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sábado, 25 de outubro de 2014

Mentes Perigosas - Psicopata, Personalidade Antissocial, Sociopata

Mentes Perigosas: o Psicopata mora ao lado - os Predadores Sociais
Embora a psicopatia (também chamada de sociopatia ou transtorno de personalidade antissocial) seja popularmente associada a pessoas violentas, com aparência insana - ou seja, facilmente identificáveis -, tal associação é comumente errônea, porque diferente do que as pessoas acreditam; psicopatas, em sua maioria, não são assassinos.

Mesmo que não demonstrem socialmente, a característica principal da psicopatia é um forte traço narcisista enraizado na personalidade. São indivíduos megalomaníacos , imprevisíveis, sem escrúpulos, excessivamente egoístas e egocêntricos.



Já teve um amigo(a) que pagou-lhe uma ajuda que você lhe deu com uma traição? Pessoas em quem confiava já lhe 'passaram a perna'? Já se surpreendeu com a maldade de pessoas que você acreditava serem tão 'boazinhas'? Não se surpreenda então. Você pode ter presenciado a ação de um psicopata. A maioria deles não chega a ser um assassino, mas podem causar grandes danos à sua vida!
Em primeiro lugar, saiba que de 100 pessoas que você tenha tido contato hoje, de 3 a 6 delas provavelmente apresentam traços de psicopatia, em maior ou menor grau. Talvez não a ponto de colocar sua vida em risco, mas certamente com potencial suficiente para lhe prejudicar e lhe causar grandes dores de cabeça.

São os denominados "Predadores Sociais": não sentem pena, dó, ou qualquer outro sentimento por suas 'vítimas'. Mas o pior de tudo não é isto: é o fato de que em geral possuem alto grau de inteligência social, conseguem disfarçar suas verdadeiras intenções e falta de valores morais e éticos, aproveitando-se da ajuda, do bom senso, da boa vontade da grande maioria das pessoas 'saudáveis' para atingir seus próprios interesses, e muitas vezes, para deleite próprio, para machucar, prejudicar, injustiçar qualquer pessoa que achem que mereça.

Vamos descrever as principais características de um psicopata:

Não possuem sentimento de culpa, remorso ou desapontamento. Não possuem qualquer sentimento de empatia! São excelentes atores, conseguem mentir descaradamente e quando descobertos, simplesmente mudam de assunto, sem sequer ficarem vermelhos de vergonha (pois não tem sentimentos)


São inquietos: não conseguem seguir com a rotina natural da vida, do trabalho, da faculdade, etc. Por isto uma análise detida de suas vidas em geral apresenta constantes mudanças e instabilidade. Não ficam muito tempo em um emprego ou cargo. Se ficam na mesma empresa, fazem de tudo para passar por cima de quem quer que seja para conquistar outros cargos mais altos. E quando conseguem, passam por cima de quem lhes ajudou. Afinal, são psicopatas!

Impulsividade: psicopata é aquela pessoa que para chegar em seu destino quer tirar todas as pedras do caminho sem pensar nas consequências. É claro que alguns tem maior e outros, menor grau de psicopatia. Mas em todos, se você analisar determinadas ações que eles tomam para atingir seus objetivos pessoais (ou melhor, desejos pessoais), verá que por diversas vezes há extrema desproporção entre os meios utilizados e os fins desejados.

Os fins sempre justificam seus meios! Para conseguirem o que querem, são capazes de qualquer coisa. Não se surpreenda. Até mesmo pedir desculpas, chorar, fingir que se importam. Farão de tudo para reconquistar uma confiança perdida, para novamente voltar a lhe machucar e, da próxima vez, com mais maldade ainda.

Não possuem tratamento. Sim, infelizmente a psicopatia não possui um tratamento: os psicopatas são capazes de mentir e fingir até mesmo para terapeutas, aconselhadores e 'melhores amigos', que na realidade não existem, é apenas por interesse. Não acredite que um bom conselho irá mudar sua atitude, POIS NÃO VAI! Provavelmente você se tornará outra vítima dele(a).

