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quarta-feira, 15 de março de 2017

Trair sem ser descoberto

 Como algumas pessoas conseguem trair sem ser pegas? Quais técnicas elas usam?

Tema universal em qualquer tipo de relacionamento amoroso, a traição ainda é uma das principais causas de separação entre os casais. Isso, claro, quando são descobertas. Afinal, algumas pessoas conseguem ser infiéis durante anos e com vários parceiros, sem nunca serem pegas. Como elas conseguem?
  
Quem já tem o “hábito” de trair e nunca ser flagrado normalmente é paciente, articulador e sabe planejar bem os próprios passos e os do parceiro. “Infiéis de carteirinha”, por exemplo, escolhem cuidadosamente os horários e os locais de encontro com os amantes para nunca despertar desconfiança ou correrem o risco de serem vistos.


Além disso, geralmente pensam em cada detalhe da traição e são capazes até de terem na manga desculpas certeiras se forem confrontados. Manter um amigo como álibi para escapadas ou histórias prontas e criadas previamente faz com que eles nunca sejam pegos de surpresa.


Quem costuma ser infiel sem ser descoberto ainda é bastante cuidadoso e não “brinca em serviço”. A pessoa que trai geralmente possui senhas de celular e computador difíceis de serem decodificadas, apagam vestígios de ligações e sites frequentados.

Pessoas que pulam a cerca constantemente e nunca são pegas tampouco se envolvem com colegas de trabalho, amigos em comum ou vizinhos. Elas sabem que as chances de serem flagradas aumentam muito em tais ciclos sociais e preferem procurar parceiros em territórios neutros.

É ainda difícil de desmascarar uma pessoa infiel quando ela sempre sai de casa e chega do trabalho todos os dias no mesmo horário e não dá “perdidos” no companheiro. Atenta, ela vai agendar encontros e escapadas em períodos que não pode ser rastreada, como horários de almoço, de segunda à sexta-feira.

Por fim, quem nunca é pego em flagrante normalmente possui um parceiro que vive a mesma situação, ou seja, também comprometido. Assim, ambos sabem exatamente o que querem, não fazem cobranças ou ameaças, já que estão no mesmo barco e procuram sigilo na mesma medida.



terça-feira, 23 de setembro de 2014

Desilusão, entenda porquê ela cabe em algumas situações!

Às vezes é preciso uma 
bofetada que – pleft! – nos devolva de volta à vida


 “Nunca desista, pois até um pé na bunda te empurra pra frente.” (Maykon Barth)




Desilusão é uma experiência terrível. Num momento qualquer, você está cheio de esperança. No outro, seu mundo veio abaixo. Como uma repentina bofetada, a desilusão machuca, desnorteia e humilha. É o evento dramático que, na vida amorosa, separa a realidade do sonho, os homens dos meninos e os tolos dos sábios. A desilusão é nosso diploma. Quem não passou por ela é um inocente. Ainda não sabe de nada.




Você, apaixonado, sugere à namorada que talvez seja hora de fazer planos e morar juntos. Ela responde, cheia de dedos, que talvez não esteja assim tão envolvida com você. Pleft!
Encantada com o sujeito, você pergunta, toda bonitinha, se o que rola entre vocês é um namoro – e ele diz, sem hesitar, que também sai com outra garota e não quer compromisso. Pleft!

Depois de cinco anos de casamento, as coisas esfriaram ao ponto de congelamento. Você tem esperança e propõe uma segunda lua de mel – então seu marido conta que tem saído com uma colega, que está apaixonado e vinha se preparando para contar que pretende morar com ela. Pleft!

Com essas histórias, quero dizer, ao contrário das lamúrias frequentes, que desilusão é bom. Quem nos desilude nos abre os olhos e nos descortina o mundo verdadeiro. Por isso, nos presta um grande serviço.

O iludido acredita, essencialmente, que o outro sente por ele o mesmo que ele sente pelo outro. Vive a fantasia de ser amado ou, pelo menos, tem esperança de um dia ser correspondido. É um sonhador que pode passar anos caminhando no interior do seu sonho, vendo apenas o que deseja ver. A desilusão é o despertar. Deveria ser saudada como libertação, mas costuma ser recebida com ressentimento. A pena de si mesmo é maior que a gratidão.

