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segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Conscientizar-se da própria sombra

A polaridade entre o sentimento de inferioridade e a vontade de poder...


“Vergonha, culpa, orgulho, medo, ódio, inveja, carência e avidez 
são subprodutos inevitáveis da construção do ego "eu". 
Eles estimulam a polaridade entre o sentimento de inferioridade e a vontade de poder. 
Eles são os aspectos da sombra da primeira emancipação do ego.” (Edward C. Whitmont)


Passamos nossa vida, até os 20 anos, decidindo quais as partes 
de nós mesmos  que poremos na "sacola", e passamos o resto da vida tentando retirá-las de lá.” (Robert Bly)

Medite sobre o que mais o incomoda em relação às pessoas. Não aspectos superficiais, mas algo que realmente você abomine, odeie. Talvez seja ingratidão, traição, injustiça, ciúme, medo ou impaciência. Reflita. Você já pensou por que odeia isso?



Será que aquilo que o incomoda em relação aos outros não é algo que está aí, escondido dentro da sua mente? Talvez tão escondido que agora esteja inconsciente?

Carl Jung dizia: "Tudo o que nos irrita nos outros pode nos levar a um conhecimento de nós mesmos".

Toda criança é total ao nascer. É inteira, mas no decorrer da vida começa a se dividir. Ela é influenciada pela sociedade, pela religião e pela família, começando a negar algumas características consideradas más. É a qualidade, o jogo do que é bom ou mau. Com a chegada da maturidade, ela já negou muito de sua personalidade real. Esconde uma parte de si, acha pecado, errado e sujo algo que é dela, e tudo o que é rejeitado fica escondido ou guardado no inconsciente.




Isso se chama sombra, é tudo o que negamos na busca absurda de sermos perfeitos para os outros, com um eu ideal. Um exemplo é a história "O médico e o monstro", do Dr. Jekill e Mr. Hyde. Dentro do bondoso médico ficava escondida a sua sombra, como o monstro, Mr. Hyde. 

Também encontramos exemplo da sombra no livro "O retrato de Dorian Gray", de Oscar Wilde. O jovem Dorian faz um pacto com o diabo para
sempre ter uma beleza impecável e assim todos seus traços de envelhecimento físico além de egoísmo, obsessões, crueldade, cinismo seriam transferidos para um retrato de sua imagem jovem e perfeita. Esse retrato é guardado e ninguém o vê, a não ser Dorian, quando curioso, e ele vê o retrato cada vez mais feio, repugnante e cada dia mais velho. 

Assim é a nossa sombra. Como Dorian, desejamos mostrar uma face harmoniosa, amável, inteligente, e escondemos os nossos verdadeiros sentimentos, aqueles dos quais você se envergonha. É claro que devemos procurar preservar de nossa sombra as pessoas com quem nos relacionamos, senão criaremos confusões todo o tempo. O que não podemos é negá-la para nós mesmos, até porque ela possui aspectos muito positivos.


Todos temos uma máscara, que é a imagem que passamos para o mundo. Na astrologia nós a chamamos de ascendente, que é como as pessoas nos veem, é nosso impulso, a personalidade adquirida com a vida e por meio da qual transmitimos aquilo que temos de melhor. Chama-se persona na psicologia analítica e é como gostaríamos que todos nos reconhecessem. Por exemplo: no namoro superficial colocamos nossa persona, enquanto num relacionamento mais profundo acabamos por mostrar nossa sombra.

Fazemos com que nosso eu se divida em três partes:

o "eu perdido" - tudo o que reprimimos para agradar "aos outros";
o "falso eu" - a imagem que criamos para agradar "aos outros";
o "eu negado" - a parte que "os outros" nos ensinaram ser negativa e por isso é negada.

São exemplos: egoísmo, raiva, desejos sexuais (reprimidos), vingança, "erros do passado", culpa (que não cria nada), traição, falsidade, desejo de poder, mentiras, nossas brigas com Deus / Deusa, "pecados", vergonha, etc.
    
É provável que você tenha a maioria dessas características e outras mais. E não é só você. Todos somos assim. Reconheçamos isso!