Ele(a) sabe onde dói! O psicopata busca as fragilidades das pessoas, e as conhecem como ninguém. Isto se dá por falta da empatia, ou seja, eles não sentem emocionalmente o que a maioria das pessoas normais sentem. Então passaram a vida toda analisando friamente o comportamento (e o farão sempre), para perceber onde pode se aproveitar de você. E quando ele(a) descobrir, você estará FRITO! Cairá como um(a) patinho(a), e será tarde demais.

São inteligentes, mas do lado do mal. falo mal porque considero 'bem' o 'bem comum', de todas as pessoas. E eles querem apenas o prazer próprio, e nada mais. Sua inteligência serve apenas para se beneficiarem. Se tiverem que prejudicar alguém, o farão!

Tentam se fazer de vítimas, e tornar suas vítimas culpadas por suas atitudes! sempre procuram inverter os papéis, e para tanto, tem um poder de articulação, de fala, de gesticulação, de expressão que em geral convence as pessoas. São capazes de bater e maltratar alguém apenas por prazer, e ainda tentar convencer que ela foi a culpada por apanhar.

Parece mentira? Pois não é. Preste maior atenção à sua volta, e encontrará, mesmo que sutilmente, este tipo de comportamento.

São sutis. Não imagine os psicopatas como loucos, raivosos, brutais... talvez alguns, mas a maioria não. São pessoas aparentemente educadas, bem vestidas, com ótima articulação das palavras... e exatamente por isto são predadores sociais: eles convencem! eles precisam convencer você para disfarçar as verdadeiras intenções. Precisam
aparecer bem na foto! e é o que a maioria deles faz. Posso até afirmar que algumas profissões (como o livro também afirma) atraem muito estes indivíduos, pelo poder de convencimento e status social que proporcionam. Mas não apenas isto: cargos elevados em empresas e cargos políticos também atraem estes indivíduos, tanto quanto determinados lugares, como casas noturnas, aeroportos, pontos turísticos, lugares onde podem aproveitar da fragilidade, vulnerabilidade (emocional, física, financeira, hierárquica) de suas vítimas, e imporem sua vontade.


Autocontrole deficiente. São os 'cabeça-quente', pavio-curto, gostam de se vingar, e principalmente de comer este prato frio, bem frio!

Não aceitam frustrações, não aceitam um ‘não’, não aceitam críticas, mesmo que construtivas. Respondem a elas com violência súbita, ameaças, desaforos. E após as explosões de agressividade (seja física ou, em geral, verbal), voltam ao normal como se nada tivesse ocorrido. 

Um psicopata de verdade nunca perde o real controle, apenas parecem perder. No fundo de seus olhos você verá que a raiva expressada, assim como o choro, não passa de mera simulação para atacar e conseguir o que quer. Se ele percebe que a melhor forma de atacar é fingir fragilidade, ele(a) irá chorar, se fazer de vítima. Se perceber que deve se impor, irá intimidar. Mas sempre saberá o que está fazendo, não esqueça, ele(a) tem total consciência do que está fazendo.
Falta de responsabilidade: não se preocupam com regras, obrigações, nem nada que não seja a si próprio(a). As pessoas são coisas para ele(a). Se para conquistar um cargo precise demonstrar responsabilidade, o fará até quando precisar, para impressionar e ganhar confiança. Mas na primeira oportunidade irá aprontar, e FEIO!

Problemas comportamentais precoces: possuem uma infância e adolescência problemática, em geral sem causas aparentes. É a criança problema, com pais que nunca souberam onde erraram.

Você irá me perguntar: o que causa a psicopatia?

Até hoje a ciência não descobriu exatamente, se são os fatores ambientais ou o aprendizado comportamental. Trabalha-se hoje com a hipótese que é a junção dos dois: que os indivíduos nascem com a predisposição de terem a psicopatia, e invariavelmente apresentarão traços deste tipo de comportamento. Mas só exercerão em maior ou menor grau tal falha dependendo da passividade de seus pais ou quem os criou frente aos erros de caráter que apresentar durante a formação de sua personalidade.

