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quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

TRANSTORNO DE PERSONALIDADE BORDERLINE e TESTE DE AVALIAÇÃO

 
LIVRO - Corações Descontrolados
(Ciúmes, Raiva, Impulsividade – O Jeito Borderline de Ser)

Livro inédito da psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva, Corações descontrolados revela e explica as características da personalidade borderline (TPB), relatando em detalhes os sintomas do transtorno e o sofrimento que ocasiona tanto para os portadores quanto aos familiares e às pessoas do convívio mais íntimo. Ao entrelaçar análise clínica elaborada para o leitor leigo e a descrição de casos reais, a autora mergulha num universo ainda pouco difundido, pautado pela instabilidade afetiva e de humor.

A pessoa border, de modo geral, pode ser reconhecida por suas ações autodestrutivas, que abrangem uso de drogas, sexo sem proteção, atitudes lesivas contra si mesmo e terceiros, levando em grande parte dos casos a tentativas de suicídio. Em geral, o que está por trás das explosões de raiva é o mais profundo medo de rejeição, a dependência afetiva e uma insegurança patológica.
“Quem sofre desse transtorno vive uma constante hemorragia emocional; vez por outra sangra a alma e, não raro, o próprio corpo”, explica Ana Beatriz. Segundo ela, não é por outra razão que a questão afetiva seja a causa central dos sintomas apresentados pelos pacientes, e também a mais difícil de ser resolvida.

A personalidade borderline é descrita por comportamentos extremos, fortes e persistentes. O próprio termo em inglês, que quer dizer fronteiriço, limítrofe, já assinala para o fato de estas pessoas viverem no limite de suas emoções. Dessa forma, deixam-se levar pela impulsividade, pela tristeza e pelo medo. Com frequência, sentem ciúmes avassaladores e tendem a achar que todos estão contra elas, apresentando sintomas de depressão, com a sensação de vazio, insatisfação pessoal e instabilidade emocional.


A autora chama atenção para uma série de sutilezas e sobreposição de sintomas que podem confundir o diagnóstico, uma vez que o comportamento disfuncional pode estar associado a uma série de outros transtornos psiquiátricos, tais como ansiedade patológica, depressão, bipolaridade, TDAH e até mesmo psicopatiaOs limites da mente border são tênues e frouxos. Muitas vezes, apresentam quadros depressivos e eufóricos de duração variável; no entanto, ambos tendem a ser precipitados por acontecimentos externos imediatos. As pessoas borders são dependentes desses referenciais de desempenho imediato, uma vez que possuem sérias dificuldades de se auto avaliarem”, explica a psiquiatra.


Estima-se que 2% da população mundial apresente em algum grau os sintomas que caracterizam a personalidade borderline. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Associação de Psiquiatria Americana (APA), o transtorno acomete em sua maioria mulheres, cerca de 75% dos casos


Mas os homens também sofrem do problema, assim como os adolescentes de ambos os gêneros, fase em que normalmente o problema é deflagrado e agravado pela instabilidade da própria idade e por vivenciarem as primeiras relações amorosas. A psiquiatra também analisa o sofrimento causado por pais borderlines a seus filhos, especialmente por mães, assim como o desenvolvimento do transtorno em crianças. 

A autora ainda se vale de personagens célebres reais e fictícios para exemplificar comportamentos típicos de um borderline. Recorda o papel interpretado por Winona Ryder em Garota interrompida, e a temperamental Maria Helena encarnada por Penélope Cruz em Vicky Cristina Barcelona. Na vida real, cita o comportamento autodestrutivo de Amy Winehouse e inclui Marylin Monroesempre envolta a relacionamentos conturbados, no hall das celebridades borderline.





Com sensibilidade, Ana Beatriz aproxima seus leitores do tema complexo ao relatar depoimentos carregados de emoção colhidos com pacientes que buscaram ajuda médica. “Sinto-me constantemente em uma corda bamba, como se a qualquer momento pudesse perder o equilíbrio e cair para um lado ou para outro. Estou sempre a um passo de perder o controle”, exemplifica a autora, no trecho da história contada por um paciente sobre sua instabilidade emocional.