Jung sabia que a sombra é perigosa quando não reconhecida, pois projetamos nossos aspectos destrutivos no mundo e nos outros e somos inteiramente escravos dela até que domine nossa mente e passemos a pulsar somente ódio, tristeza, julgamentos, dor, reclamações, ressentimentos, magoa, indignação, inconformismo, etc. Começamos a ver defeitos em todas as pessoas, julgamos e enxergamos a sombra de nosso vizinho, da religião que não seja a nossa, de outra cultura, mas não vemos nossa sombra.




Muitas das "guerras espirituais" ou "religiosas" acontecem exatamente por isso. Vemos trevas em tudo e essas trevas são projeções do que temos em nosso interior. Atos impulsivos que depois geram arrependimento. Situações em que se humilham os outros. Raiva exagerada em relação aos erros alheios. Depressão quando se olha para dentro.

São Francisco de Assis era sombra e luz, mas escolheu o caminho de luz; Hitler era sombra e luz, mas escolheu o caminho da sombra. Hitler tinha a semente de Francisco, mas Hitler se tornou Hitler. Francisco tinha a semente de Hitler, mas se tornou Francisco. Francisco trabalhou sua sombra e tornou-se um mestre, que é ícone de compaixão, tolerância e amor à vida. Esse é um trabalho para toda a vida e, como recompensa, nos permite perdoar aos outros e a nós mesmos pelo que achamos mau, pois a compaixão e a tolerância iniciam-se conosco e expandem-se para o próximo.



A sombra é muito primitiva. Vem de um passado remoto, desde, talvez, o surgimento dos hominídeos. Está em nossa mente e corpo e é chamada também de memes. No livro O gene egoísta, Richard Dawkins diz que os memes são "núcleos de informação ou energia que têm vida própria, irradiam comandos, instruções, programas culturais e normas sociais para as pessoas" e se transmitem por meio de cultura, fofoca, religião, livros, filmes e tudo o que contribui para aumentar nossa sombra individual e cultural. A fofoca talvez seja um dos piores memes - a fofoca de dentro, a fofoca de fora.

O meme é algo tão poderoso que irradia sua influência de uma mente para outra de forma quase instantânea. É assim que as ideias se propagam. Da mesma forma como os genes estão para a genética, os memes estão para a memética. E assim como o DNA é o replicados biológico, o meme é o replicados cultural. Ideias sombrias e limitadas podem ser ensinadas pela escola (que também tem um lado sombrio):

Quando pensamos que temos uma ideia, na verdade são as ideias que nos têm. Faço essa colocação para que você entenda que muitas vezes somos hospedeiros de ideias, opiniões ou crenças nem sempre benéficas a nós, mas vantajosas a elas mesmas. E assim elas passam a formar nossa sombra. Quanto mais felicidade e criatividade adquirimos na vida, mais a sombra aumenta (Ex: INVEJA). Quanto mais luz, mais sombra e escuridão. (Ex.: O SUCESSO DE UNS, INCOMODA OUTROS) Todos os gênios da humanidade tiveram sombras muito fortes. Quanto mais luminosa a personalidade consciente, maior a sombra. Portanto, não projete sua sombra em outro. Perceba essas projeções, uma limitação sua.

Muitos pais se projetam nos filhos, exigindo aspectos de perfeição que eles mesmos não tiveram na vida.

Nossa luz e nossa sombra criam contradições em nossa alma. Qual caminho seguir? O que eu quero ou o que os outros querem de mim?

Todas essas dúvidas nos remetem ao nosso lado sombra, já que é ele que detém todas as chaves de nosso autoconhecimento, todos os nossos segredos.


Mas é bom não confundir a sombra com o ego negativo. Enquanto a sombra faz parte do ser real, pois nos faz olhar para nosso íntimo e nos descobrir na totalidade, o ego negativo é o ser idealizado e aquele que diz: "Não seja autêntico, seja aceitável". "Não se exceda, seja medíocre, seja normal." O ego muitas vezes nos ilude, mente, enquanto a sombra nos coloca diante da própria verdade porque ela sempre esteve conosco, desde o nascimento. E como sempre esteve conosco, ela se constitui de tudo aquilo que insistimos em negar e desconsiderar ou daquilo que nos recusamos a aceitar em nós mesmos.