Cientistas já perceberam que lesões em determinadas regiões do cérebro são capazes de alterar o comportamento tal qual a psicopatia, mas estas pesquisas não permitem conclusões definitivas. Análises comportamentais comprovam que potenciais psicopatas tem reduzido sua 'agressividade social' quando o nível de tolerância ao seu comportamento aumenta. É como se o psicopata, ao longo da vida, fosse 'testando' a sociedade, a começar por seus pais ou quem o criou. E a cada passo mais além das regras que ele dá, mais se sente confiante para avançar ainda mais sobre o direito e espaço dos outros. Mas punições não fazem-no sentir culpa e mudar o comportamento, como já dissemos: simplesmente ele estaciona onde parou. 

Portanto, o melhor remédio para evitarmos 'criarmos' estes "monstros sociais" é uma intensa vigilância, tolerância zero à menor das infrações, desde a menor infância, quando percebermos algumas destas atitudes:




  • Mentiras frequentes (ás vezes o tempo todo)
  • Crueldade com animais, coleguinhas, irmãos, etc.
  • Condutas desafiadoras às figuras de autoridade (pais, professores, etc.)
  • Impulsividade e irresponsabilidade
  • Baixíssima tolerância à frustração (crianças extremamente birrentas e furiosas quando contrariadas)
  • Tendência a culpar os outros por erros cometidos por si mesma
  • Preocupação excessiva com seus próprios interesses (falta de empatia com os coleguinhas, ou com os familiares, irmãos, etc.)
  • Insensibilidade ou frieza emocional
  • Falta de sentimento de culpa, constrangimento ou vergonha quando pego mentindo ou em flagrante;
  • Dificuldades em manter amizades
  • Desobediência em ficar em casa ou voltar na hora determinada, quando ordenado pelos pais ou pessoas mais velhas
  • Faltas sem justificativas na escola (ou no trabalho, quando mais velhos)
  • Vandalismo, destruição de bens públicos ou alheios
  • Fraude de documentos, roubos
  • Sexualidade exacerbada, até mesmo induzindo, forçando ou coagindo outras crianças
  • Precocidade no mundo das drogas e álcool

O que os pais podem fazer:


  • Procure conhecer bem seu filho(a). Mantenha contato com pessoas que estão nos ambientes onde ele está (pois em geral os pais não sabem como os filhos se comportam longe de seus olhos), para identificar os comportamentos acima descritos.
  • Busque ajuda profissional (psicólogo, psiquiatra).
  • Nunca permita que seu filho(a) controle a situação
  • Estabeleça objetivos mínimos para obter resultados positivos. 
  • Regras e limites, esta é a chave primordial para um mínimo (MÍNIMO MESMO!) De controle desde cedo, deste tipo de desvio comportamental. 
  • Uma criança com perfil psicopático apresenta talento extraordinário para distorcer as regras estabelecidas e virar o jogo a seu favor. Não ceda!

Como se proteger de um psicopata adulto?
 


  • Sempre desconfie de todas as pessoas, em especial quando sua intuição lhe prevenir. 
  • Não menospreze o poder destrutivo de um psicopata.
  • As aparências enganam: não se guie pela aparência, pela educação inicial, pelo traquejo verbal... 
  • Psicopatas são excelentes atores. 
Em especial, fuja do 'Olhar do Psicopata': eles têm um poder tremendo de se impor pelo olhar

Quando desconfiar que está na presença de um, não o desafie, não participe de seu 'circo'... Ignore quando puder, e fuja de seu olhar. Não seja platéia para seu teatro, pois ele te puxará para o palco para ser sua próxima vítima.

Desconfie dos 'puxa-sacos': todo bajulador é um psicopata em potencial. Tentam impressionar suas vítimas com elogios, cuidados especiais, gentilezas excessivas e histórias falsas somente para parecerem ser a pessoa perfeita, ganhar confiança e conseguirem o que quer. Em geral querem colher informações suas, para usá-las contra você. Portanto, não aceite bajulações, e nunca, nunca mesmo, se exponha para este tipo de pessoa. Sua vida particular deve ser guardada a sete chaves, é sua intimidade e não é do interesse deste tipo de 'doente'. Você estará se preservando de grandes problemas se agir assim.

