito, mas um dever, porque se não fores feliz estarás levando amargura para todos os teus vizinhos.
Um único homem, que não possuía talento ou valor para viver, mandou matar seis milhões de judeus, seus irmãos.
Se estás com câncer ou AIDS podem acontecer duas coisas, e ambas são positivas: se a doença ganha, te liberta do corpo que é cheio de 
processos (tenho fome, tenho sono, tenho vontades, tenho dúvidas…). Se tu vences serás mais humilde, mais agradecido, portanto, facilmente feliz, livre do enorme peso da culpa, da responsabilidade e da vaidade, disposto a viver cada instante profundamente. 
Como deve ser.

Não estás deprimido, estás desocupado.
Ajuda a criança que precisa de ti, essa criança será sócia do teu filho. 
Ajuda os velhos, e os jovens te ajudarão quando chegar a tua vez. 
Aliás, o serviço prestado é uma forma segura de ser feliz, como é gostar da natureza e cuidar dela para os que virão.
Dá sem medida e receberás sem medida.
Ama até que te tornes o ser amado. 
Mais ainda, converte-te no próprio amor. E não te deixes enganar por alguns homicidas e suicidas. 
O bem é maioria, mas não se percebe porque é silencioso. 
Uma bomba faz mais barulho que uma carícia. Porém para cada bomba que destrói, há milhões de carícias que alimentam a vida. 

Para complementar as lindas palavras de Facundo Cabral, coloquei esse vídeo com fragmentos do poema "Não estas deprimido, estás distraído". Belo trabalho! 

Facundo Cabral (Balcarce, 22 de maio de 1937 - Cidade da Guatemala, 9 de julho de 2011) foi um compositor, cantor, compositor, jornalista, escritor e poeta argentino. Em tenra idade seu pai deixou a casa deixando a mãe com três filhos, que emigraram para Tierra del Fuego no sul da Argentina. Cabral teve uma infância dura e desprotegida, tornando-se um marginal, a ponto de ser internado em um reformatório. Em pouco tempo conseguiu escapar e, segundo conta, encontrou Deus nas palavras de Simeão, um velho vagabundo. Em 1970, ele gravou "No Soy De Aquí, Ni Soy De Allá" e seu nome fica conhecido em todo o mundo, gravando em nove idiomas e com cantores da estatura de Julio Iglesias, Pedro Vargas e Neil Diamond, entre outros.Influenciado, no lado espiritual, por Jesus, Gandhi e Madre Teresa de Calcutá, na literatura por Borges e Walt Whitman, sua vida toma um rumo espiritual de observação constante em tudo o que acontece em seu redor, não se conformando o que vê, durante sua carreira como um cantor de Música Popular e, toma o caminho da crítica social, sem abandonar o seu habitual senso de humor. Como um autor literário, foi convidado para a Feira Internacional do Livro, em Miami, onde conversou sobre seus livros, entre eles: “Conversaciones con Facundo Cabral”, “Mi Abuela y yo”, “Salmos”, “Borges y yo”, “Ayer soñé que podía y hoy puedo”, y el “Cuaderno de Facundo”. Em reconhecimento do seu constante apelo à paz e amor, em 1996, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) o declarou "Mensageiro mundial da Paz”.Morreu assassinado na Cidade da Guatemala quando se dirigia para o aeroporto, depois de um concerto. Por volta das 5h45m, Cabral, o seu representante e o seu empresário receberam múltiplos disparos, sendo vítimas de um confuso atentado perpetrado por vários bandidos armados com fuzis de assalto.

domingo, 8 de abril de 2012

Ego Inflado (o Sí-mesmo)


“Aquele que se sente alfinetado deve ter sido algum dia uma bolha…” Lao-Tsé

Não sei se todos os leitores estão familiarizados com o termo “ego inflado”. Então vamos começar por ele. EGO é uma palavra latina correspondente ao EU. Um egoísta é aquele que só pensa em si. Um egocêntrico é aquele que pensa ser o centro do universo. E um ego inflado é um ego que está para além de seus limites.

Gostaria de compartilhar com vocês a definição de inflação egóica que Edward Edinger faz no livro Ego e Arquétipo:

“A definição apresentada no dicionário para inflação é: “Cheio de ar, dilatado pela ação do ar, irrealisticamente amplo e importante, além dos limites das próprias medidas; portanto, vaidoso, pomposo, orgulhoso, presunçoso.” Uso o termo inflação para descrever a atitude e o estado que acompanham a identificação do ego ao Si-mesmo. Trata-se de um estágio no qual algo pequeno (o ego) atribui a si qualidades de algo mais amplo (o Si-mesmo) e, portanto, está além das próprias medidas.”

 O Si-mesmo (ou self) é o arquétipo que corresponde à totalidade da psique, assim como seu centro organizador. Seria como uma representação psíquica do Todo, e até mesmo do divino. O Si-mesmo abrange tanto a consciência quanto o inconsciente.

Quando o ego está em um estado de inflação, é como se ele se identificasse com características próprias da divindade, do todo, e do centro.