Não agimos assim porque queremos, mas porque desde criança tivemos que nos adaptar para sobreviver. E fomos ensinados a esconder não somente coisas escuras, feias, que a sociedade diz que são pecaminosas, terríveis, imorais, mas também as coisas boas, por causa das mensagens que recebemos: "Não seja curioso"; "não seja tão honesto"; "não viva tão em contato com seus sentimentos"; "não seja tão criativo"; "não seja tão sonhador"... E assim fomos ensinados a construir nossa "autoestima". Por isso o lado sombra é tão rico. E é, somente penetrando na própria escuridão, que você poderá transformar-se, poderá transitar da antiga para a nova forma, livrando-se de seus temores e vergonhas, fracassos e dores. E, somente assim, poderá descobrir sua verdadeira força, seu poder, seus talentos e... sua alma.

Para sua reflexão, observe esta lista de valores paradoxais:

Valores que provavelmente você deseja de coração
Valores que a família, a religião e a sociedade exigem de você.
Sucesso
Humildade
Gula
Jejum / Moderação
Alegria
Dor (crescemos num momento de dor)
Facilidade
Sacrifício e Dificuldades
Sexo
Celibato / Monogamia
Dinheiro
Pobreza (nos leva para o céu)
Felicidade na terra
Felicidade nos céus
Trabalhar é prazer
Trabalhar é obrigação
Não fazer nada
Sempre fazer algo
Dizer não
Dizer sim
Ter privacidade
Deixar-se invadir
Eu sou o mais importante
O outro é o mais importante
Eu me amo
Amo o próximo
Ter liberdade
Obedecer às autoridades e aos mais velhos. mais velhos
O último pedaço de pizza é meu
O último pedaço de pizza é seu
Falo o que quero
Sou bonzinho para agradar
Tenho os meus desejos
Criança não tem querer
Gasto muito agora
Economizo para o futuro
Aventura
Segurança
Eu me trato da melhor maneira
Trato as visitas melhor que a mim
Faço o que quero
Obedeço
Dormir até tarde
Acordar cedo (Deus ajuda quem cedo madruga)
Ir ao parque de diversões
Ir ao culto
Reter matéria
Dar (vender tudo para doar aos pobres)
Possuir para gastar
Dar tudo aos necessitados

E agora? Qual é o seu caminho?
Tudo tão contraditório, não é?
O que é o bem o que é o mal?
Luz? Sombra? Certo? Errado?

Não existem respostas para essas questões, tudo é relativo, graças a Deus! Senão, qual o sentido de viver? O que é bom para você pode não ser para os outros e vice-versa.

Jung escreveu: "A triste verdade é que a vida humana consiste num complexo de opostos inseparáveis. Dia e noite, nascimento e morte, felicidade e miséria, bem e mal. Nem sequer estamos certos de que o bem superará o mal ou a alegria derrotará a dor."


Que tal encontrar um equilíbrio relativo entre aquilo que seu coração anseia e o que os outros desejam?

  • Faça uma lista de manifestações de sua sombra. Isso tudo que nega em si mesmo o inspirará a conhecer-se melhor - você é assim.
  • Enumere três atitudes que odeia que tomem com você.
Será que você também não se trata assim?

  • Um exercício muito interessante para trabalhar com a sombra é socar um travesseiro enquanto gritamos com ele.
  • Existem rituais de transformação nos quais, por exemplo, escrevemos em pequenos pedaços de papel algumas palavras e pensamentos perversos que estão pulsando na sombra e depois os queimamos. Seria algo como o sacrifício da própria sombra.
  • Outra maneira de também lidar com essa sombra é dançar, expressando na dança movimentos de empurrão ou socos, como se estivesse soltando alguma coisa dentro de si. Criatividade em todas as suas manifestações também "desreprimem" a sombra. O importante é não se reprimir. Mas também não tenha a intenção de cortar o mal pela raiz. É impossível cortar o mal, pois ele é uma parte de nós mesmos. Lembre-se de que é preciso olhar para "nosso mal", para nossa sombra e reconhecê-la.