Conheça seus pontos fracos, pois se não estiver consciente deles, o psicopata saberá aproveitá-los. Se você sabe onde ficam suas feridas, poderá proteger-se melhor destes doentes mentais. Autoconhecimento nem sempre é fácil de atingir sozinho, por isto, se puder, procure um psicólogo ou terapeuta para auxiliá-lo nesta tarefa. Todos nós precisamos nos conhecer melhor, independente de termos um maior ou menor desvio comportamental ou psicológico.

Não entre nunca no jogo de intrigas: psicopatas adoram criar intrigas, em especial em ambientes de trabalho. Não caia no "fulano disse isto de você"... E outras coisas do gênero. Todos conhecemos histórias de pessoas capazes do velho “tapinha no ombro e facada nas costas...". Você só não tinha parado para pensar que elas poderiam ser psicopatas, não é? Pois vendo por este ângulo, talvez você tenha mais cuidado ainda ao ter qualquer contato (pessoal ou profissional) com este tipo de doente mental.

Não entre no jogo da pena e da culpa: psicopatas sempre tentarão inverter a própria culpa e jogá-la em você ou outra pessoa, dizendo que agiram como agiram pois não tinham escolha. Eu mesmo estou cansado de ouvir esta frase: eu não tive escolha... Pois sempre temos escolha. SEMPRE!!! Não esqueça disto. 

Mas não adianta discutir com um psicopata. NÃO DISCUTA com ele. Não adianta. O que você não deve fazer é entrar no seu jogo: não tire da cabeça que ele(a) sabia e sempre soube o que estava fazendo. Não se convença com lágrimas de crocodilo, ou raivas súbitas. Eles estão bem conscientes e frios do que estão fazendo.

Não tente mudar o que não pode ser mudado: psicopatia é uma doença que não tem cura. Não descobrimos ainda como alterar este desvio comportamental. e o pior: nossa sociedade não criminaliza os psicopatas (à menos que eles matem alguém ou cometam um crime ou contravenção). Então, não se assuste, mas você invariavelmente verá psicopatas nas ruas, no trabalho, no ônibus, no metrô... 

Não temos regras ainda para tratar ou separar estas pessoas do convívio social. E elas se aproveitam e continuarão se aproveitando disto, fazendo as pessoas comuns e boas de idiotas e vítimas. Não acredite que você poderá mudá-las. Não há esta chance. Você só estará se expondo como nova vítima destes doentes. A melhor forma de se proteger é seguir o próximo conselho:



Evite-as a qualquer preço! Se você identifica alguma pessoa com os traços acima, mantenha-as longe de você e de sua família. Eles vivem fora das regras sociais e são ótimos atores, sabem encenar e jogar culpa nos outros. Se não se mantiver longe, o risco de sobrar nas suas costas será imenso! Poderá prejudicar toda uma vida de trabalho duro e suor por conta da ganância, falta de moral e ética de um doente mental psicopata. E infelizmente temos muitos hoje, soltos por aí.


Nunca, nunca mesmo, seja cúmplice de um psicopata: o melhor remédio para isto é agir dentro da lei e das regras. Não aceite os bordões: "não conte isto a ninguém", "você me deve uma", "em nome dos velhos tempos", "limpe minha barra que amanhã eu limpo a sua", "uma mão lava a outra"... Quando não são palavras ditas por criminosos convictos, são ditas por psicopatas. Não é apenas uma questão de falta de moral e criminalidade, é uma doença!!! 

Siga as regras, siga as leis, e não aceite qualquer desvio delas! Não é apenas moralismo barato. É preservar a si próprio, da má intenção de pessoas que não se importarão em ver sua vida ser destruída, enquanto se deliciam assistindo o seu declínio... 
Por Adilson Cabral

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Sedutor Fatal - Mania de Don Juan


Compulsão à sedução; Síndrome de Don Juan

O donjuanismo é um protótipo particular de comportamento humano, classificação esta estribada particularmente em valores culturais e morais.
Fica mais difícil entender os novos tempos, quando consideramos que as expressões ficar com... e sair com... significam a mesma coisa, apesar dos termos ficar e sair serem antagônicos. Donjuanismo é uma expressão em desuso que veio à tona há algum tempo, depois do filme Don Juan de Marco, com Marlon Brando e Johnny Depp. O filme Don Juan de Marco foi escrito e dirigido por Jeremy Leven.