Ana Beatriz Barbosa Silva é médica graduada pela UERJ com pós-graduação em psiquiatria pela UFRJ e referência nacional no tratamento de transtornos mentais. Professora honoris causa pela UniFMU (SP), é também diretora das clínicas Medicina do Comportamento no Rio de Janeiro e em São Paulo, onde atende pacientes e supervisiona os médicos, psicólogos e terapeutas de sua equipe. Além de realizar palestras, conferências e consultorias em todo o país sobre variados temas do comportamento humano, ela também é autora dos livros Mentes perigosas — o psicopata mora ao lado, Bullying — mentes perigosas na escola, Mentes Inquietas — TDAH: desatenção, hiperatividade e impulsividade, Mentes e manias – TOC: Transtorno Obsessivo-Compulsivo, Mentes ansiosas – Medo e ansiedade além dos limites e Mundo singular – entenda o autismo, este último em coautoria com Mayra Bonifacio Gaiato e Leandro Thadeu Reveles, todos publicados pelo selo Fontanar, da Objetiva.


Transtorno de Personalidade Borderline – O que é?

O estudo, a pesquisa e tratamento das pessoas diagnosticadas como portadoras do transtorno borderline de personalidade (TBP) é um dos maiores desafios para os estudiosos de saúde mental. Os progressos foram muito grandes nos últimos 20 anos mas falta muito para atingirmos um conhecimento que torne possível melhores tratamentos para diminuir o sofrimento das pessoas acometidas, de seus familiares e da comunidade.

É muito importante o esforço de pesquisa nesta área e é com satisfação que observamos o aumento de trabalhos publicados sobre este tema. O conceito de personalidade borderline é o resultado inevitável do esforço para definir um limite entre o funcionamento mental neurótico e psicótico.

Transtorno de Personalidade Borderline (Limítrofe) é uma condição que começa na infância, mas geralmente não é demonstrada até o início da maioridade (entre 20-25 anos). "É uma desordem comum que atinge cerca de 10 a 14% da população", fala o médico Richard J. Corelli de Stanford, EUA.

A causa dessa desordem não é compreendida por completo, mas algumas autoridades acreditam que seja o resultado de um desequilíbrio químico no cérebro. Esses químicos (neurotransmissores) ajudam a equilibrar o humor e influências genéticas e ambientais. Essa desordem mental é mais comum entre pessoas cujos pais também sofrem com a doença. Aparenta haver uma relação entre essa doença e um grande trauma na infância.
O trauma pode ser físico, sexual, abuso emocional, rejeição ou talvez uma separação estressante e traumática de um dos pais.

Transtorno de Personalidade Borderline – Quais os sintomas?
Pessoas que sofrem com essa doença demonstram os seguintes sintomas: emoções instáveis, impulsividade, autoimagem oscilante, dificuldade de controlar a ira, intenso sentimento de rejeição e abandono, além de muitas vezes serem auto-mutilantes. Também têm que lidar com emoções de depressão, desordem alimentar e/ou abuso de substâncias. Essas vítimas frequentemente cortam ou queimam o próprio corpo. Muitas, principalmente nos primeiros anos, têm pensamentos constante de suicídio, seguidos de várias tentativas.

Seus comportamentos irregulares resultam em relacionamentos instáveis com outras pessoas. Isso apenas intensifica seus sentimentos de vazio, raiva e desespero cheios de culpa. Podem também passar por certos períodos quando suspeitam de outras pessoas, mesmo se elas não fizeram nada (paranóia). Outras características comuns são explosões de raiva e confrontos físicos.