Crianças que presenciam brigas entre os familiares ou situações limitadíssimas na vida, como fome, pobreza, analfabetismo, e a falta dos pais, expressam essas contrariedades em desenhos, o que é extremamente importante.

A sombra reprimida demasiadamente pode voltar-se contra nós, gerando vícios, autoflagelação, nervos à flor da pele, etc. Tenha coragem de se olhar para curar a própria sombra e não se sentir tão marcado pela vida, a ponto de não mais querer a felicidade. Sempre medite nisso, na coragem para olhar sua sombra, olhar seus conteúdos, nem sempre nobres.

"Quando as pessoas chamam uma coisa de bela,
Vêem outra coisa como feia.
Chamando outra coisa de boa,
Seu contrário se torna mau.
Porém, ter e não ter produzem um do outro.
Difícil e fácil se equilibram,
Longo e curto se completam,
Alto e baixo dependem um do outro,
Altura e tom formam juntos a harmonia,
Começo e fim se sucedem."
Tão Te King

No livro “ao encontro com a sombra” Ed. Cultrix - De Connie zweig e J. Abrams.
Temos uma reflexão profunda sobre os benefícios de aceitarmos ou reconhecermos (consciência) nossas sombras.

A aceitação da sombra
O objetivo de encontrar a sombra é desenvolver um relacionamento progressivo com ela e expandir o nosso senso do eu alcançando o equilíbrio entre a unilateralidade das nossas atitudes conscientes e as nossas profundezas inconscientes.


O romancista Tom Robbins diz: "O propósito de encontrar a sombra é estar no lugar certo da maneira certa." Quando mantemos um relacionamento adequado com ele, o inconsciente não é um monstro demoníaco; diz-nos Jung: "Ele só se torna perigoso quando a atenção consciente que lhe dedicamos é desesperadoramente errada."

Um relacionamento correto com a sombra nos oferece um presente valioso: leva-nos ao reencontro de nossas potencialidades enterradas. Através do trabalho com a sombra (expressão que cunhamos para nos referir ao esforço continuado no sentido de desenvolver um relacionamento criativo com a sombra), podemos:

  • chegar a uma auto-aceitação mais genuína, baseada num conhecimento mais completo de quem realmente somos;
  • desativar as emoções negativas que irrompem inesperadamente na nossa vida cotidiana;
  • nos sentir mais livres da culpa e da vergonha associadas aos nossos senti­mentos e atos negativos;
  • reconhecer as projeções que matizam as opiniões que formamos sobre os outros;
  • curar nossos relacionamentos através de um auto-exame mais honesto e de uma comunicação direta;
  • e usar a nossa imaginação criativa (através de sonhos, desenhos, escrita e rituais) para aceitar o nosso eu reprimido.

Talvez... talvez também possamos, desse modo, evitar acrescentar nossa sombra pessoal à densidade da sombra coletiva.

A analista junguiana e astróloga britânica Liz Greene mostra a natureza paradoxal da sombra enquanto receptáculo de escuridão e facho de luz. "O lado sofredor e aleijado da nossa personalidade é aquela sombra escura e imutável, mas também é o redentor que poderá transformar nossa vida e alterar nossos valores. O redentor tem condições de encontrar o tesouro oculto, conquistar a princesa e derrotar o dragão... pois ele está, de algum modo, marcado - ele é anormal. A sombra é, ao mesmo tempo, aquela coisa horrível que precisa de redenção e o sofrido salvador que pode redimi-la."

"Prefiro ser íntegro a ser bom." (C. G. Jung)
“Sombra: chama-me de irmão, para que eu não tema aquilo que busco.” (Anônimo)
“Achar que tudo é positivo pode fazer com que neguemos nossa própria sombra e os aspectos egoístas e perversos.” (Otávio Leal)

Por Otávio Leal

domingo, 22 de abril de 2012

Doença x Emoção uma visão psicossomática


“Um funcionamento inadequado da psique pode causar tremendos prejuízos ao corpo, da mesma forma que, inversamente, um sofrimento corporal pode afetar a psique; pois a psique e o corpo não estão separados, mas são animados por uma mesma vida. Assim sendo, é rara à doença corporal que não revele complicações psíquicas, mesmo quando não seja psiquicamente causada.” (Jung).
  