Don Juan é um personagem literário tido como símbolo da libertinagem. O primeiro romance com referência ao personagem foi a obra El Burlador de Sevilla, de 1630, do dramaturgo espanhol Tirso de Molina. Posteriormente Don Jun aparece em José Zorrilla com a estória de Don Juan Tenorio. A figura de Don Juan foi também cultuada na música, em obras de Strauss e Mozart, este último com a ópera Don Giovanni, composta em 1787. Outro paradigma do eterno sedutor é a figura de Casanova, conhecida pela autobiografia do veneziano Giovanni Jacopo Casanova.

Mas a figura do eterno sedutor continua atrelada à Don Juan, que aparece ainda na obra de Molière, em Le Festin de Pierre, no poema satírico de Byron chamado simplesmente Don Juan, no drama de Bernard Shaw, chamado Man and Superman.

Segundo Jung, para quem qualquer forma de arte, assim como os mitos, são veículos para a expressão do inconsciente coletivo, Don Juan pode representar nossos arquétipos. Trata-se de um padrão de personalidade caracterizado por uma pessoa narcisista, enamorada, inescrupulosa, amada e odiada e que faz tudo valer para a conquista de uma pessoa.

O donjuanismo representa um protótipo particular de comportamento humano, classificada particularmente pelos valores culturais e morais. Não existe essa denominação no CID.10 ou DSM.IV, mas isso não significa, absolutamente, que por isso pessoas assim deixam de existir.

Independente das interpretações psicanalíticas sobre o filme Dom Juan de Marco, interessa aqui apenas caracterizar um tipo de conduta atual; a inclinação que as pessoas têm para liberdade sexual explícita. A característica principal do que se pode chamar hoje de donjuanismo, seria uma forte compulsão para sedução, entretanto essa característica não é isolada nem única na personalidade da pessoa, também não é exclusiva do sexo masculino.

Descreve-se o donjuanismo como uma personalidade que necessita seduzir o tempo todo, que aparentemente se enamora da pessoa difícil mas, uma vez conquistada, a abandona por desinteresse. As pessoas com esse traço não conseguem ficar apegado a uma pessoa determinada, partindo logo em busca de novas conquistasElas são os anarquistas do amor (Sapetti), tornando válidos quaisquer meios para conquistar, não obstante, os sentimentos da outra pessoa não são levados em consideração. Aliás, Foucault enfatiza essa questão ao dizer que Don Juan arrebenta com as duas grandes regras da civilização ocidental, a lei da aliança e a lei do desejo fiel.

Em psiquiatria clínica, entretanto, o desprezo para com o sentimento alheio pode ser critério para caracterizar uma atitude sociopática ou anti-social. Para o donjuan só interessa o hedonismo, o instante do prazer e o triunfo sobre sua conquista, principalmente quando a pessoa de seu interesse tem uma situação civil proibida (casada, freira, irmã ou filha de amigo, etc ou os correspondentes masculinos). Sobre essa característica o escritor Carlos Fuentes, alega ao seu Don Juan a frase: "Porque nenhuma mulher me interessa se não tiver um amante, marido, confessor ou Deus, ao qual pertença ...".

Normalmente essas pessoas ignoram a decência e a virtude moral, mas seu papel social tenta mostrar o contrário; são eminentemente sedutores. O aspecto de desafio mobiliza o donjuan, fazendo com que a conquista amorosa tenha ares de esporte e competição, muitas vezes convidando amigos para apostas sobre sua competência em conquistar essa ou aquela mulher. Não é raro que esses conquistadores tragam listas e relações das mulheres conquistadas, tal como um troféu de caça.