Um relato do Centro de Pacientes que sofrem com essa desordem cita uma vítima dizendo
"Sofrer com essa desordem parece um inferno. Nada menos do que isso. Dor, raiva, confusão, sofrimento, sem nunca saber como estarei me sentindo de um minuto para o outro. Sofrimento porque eu machuco aqueles a quem amo. Sentindo que ninguém me entende. Analisando tudo. Nada me dá alegria. De vez em quando eu fico 'muito feliz' e então fico ansioso por causa disso. Viro-me então para o álcool. Então eu me machuco fisicamente. Então me sinto culpado por causa disso.Vergonha. Querendo morrer sem poder me matar porque eu sentiria muita culpa por machucar os que me amam, então fico cheio de raiva e por causa disso eu me corto para poder me livrar desses sentimentos. Estresse!"

Transtorno de Personalidade Borderline – Como é tratada?
O tratamento dessa desordem pode ser difícil, mas certos medicamentos podem ser usados para reduzir alguns dos sintomas. Às vezes uma combinação de certos remédios pode ajudar. Os remédios mais comuns são antidepressivos e estabilizadores emocionais. Além disso, antipsicóticos podem ajudar a reduzir comportamentos perigosos e impulsivos. É importante destacar que cerca de 10 anos depois do início do tratamento, cerca de metade dos que foram diagnosticados não mais apresentam sintomas dessa desordem.

A grande maioria dos que apresentam essa desordem tornam-se gradualmente mais estáveis em suas emoções, relacionamentos e empregos quando alcançam a idade entre 30 e 40 anos. Se você acha que tem essa desordem, procure atenção médica e suporte emocional. Tente não diagnosticar tudo sozinho e, ao invés disso, procure a ajuda de profissionais experientes em lidar com essa doença.

Após tomar conhecimento de alguns sinais e sintomas do TPB (Transtorno de Personalidade Borderline), segue abaixo um TESTE que ajudará a avaliar, se existe a possibilidade de haver um "núcleo border" de personalidade e/ou, se o transtorno já está instalado.


Obs: O teste sugerido não é uma ferramenta de diagnóstico! E Não cabe como único instrumento de avaliação de personalidade borderline. Por favor, consulte um profissional de saúde mental, se você sente que precisa de mais assistência

Teste de personalidade borderline

Avalie sua personalidade e faça um teste de personalidade borderline

Instruções: Este teste de personalidade foi concebido para ajudar você a entender se você pode ter Transtorno da Personalidade Borderline. Para cada item, indicar quanto você concorda ou discorda da afirmação na frase.

Procure responder este teste de personalidade com a verdade para o resultados mais preciso.
1. Eu quase sempre me sinto “vazio”.
a) discordo totalmente         
b) discordo          
c) nem concordo nem discordo 
d) concordo          
e) concordo totalmente

2. Acho que muitas vezes faço um ou mais dos seguintes procedimentos: dirigir de forma imprudente,  praticar sexo inseguro, abusar de álcool ou drogas, comer compulsivamente, jogar compulsivamente, gastar dinheiro sem controle.
a) discordo totalmente         
b) discordo           
c) nem concordo nem discordo 
d) concordo            
e) concordo totalmente

3. Às vezes, quando estou estressada(o) – especialmente quando sinto que alguém está me rejeitando eu fico muito paranoica(o).
a) discordo totalmente         
b)discordo          
c) nem concordo nem discordo 
d) concordo            
e) concordo totalmente

4. Eu muitas vezes espero demais das pessoas, especialmente quando eu desejo compartilhar detalhes mais íntimos com estas pessoas. Mas muitas vezes eu sinto que estas mesmas pessoas não se importam o suficiente comigo.
a) discordo totalmente         
b)discordo          
c) nem concordo nem discordo 
d) concordo            
e) concordo totalmente

5. Às vezes, fico muito irada(o), extremamente sarcástica(o) e amarga(o), e sinto que tenho muita dificuldade em controlar essa raiva.
a) discordo totalmente         
b)discordo          
c) nem concordo nem discordo 
d) concordo            
e) concordo totalmente