Durante a infância é normal que nossa atitude seja a de se reconhecer como centro do mundo. Tanto porque nosso ego ainda está em construção, separando-se do inconsciente, quanto porque nosso ambiente nos trata dessa forma. Nós achamos que o mundo e as coisas são nossas,  por direito. Quando adultos, ficamos esperando que o estado, o chefe, o cônjuge, o terapeuta, Deus ou o destino nos dê aquilo que falta, de forma muito passiva. E quando não ganhamos… raiva e tristeza emergem.

Quem puder, observe a fala e comportamento das crianças pequenas: “a mãe é minha, o irmão é meu, a bola é minha, quero isso, quero aquilo…”  e assim por diante. As crianças que são muito mimadas tendem a manter na idade adulta essa atitude de exigir que o mundo e as pessoas correspondam aos seus desejos.

Só um exemplo para ilustrar como funciona: tenho uma sobrinha que fez 8 anos mês passado. Fazemos aniversário em datas próximas, e ela mora em outra cidade. Na época do meu aniversário alguns familiares viriam para a cidade onde moro, para me visitar, mas ela não queria, estava com preguiça de viajar. E então alguém comentou “e se sua tia não vier no seu?” A resposta veio logo, esbravejando ” Mas como que ela não vai vir no MEU aniversário?”

É engraçado ver como funciona a psique infantil. E para uma criança de 8 anos está perfeitamente normal. O problema é a manutenção desse comportamento em idade adulta. O que antes era bonitinho começa a ficar extremamente cansativo de se conviver e até mesmo doentio.

Uma psicose pode ilustrar perfeitamente esse estado de identificação do ego com o Si-mesmo. Eu não consigo imaginar quantas reencarnações de Jesus Cristo existem hoje na Terra. Ou então aquele indivíduo paranóico, que acredita estar sendo perseguido a todo momento por outra pessoa que quer derrubá-lo.

Há uns meses atrás fui abordada na rua por um jovem que contou toda uma trama fantástica, que envolvia metade do mundo, numa conspiração para que ele não arrumasse emprego. Esse ego inflado não consegue admitir que não é tão especial assim. Se não arrumou emprego, só pode ser porque tem alguém sabotando.

O ego inflado se coloca em situações de risco – abuso de álcool, drogas, velocidade, sexo sem proteção, negócios ilícitos, e por aí vai, porque acha que nada pode acontecer com ele. É atribuir a si aspectos da divindade, ser Todo-poderoso e imortal.

Outro aspecto clássico que o ego pode “pegar emprestado” do arquétipo da divindade é a questão de ser o salvador. É o cara que quer ser o herói, ou aquela mulher que se envolve com o tipo mais cafajeste e errado e acha que vai salvá-lo dessa vida. Perceber que não consegue torna a vida dessa mulher muito sofrida, mas é justamente o que precisa para estourar a bolha. Quando ela puder admitir que não tem o poder para mudar o outro, e viver dentro da própria medida, as coisas ficam bem.

Isso pode acontecer com os profissionais da área da saúde, defensoria pública, policiais, religiosos e por aí vai. Acho que boa parte de nós pensa ser o salvador. Só que muitas vezes a gente perde. E aí, como fica?

A vida e a nossa psique naturalmente vai se encarregando de estourar nossa bolha, quantas vezes forem necessárias, até que possamos ficar dentro da medida que nos cabe. Então no fundo, temos que agradecer aos momentos de revés. Eles nos tiram da ilusão, e facilitam a convivência com o que nos cerca. Desinflar é algo extremamente necessário para que possamos nos situar adequadamente dentro de nossa realidade.

Só podemos torcer para que as alfinetadas, os tombos e os reveses venham. Com sorte, eles virão em uma medida que possamos aguentar. Se o estouro for proporcionalmente maior do que podemos aguentar, caímos em um estado de extrema “alienação do ego”. E pode ser que não sobre nada no que possamos nos agarrar para levantar novamente.

http://www.terapiaemdia.com.br/?p=1162

sábado, 24 de dezembro de 2011

Senhor eu tenho Sede, sede de Água Viva!

Senhor,
eu tenho sede.
No caminhar difícil da minha vida,
eu tenho sede.
Nos abandonos, nas perdas, nas incompreensões,
eu tenho sede.
Nas miséria dos meus pecados,
eu tenho sede.

No passado que me atormenta,
eu tenho sede.
No futuro que me amedronta,
eu tenho sede.
No presente que me entristece,
eu tenho sede.
Eu quero água, Senhor.
Eu quero água viva.
A água que me lava e me alimenta.
A água que me lembra o nascimento, o batismo, o mar...


Eu quero a água viva que me mostra o mar de possibilidades
que eu tenho na vida.
Nada nem ninguém poderá me roubar o futuro.
Eu quero água viva.
Eu quero esse alimento, Senhor.
Obrigado, porque apesar de tantos que não me veem,
não me reconhecem, não gastam tempo comigo, o
Senhor está aqui.
Fica mais tempo, Jesus.
Tua conversa me dá vida nova.
Amém.

Fonte: Livro Ágape




"O mundo da simplicidade, da natureza, da fonte de água limpa e do canto dos pássaros é um pedaço do céu e a voz de Deus, que muitos não conseguem ouvir." (Luiza Gosuen)



“Deus é a fonte de todas as verdades, quem dessa fonte água beber, jamais será atormentado pela sede da dúvida.” (Karolynna)

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