Por outro lado, segundo Kaplan, deve haver significativos sentimentos homossexuais latentes nesses indivíduos. Esse autor considera que, levando para a cama a mulher de outro, o donjuan estaria inconscientemente se relacionando com o marido, motivo maior de seu prazer. Tanto que é maior o prazer quanto mais expressivo é o marido ou namorado traído. O narcisismo (traço feminóide) dessas pessoas é uma das características mais marcantes, a ponto delas amarem muito mais a si mesmas que a qualquer outra pessoa conquistada. Outros autores acham o donjuanismo um excesso do complexo de Édipo, ou fixação na mãe, já que muitos deles não constituem família com nenhuma de suas conquistas e acabam vivendo para sempre com suas mães.

Nos casos mais sérios a inclinação à sedução pode adquirir caráter de verdadeira compulsão, tal como acontece no jogo patológico. De certa forma, apesar dessa conquista compulsiva servir-lhe para melhorar sua sensação de segurança e auto-estima, uma vez possuído o que desejava, já não o deseja mais. Em alguns casos o donjuan começa a se desestimular com a conquista quando percebe que a pessoa conquistada já está apaixonada por ele. Pode até nem haver necessidade do ato sexual a partir do momento em que ele percebe que a pessoa aceita e deseja o sexo com ele. Por outro lado, se a pessoa a ser conquistada é indiferente ou não cede à sedução, o donjuan se torna mais obstinado ainda.

Não será totalmente lícito dizer, como dizem alguns, que o donjuan se diverte com o sofrimento alheio. Na realidade parece mais que seja insensível ao sentimento alheio do que tenha prazer com ele. De fato, parece que eles não experimentam com o amor o mesmo tipo de sentimento que as demais pessoas. O amor neles é um sentimento fugaz, passageiro e que, continuadamente, tem o objeto-alvo renovado. Se algum déficit pode ser apurado na personalidade do donjuan, este se dá no controle da vontade.

Apesar dessa compulsão à sedução, isso não significa que a pessoa portadora de donjuanismo seja, obrigatoriamente, mais viril ou mais ativo sexualmente. Esse quadro não deve ser confundido com a Atividade Sexual Compulsiva onde, aí sim há hipersexualidade.

Portanto, a contínua sedução do donjuan nem sempre se dá às custas de um desempenho sexual excepcional, mas sim, devido à habilidade em oferecer às pessoas a serem seduzidas, tudo aquilo que elas mais estão querendo. Nesse sentido, todos eles são sempre muito inconstantes, desempenham papeis sociais sempre teatrais e exclusivamente dirigidos à satisfação de suas conquistas, por isso fazem sempre o tipo "príncipe encantado", tão cultuado pelo público feminino. As pessoas sedutoras têm habilidade em perceber rapidamente os gostos e franquezas de suas vítimas e são igualmente rápidos em atender as mais diversas expectativas.

Há quem considere como uma das características fundamentais da personalidade do donjuan uma acentuada imaturidade afetiva. O aspecto volúvel e responsável pela constante troca de relacionamento pode ser indício dessa imaturidade afetiva e indica, sobretudo, uma completa carência de responsabilidade ou medo de assumir os compromissos normais das pessoas maduras (casamento, família, filhos, etc.).


Grito de Alerta
Gonzaguinha

Primeiro você me azucrina
Me entorta a cabeça
Me bota na boca
Um gosto amargo de fel...

Depois
Vem chorando desculpas
Assim meio pedindo
Querendo ganhar
Um bocado de mel...

Não vê que então eu me rasgo
Engasgo, engulo
Reflito e estendo a mão
E assim nossa vida
É um rio secando
As pedras cortando
E eu vou perguntando:
Até quando?...

São tantas coisinhas miúdas
Roendo, comendo
Arrasando aos poucos
Com o nosso ideal
São frases perdidas num mundo
De gritos e gestos
Num jogo de culpa
Que faz tanto mal...

Não quero a razão
Pois eu sei
O quanto estou errado
E o quanto já fiz destruir
Só sinto no ar o momento
Em que o copo está cheio
E que já não dá mais
Pra engolir...

Veja bem!
Nosso caso
É uma porta entreaberta
E eu busquei
A palavra mais certa
Vê se entende
O meu grito de alerta
Veja bem!
É o amor agitando o meu coração
Há um lado carente
Dizendo que sim
E essa vida dá gente
Gritando que não...

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