6. Eu já tive comportamentos de automutilação, autoagressão, ou pensamentos suicida, ou ainda com gestos ou ameaças contra minha pessoa.
a) discordo totalmente         
b)discordo          
c) nem concordo nem discordo 
d) concordo            
e) concordo totalmente

7. Muitas vezes experimentei súbitas mudanças na maneira como eu olho para mim e para minha vida, a ponto de querer mudar completamente meus objetivos, valores e foco na carreira.
a) discordo totalmente         
b)discordo          
c) nem concordo nem discordo 
d) concordo            
e) concordo totalmente

8. Estou muitas vezes com medo que os outros vão me abandonar ou me deixar, então eu faço esforços frenéticos para evitar esse abandono (mesmo quando não é real).
a) discordo totalmente         
b)discordo          
c) nem concordo nem discordo 
d) concordo            
e) concordo totalmente

9. Meu humor pode alternar entre períodos de extrema ansiedade, depressão ou irritabilidade em apenas algumas horas ou dias.
a) discordo totalmente         
b)discordo          
c) nem concordo nem discordo 
d) concordo            
e) concordo totalmente

10. Meu ponto de vista sobre os outros – especialmente aqueles que me importam – pode mudar dramaticamente sem qualquer aviso.
a) discordo totalmente         
b)discordo          
c) nem concordo nem discordo 
d) concordo            
e) concordo totalmente

11. Eu diria que a maioria dos meus relacionamentos amorosos têm sido muito intensos, mas não muito estável.
a) discordo totalmente         
b)discordo          
c) nem concordo nem discordo 
d) concordo            
e) concordo totalmente

12. Atualmente estou enfrentando problemas suficientes na minha vida, que está impactando negativamente a minha capacidade de ir à escola, trabalho, estar com amigos ou família, ou ter um relacionamento romântico.
a) discordo totalmente         
b)discordo          
c) nem concordo nem discordo 
d) concordo            
e) concordo totalmente

Resultados de seu Teste de Personalidade Borderline
Para cada resposta com a letra a) some 0 ponto
Para cada resposta com a letra b) some 1 ponto
Para cada resposta com a letra c) some 2 pontos
Para cada resposta com a letra d) some 3 pontos
Para cada resposta coma letra e) some 4 pontos

Resultados de seu Teste de Personalidade Borderline

ESCORE
Se você marcou acima de 34 pontos, você apresenta sérios indícios do transtorno
Se você marcou de 28 a 33 pontos, você apresenta alguns indícios do transtorno borderline com pouco controle sobre seus impulsos.
Se você marcou entre 21 e 27 pontos, você é pouco impulsivo, mas em alguns momentos se sente com pouco controle.
Se você marcou entre 15 e 20 pontos, você consegue manter controle sobre seus impulsos e consegue fazer valer sua vontade e opinião.
Se você marcou menos de 15 pontos, você pode muitas vezes deixar de se colocar, com receio de ser mal compreendido, ou pertence a um círculo de relacionamentos no qual se sente bem e com grande compartilhamento de opiniões.

Obs: Esta não é uma ferramenta de diagnóstico! E Não cabe como único instrumento de avaliação de personalidade borderline. Por favor, consulte um profissional de saúde mental, se você sente que precisa de mais assistência.

sábado, 26 de novembro de 2011

Transtorno de Personalidade Borderline ou Limítrofe


Entendendo o Transtorno Borderline

Você está perplexo e magoado?
Alguém do seu círculo familiar tem um comportamento que envolve:
• Mudanças repentinas de humor?
• Mentiras que prejudicam os outros?
• Extrema impulsividade?
• Reações imprevisíveis?
• Explosões de raiva desproporcionais?
• Desequilíbrio financeiro?

Essas podem ser manifestações do transtorno de personalidade limítrofe - o Borderline.