Quando a doença vem da emoção a somatização tem de ser tratada, pois pode enfraquecer as defesas do organismo.

Basta passar por uma situação muito difícil, estressante ou problemática que o corpo fica diferente: a cabeça dói, o resfriado aparece, a digestão se complica, a respiração fica difícil ou a pele se enche de alergias. O fato não é uma simples coincidência, mas um processo chamado pela medicina de somatização, ou seja, a transferência para o corpo do que deveria ser vivido e suportado apenas na mente. Segundo os profissionais que trabalham com a medicina psicossomática, todas as pessoas acabam provocando mudanças no corpo ao enfrentar determinadas situações emocionais, principalmente as que produzem stress e ansiedade. O que muda é a intensidade e a frequência com que isso acontece - de eventos ocasionais a transtornos repetitivos, que acabam se tornando crônicos.

Desse modo, cada vez que uma pessoa não consegue suportar no plano psíquico uma situação, ela acaba produzindo ou agravando sintomas e doenças que se manifestam no corpo. Palpitações, gastrite e dores de cabeça estão entre os sintomas mais comuns, mas a somatização pode deixar o organismo com menos defesas para doenças sérias, como câncer, além de prejudicar a recuperação de uma cirurgia, por exemplo.

"O stress e a ansiedade são os principais fatores que acabam por influenciar no aparecimento, na manutenção ou repetição de uma doença física, porque eles alteram o funcionamento de vários sistemas do nosso organismo", explica o psiquiatra Carlos Andrade, diretor-científico do Comitê de Medicina Psicossomática da Associação Paulista de Medicina.

No entanto, é possível controlar e até mesmo evitar que isso aconteça. Mas a receita, que não é fácil e muito menos rápida, inclui o autoconhecimento, a descoberta de válvulas de escape e uma mudança na maneira de encarar os problemas e reagir a eles, de preferência com acompanhamento de um psicoterapeuta.

SINAIS CEREBRAIS

Apesar de mudar de pessoa para pessoa, a somatização é explicada cientificamente. Raiva, paixão, tristeza, medo e uma série de emoções causam alterações no organismo, liberando ou inibindo a produção de substâncias, como adrenalina, cortisol e serotonina.

Quando a pessoa fica durante muito tempo,  submetida a uma situação diferente, ela desencadeia mudanças no sistema nervoso autônomo, responsável pelos batimentos cardíacos, pela temperatura corporal, pela digestão, pela respiração e pela sexualidade. Além disso, provoca mudanças no sistema endocrinológico, que produz uma série de hormônios, e no sistema imunológico, responsável pela defesa do organismo.

Desse modo, a bagunça no corpo começa e os sintomas aparecerem - o local escolhido depende da herança genética e racial de cada pessoa. "O indivíduo tende a somatizar nas áreas do corpo que já estão mais fragilizadas ou já tiveram um problema no passado. Depende das reações e da composição física de cada pessoa", afirma Andrade.

Mesmo assim, os médicos afirmam que existe um perfil geral do somatizador: pessoas extremamente ligadas ao mundo real, que dão pouco espaço para elaborações psíquicas e em cuja vida não há muito espaço para fantasias e imaginação. Sendo assim, acabam tendo pouco contato e tempo para suas questões psicológicas.

"Como não conseguem eliminar as tensões de uma forma natural, aparecem essas válvulas artificiais e as pessoas desenvolvem doenças físicas que têm certamente origem emocional. A gastrite, por exemplo, pode ser uma patologia do aparelho digestivo que se desenvolve à medida que aumentam o stress e o desgaste do paciente", diz o psiquiatra Leonard Verea, especialista em psicossomática.

Em algumas pessoas, o problema se acentua e aparece de uma outra maneira. Ou seja, a pessoa sente sintomas de várias doenças, é examinada pelos médicos, faz exames, mas não encontra nada no corpo que explique o que sente. Nesse caso, não há doença física com o problema emocional. É o transtorno de somatização, estudado pela psiquiatria.