Na verdade, o inimigo é quem nos ilude. Faz mal aquele que, por fraqueza ou piedade – muitas vezes por vaidade – alimenta nossos sentimentos infundados. Quem nos olha nos olhos e diz a verdade merece nosso respeito. Demonstra respeito por nós, ainda que nos magoe.

A verdade, é importante que se diga, nem sempre é nítida. Quando se trata de afeto, somos criaturas confusas, habitadas por dúvidas e contradições. Por isso, mais importante que aquilo ouvimos é o que vemos. Mais importante que sentimentos, são ações. Se o sujeito parece ter por você o maior carinho, mas é sua amiga que ele chama para sair, parece que é da amiga que ele gosta – embora talvez nem saiba. As decisões dele contam tudo que você precisa saber, desde que você as conheça. Quem diz o que sente, mas esconde o que faz, ilude.

Eis uma boa máxima: não me diga o que você sente, me conte o que você faz. Da minha parte, tendo vivido ilusões e desilusões, prefiro as últimas. Elas me salvaram de vexames profundos, me tiraram de enganos demorados, me abriram portas que eu desconhecia e me puseram no caminho certo. Tem sido assim com todos que eu conheço. Os mais tristes, os mais dignos de piedade, são os que se agarram a ilusões que todos em volta reconhecem, menos eles. A esses faz falta uma desilusão. 


Uma boa bofetada – pleft! – que os devolva de volta à vida.
por Ivan Martins

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Sofrer para manter a relação!?

Com tantas mudanças no âmbito das relações amorosas, poderíamos até supor que a conjugação amar e sofrer seria um capítulo ultrapassado, páginas amareladas de um tempo distante. Mas a realidade é outra. Independente dos rumos que a vida pós-moderna tenha tomado, a realidade com a qual tratamos as nossas questões amorosas, como cada um sente, interpreta e vivencia, é antes traçada de acordo com a própria subjetividade. Se para uns sofrer em uma relação amorosa não condiz com o seu script subjetivo, para outros, essa experiência é atemporal

Paixão Patológica e Amor patológico


Desde o século XII, na cultura ocidental, o discurso do amor sempre esteve associado à dor, ao sofrimento e à promessa de felicidade. O que faz com que esse tema, ainda hoje, esteja presente na literatura, nos filmes e nas novelas?
Longe de ser tema só das ficções, sofrer em uma relação marcadamente infeliz é algo muito comum. E o que talvez justifique as produções artísticas é que a paixão tem estrutura de ficção, é uma construção da fantasia e, portanto, atemporal.


Na fase da paixão, o que vemos é a pessoa desejada transformada em alguém perfeito e “sob medida”. Com o tempo, esse “delírio” tende a acabar e o que aparece é o outro como ele é, com qualidades e defeitos. Já as relações que crescem para o amor, no entanto, ultrapassam o “delírio” da completude para aceitar os defeitos, erros e as fraquezas do outro. Diferente da paixão, o amor não visa o outro como objeto, mas como ser.
Mas existem as relações que se mantêm no registro da paixão – palavra que vem do latim “passionis" e significa passividade, sofrimento intenso e prolongado, afeto violento. São relações que não saíram do registro imaginário. A marca da ambivalência entre amor e ódio oscila como em um pêndulo.

O amor como paixão imaginária tem a peculiaridade de ser um amor que deseja ser amado. O que é visado nesse “amor” é o aprisionamento do outro. O que é buscado já está traçado em uma espécie de roteiro imaginário no qual o outro tem a obrigação de corresponder. É um jogo inconsciente em que, para um ficar em uma posição idealizada, precisa manter o outro, que também se mantém em uma posição de carência.


O jogo está montado. Como é impossível que algo dessa ordem se sustente, entra em cena, então, o sofrimento. Não um sofrimento que termina por se resolver, mas que tem como característica não ter solução e, portanto, não ter fim. “Sofro pra te fazer interessante” – é a posição do que sofre para, através do sofrimento, manter a relação. Talvez se o sofrimento cessasse, a relação terminaria. É o sofrimento que mantém o interesse, o que caracteriza uma maneira destrutiva de se relacionar. A busca de mudar o outro se torna devocional.

Por não conseguir renunciar a dor emocional, viver sem esse relacionamento é sentido como morte. O sofrimento é a energia investida em uma espécie de obsessão, em uma teimosia cega, que topa pagar qualquer preço, exceto o preço de uma separação. Ás vezes é até possível que não seja uma separação de fato, mas uma separação interna, subjetiva.




     







    


    









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