O Transtorno de Personalidade Borderline  caracteriza-se por um padrão de relacionamento emocional intenso, porém confuso e desorganizado. A instabilidade das emoções é o traço marcante deste transtorno, que se apresenta por flutuações rápidas e variações no estado de humor de um momento para outro sem justificativa real. Essas pessoas reconhecem sua labilidade emocional, mas para tentar encobri-la justificam-nas geralmente com argumentos implausíveis. Seu comportamento impulsivo freqüentemente é autodestrutivo. Estes pacientes não possuem claramente uma identidade de si mesmos, com um projeto de vida ou uma escala de valores duradoura, até mesmo quanto à própria sexualidade. A instabilidade é tão intensa que acaba incomodando o próprio paciente que em dados momentos rejeita a si mesmo, por isso a insatisfação pessoal é constante.

Características Diagnósticas

A característica essencial do Transtorno da Personalidade Borderline é um padrão invasivo de instabilidade dos relacionamentos interpessoais, auto-imagem e afetos, e acentuada impulsividade que começa no início da idade adulta e está presente numa variedade de contextos.

Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Borderline fazem esforços frenéticos para evitarem um abandono real ou imaginado (Critério 1). A percepção da separação ou rejeição iminente ou a perda da estrutura externa podem ocasionar profundas alterações na auto-imagem, afeto, cognição e comportamento.
Estes indivíduos são muito sensíveis às circunstâncias ambientais. Eles experimentam intensos temores de abandono e raiva inadequada, mesmo diante de uma separação real de tempo limitado ou quando existem mudanças inevitáveis dos seus planos (por ex., reação de súbito desespero quando o clínico anuncia o final da sessão; pânico ou fúria quando alguém que lhes é importante se atrasa apenas alguns minutos ou precisa cancelar um encontro).

Eles podem acreditar que este "abandono" implica que eles são "maus". Esse medo do abandono está relacionado a uma intolerância à solidão e a uma necessidade de ter outras pessoas consigo. Os seus esforços frenéticos para evitar o abandono podem incluir ações impulsivas tais como comportamentos de automutilação ou suicidas, que são descritos separadamente no (Critério 5). Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Borderline têm um padrão de relacionamentos instáveis e intensos (Critério 2). Podem idealizar potenciais cuidadores ou amantes já no primeiro ou no segundo encontro, exigir que passem muito tempo juntos e compartilhar detalhes extremamente íntimos na fase inicial de um relacionamento.

Pode haver, entretanto, uma rápida passagem da idealização para a desvalorização, por achar que a outra pessoa não se importa o suficiente, não dá o bastante, não está "ali" o suficiente. Estes indivíduos podem sentir empatia e carinho por outras pessoas, mas apenas com a expectativa de que a outra pessoa "estará lá" para também atender às suas próprias necessidades, quando exigido. Estes indivíduos estão inclinados a mudanças súbitas e dramáticas nas suas opiniões sobre os outros, que podem ser vistos alternadamente como suportes benévolos ou como cruelmente punitivos. Tais mudanças frequentemente refletem a desilusão com uma pessoa cujas qualidades de devotamento foram idealizadas ou cuja rejeição ou abandono são esperados.
    
Pode haver um distúrbio de identidade caracterizado por uma auto-imagem ou sentimento de self acentuado e persistentemente instável (Critério 3). Mudanças súbitas e dramáticas são observadas na auto-imagem, caracterizadas por objetivos, valores e aspirações profissionais em constante mudança. O indivíduo pode exibir  súbitas mudanças de opiniões e planos acerca da carreira, identidade sexual, valores e tipos de amigos.

Estes indivíduos podem mudar subitamente do papel de uma pessoa suplicante e carente de auxílio para um vingador implacável de maus tratos passados. Embora geralmente possuam uma auto-imagem de malvados, os indivíduos com este transtorno podem, por vezes, ter o sentimento de não existirem em absoluto.
Tais experiências habitualmente ocorrem em situações nas quais o indivíduo sente a falta de um relacionamento significativo, carinho e apoio.  Estes indivíduos podem apresentar pior desempenho em situações de trabalho ou escolares não estruturados.  Os indivíduos com este transtorno exibem impulsividade em pelo menos duas áreas potencialmente prejudiciais para si próprios (Critério 4).