"O paciente sente sintomas no corpo sem que haja uma causa física que explique aquilo. E ele sofre porque não encontra uma causa. Geralmente, são pessoas que recusam fazer um acompanhamento psicológico", explica o psiquiatra José Atílio Bombana, do Programa de Atendimento e Estudos de Somatização da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

TRATAMENTO

Há cerca de dois anos, ao passar por problemas familiares, a estudante de administração hoteleira Júlia Moraes Ramos, de 22 anos, começou a sentir dores do estômago e a vomitar constantemente. Foi ao médico e teve o diagnóstico: gastrite. "Ele me receitou remédios e um calmante natural, para eu tomar quando ficasse muito nervosa. Era muito rápido. Eu ficava nervosa, preocupada e uma hora depois começa a doer meu estômago, apareciam aftas na minha boca, eu chorava", conta.

Logo depois, e seguindo a recomendação do médico, Júlia procurou uma terapeuta. "Ela falou para mim que quando tenho um problema que não consigo digerir acabo atacando o meu estômago. Depois da terapia melhorei bastante, aprendi a não ficar fazendo mal para mim, tento me entender e me controlar", diz.

A estudante seguiu o caminho mais recomendado pelos médicos. Segundo eles, apenas tomar remédios para aliviar os sintomas ou curar a doença não são suficientes. Sem mexer na origem do problema, a somatização continuará. "A pessoa precisa ter a humildade de se olhar no espelho e dizer: eu preciso mudar. E ter a coragem para mudar. Senão ficará se repetindo para sempre", observa o psiquiatra Verea.

"A mudança acontece quando consigo conhecer minha capacidade, incapacidade, bondade e maldade. Aí a pessoa pode discernir o que sente, o que é dela e o que está absorvendo do ambiente em que está", diz a psicóloga Maria Rosa Spinelli, da Associação Brasileira de Medicina Psicossomática.

Cuide de seus sentimentos, reflita, compreenda e releve tudo aquilo que não te trouxer satisfação e prazer.


Doença, Perdão, Cura, até onde estão relacionadas!?

A psicóloga e escritora americana Louise l. Hay afirma que todas as doenças que temos são criadas por nós mesmos e, que somos 100% responsáveis por tudo de ruim que acontece no nosso organismo. Todas as doenças têm origem num estado de "não perdão". Quando estamos doentes, necessitamos descobrir a quem precisamos perdoar. Quando estamos empacados num certo ponto, significa que precisamos perdoar mais. Pesar, tristeza, raiva e vingança são sentimentos que vieram de um espaço onde não houve perdão. Perdoar dissolve o ressentimento. A escritora em seu livro ”Você Pode Curar Sua Vida”, descreve as "doenças" que criamos em nosso corpo através das reações e dos reflexos dos nossos pensamentos, sentimentos e crenças interiores. A seguir ela elaborou a relação de algumas doenças e suas prováveis causas. Reflita, vale a pena tentar evitá-las!


Veja se identifica algum sintoma em você...

I - SISTEMA CIRCULATÓRIO
Coração - entusiasmo e motivação pessoal.
Problemas cardíacos em geral - desânimo e desmotivação.
Angina - firmeza aparente, que esconde amarguras e sofrimentos. Dos falsos valores, perda da motivação e entusiasmo pela vida.
Infarto - desmoronamento
Taquicardia - entusiasmo reprimido.

PRESSÃO ARTERIAL - fuga dos conflitos que envolvem a afetividade.
Pressão Alta - fuga através da preocupação ou dedicação excessiva aos afazeres.
Pressão Baixa - fuga pelo esquecimento, desejo de abandonar tudo.
Sangue - expressão da individualidade, fiel representante da alma, que da vida ao corpo.
Anemia - falta de ânimo e vitalidade.
Coagulação sanguínea - incapacidade de se refazer mediante as perdas.
Hemorragia - desrespeito ao ritmo interno, ultrapassando os próprios limites e perdendo-se no que faz.
Leucemia - ressentimento por não conseguir manter a integridade na vida.

Tipos Sanguíneos:
A - pessoas conservadoras, detalhistas, harmoniosas, prestativas, sem pretensões de liderança.
AB - pessoas colaboradoras, cumpridoras de compromissos, prestativas.
B - pessoas com autoconhecimento, que sabem o que querem, mas com dificuldades para lidar com os outros.
O - pessoas comunicativas, com capacidade de liderança, convincentes, determinadas, expressivas

Vasos Sanguíneos - senso de direção e limites.
Aneurisma - negação da própria fragilidade e limitações, abraçando causas externas. Alta responsabilidade para se manter no poder e controle da situação.
Arteriosclerose - resistência ao novo.
Flebite - intransigência e irritação diante de obstáculos.
Trombose - pessimismo e limitação na vida.
Varizes - estagnação numa situação desagradável, frustração por não realizar ideias e objetivos. Fazer de tudo, menos o necessário.

II - SISTEMA DIGESTIVO
Afta – auto punição por sentir-se despreparado e negar a própria capacidade.
Dentes- decisão, vitalidade e força agressiva.
Canal - índole, senso moral e familiar.
Cáries - indecisão, perda da solidez interior.
Diabetes - depressão, falta de docilidade, pessimismo.
Hipoglicemia - ansiedade, resgate do tempo perdido.
Digestão - elaboração e aceitação dos acontecimentos.
Esôfago - realismo.
Esofagite - constante irritação.
Hérnia de hiato - sentimento de culpa.
Estômago - processador das emoções básicas.
Estomatite - sentimento de invasão e incapacidade de sustentar o próprio ponto de vista.
Faringe - aceitação dos fatos triviais.
Faringite - irritação por não saber lidar com episódios desagradáveis.
Fígado - órgão da mudança, força agressiva.
Cirrose - autodestruição.
Hepatite - resistência ao novo, gerando bloqueios.
Glândulas Salivares - sentimento de segurança.
Caxumba - sentimento de impotência.
Síndrome de Sjogren (SS) - revolta e indisposição em absorver os episódios da vida.
Hemorroídas - apego às mágoas do passado.
Intestino Delgado - absorção e aproveitamento das experiências de vida. Capacidade de entendimento.
Diarréia - súbito desapego, sem elaborar a experiência.
Intestino Grosso - expressão dos mais profundos sentimentos. Doação e generosidade.
Intestino preso - recusa na exteriorização dos sentimentos.
Prisão de ventre – meticulosidade, atrapalhar-se com detalhes, contenção da espontaneidade.
Língua - prazer e articulação da expressão.
Mau Hálito - desejo inconsciente de distanciar as pessoas.
Maxilar - dosagem da força agressiva.
Gengiva - firmeza nas decisões.
Gengivite - frustração por não conseguir sustentar decisões.
Náusea e Vômito - resistência e recusa a situações.
Pâncreas - abrir-se para a vida e as pessoas, extraindo o melhor da situação. Alegria e descontração em viver.
Depressão no Pâncreas - quadro psicológico que acompanha as principais doenças pancreáticas.
Pancreatite - amargura, frustração e raiva.
Suco Gástrico - resposta mental às situações da vida.
Gastrite - atividade mental proporcionalmente
maior que os fatos.
Úlcera - não se permite falhar nem compartilha os problemas. Agressividade sufocada.
Vesícula Biliar - sentir-se em condições de enfrentar os grandes obstáculos da vida.

III - SISTEMA REPRODUTOR Feminino

Baixa ou falta de desejo (Frigidez) - bloqueios que impedem a entrega no ato sexual.
Mamas - feminilidade e afetividade, capacidade de entrega e doação.
Amamentação - capacidade de doação.
Coceira - insatisfação com a dedicação ou a forma como é tratada pelos outros.
Flacidez - falta de sustentação interior, perda da autoconfiança.
Mastite - conflitos durante a dedicação.
Nódulos - bloqueios afetivos.
Menstruação - renovação, desprendimento e aceitação da feminilidade.
Amenorreia - regressão na maturidade feminina, apego a situações ou pessoas que foram marcantes.
Menopausa - maturidade emocional.
Outros problemas - rejeição da própria feminilidade, dificuldade em lidar com mudanças.
Ovários - criatividade feminina
Cistos - criatividade sufocada, culpa pelas ideias que deram errado.
Ovário policístico - confusão mental, dificuldade em expor ideias.
Tubas Uterinas - elaboração das ideias, forma como se expressa a criatividade.
Infertilidade/esterilidade - sentir-se incapaz de sustentar uma situação (igual para os homens)
Laqueadura - influência negativa na elaboração das ideias.
Útero - natureza feminina, originalidade e espontaneidade.
Miomas e Fibromas - deixar-se moldar pelo externo, não preservar sua natureza íntima.
Vagina - prazer na vida e no sexo.
Coceira - expectativas frustradas em relação ao prazer ou ao parceiro.
Corrimento - profundos ferimentos afetivos ou sexuais.
Ressecamento - despreparo para o prazer.
Vaginismo - falta de soltura e entrega ao prazer.

III.2 - SISTEMA REPRODUTOR Masculino
Pênis - prazer masculino, capacidade de concretizar os objetivos da vida.
Disfunção erétil - autodepreciação, inferioridade e fracasso na vida.
Próstata - caráter masculino.
Testículos - criatividade masculina.

IV - SISTEMA RESPIRATÓRIO
Brônquios - relação entre os mundos interno e externo, interação harmoniosa com o ambiente.
Asma brônquica - sentimento de inferioridade disfarçado pelo desejo de poder e controle do ambiente.
Bronquite - dificuldade de relacionar-se com o ambiente. Incapacidade de expressar sentimento de agressão. Necessidade de chamar atenção, isolar-se ou fazer chantagem.
Fossas Nasais - primeiro contato entre o externo e o interno, habilidade para lidar com os palpites e sugestões dos outros.
Gripe ou resfriado - confusão interior, despreparo para lidar com mudanças, falta de confiança no novo.
Rinite - abalar-se pelas confusões do ambiente, não se permitir errar, adotar comportamento exemplar.
Sinusite - profunda irritação com alguém bem próximo, decepção provocada pelas expectativas.

IV.3. - FENÔMENOS RESPIRATÓRIOS
Bocejo - mobilização orgânica para refazer-se do desgaste físico ou da perda energética, desprendimento da negatividade agregada.
Espirro - impulso de defesa contra ideias ou energias negativas.
Ronco - teimosia, rigidez de ideias.
Soluço - ansiedade e medo do desfecho de uma situação.
Tosse - regressão dos impulsos agressivos e desejo de atacar.
Laringe - seleção e discernimento entre ideias e fatos.
Calos nas Cordas Vocais - revolta e aspereza na forma de falar.
Disfunções da Fala - contenção dos impulsos.
Engasgo - ser surpreendido por coisas que vêm atravessadas.
Gagueira - incapacidade de falar por si, tolher-se na expressão.
Laringite - irritação por não conseguir manter sua força de expressão, frustração por não falar o que pensa.
Voz - via de expressão do ser.
Pulmões - órgãos de contato e relacionamento com a vida e o ambiente.
Edema - apego emocional seguido de desmotivação e perda da vontade de viver.
Enfisema - medo e negação da vida, dificuldade em encarar os obstáculos.
Pneumonia - cansaço da vida, irritação por se doar muito aos outros sem retorno.
Tuberculose - crueldade e desejo de vingança sufocado.

V - SISTEMA URINÁRIO
Bexiga - necessidade de aliviar tensões emocionais e psicológicas.
Cistite - irritação com o parceiro ou com as intrigas no lar, traumas sexuais ou culpa pelas atitudes incorretas de alguém querido.
Enurese noturna - emoções reprimidas, tensões e medos liberados durante o sono.
Incontinência Urinária - medo de perder o controle emocional em situações afetivas.
Uretrite - sentir-se irritado e chateado com as situações ao redor.

Outros Problemas na Bexiga - apego a situações do passado, frustração e “vitimismo”.
Rins - correspondem ao âmbito da parceria: capacidade de amar e de se relacionar.
Cálculos renais - apego às complicações afetivas. Cultivar mágoas e cultivar excessivamente os entes queridos.
Cólica renal - apego a quem ama, não admitir nenhum tipo de ruptura no relacionamento.
Outros Problemas Renais - dificuldades nos relacionamentos.

“Pense primeiro antes de ir e se for para sofrer, não vá, só vá se te der prazer!”


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