Podem jogar, fazer gastos irresponsáveis, comer em excesso, abusar de substâncias ou dirigir de forma imprudente.  As pessoas com Transtorno da Personalidade Borderline apresentam, de maneira recorrente, comportamento, gestos ou ameaças suicidas ou comportamento automutilante (Critério 5). O suicídio completado ocorre em 8 a 10% desses indivíduos, e os atos de automutilação (por ex., cortes ou queimaduras), ameaças e tentativas de suicídio são muito comuns.
    
Tentativas recorrentes de suicídio são, frequentemente, a razão pela qual estes indivíduos procuram auxílio. Tais atos autodestrutivos geralmente são precipitados por ameaças de separação ou rejeição ou por expectativas de que assumam maiores responsabilidades. A automutilação pode ocorrer durante experiências dissociativas e frequentemente traz alívio pela reafirmação da capacidade de sentir ou pela expiação do sentimento de ser mau.
    
Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Borderline podem apresentar instabilidade afetiva, devido a uma acentuada reatividade do humor (por ex., disforia episódica intensa, irritabilidade ou ansiedade, em geral durando algumas horas e apenas raramente mais de alguns dias) (Critério 6).

O humor disfórico básico dos indivíduos com Transtorno da Personalidade Borderline, muitas vezes é perturbado por períodos de raiva, pânico ou desespero e, raramente, é aliviado por períodos de bem-estar ou satisfação. Esses episódios podem refletir a extrema reatividade do indivíduo a estresses interpessoais. Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Borderline podem ser incomodados por sentimentos crônicos de vazio (Critério 7). Facilmente entediados, podem estar constantemente a procurar algo para fazer.
   
Os indivíduos com este transtorno frequentemente expressam raiva intensa e inadequada ou têm dificuldade para controlar sua raiva (Critério 8). Podem exibir extremo sarcasmo, persistente amargura ou explosões verbais. A raiva frequentemente vem à tona quando um cuidador ou amante é visto como negligente, omisso, indiferente ou prestes a abandoná-lo.

Tais expressões de raiva frequentemente são seguidas de vergonha e culpa e contribuem para o sentimento de ser mau. Durante períodos de extremo estresse, podem ocorrer ideação paranóide ou sintomas dissociativos transitórios (por ex., despersonalização) (Critério 9), mas estes em geral têm gravidade ou duração insuficiente para indicarem um diagnóstico adicional. Estes episódios ocorrem mais comumente em resposta a um abandono real ou imaginado.
   
Os sintomas tendem a ser transitórios, durando minutos ou horas. O retorno real ou percebido do carinho da pessoa cuidadora pode ocasionar uma remissão dos sintomas.

Características e Transtornos Associados

Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Borderline podem ter um padrão de boicote a si mesmos quando uma meta está prestes a ser alcançada (por ex., regredir severamente após uma discussão acerca do sucesso da terapia até o momento atual, destruir um bom relacionamento quando está claro que este poderia ser duradouro).
  
Alguns indivíduos desenvolvem sintomas tipo psicóticos (por ex., alucinações, distorções da imagem corporal, idéias de referência e fenômenos hipnagógicos) durante períodos de estresse. Os indivíduos com este transtorno podem sentir-se mais seguros com objetos transicionais (isto é, um animal de estimação ou a posse de um objeto inanimado) do que em relacionamentos interpessoais.
   
A morte prematura por suicídio pode ocorrer em indivíduos com este transtorno, especialmente naqueles com concomitantes Transtornos do Humor ou Transtornos Relacionados a Substâncias. Deficiências físicas podem resultar de comportamentos automutilantes ou tentativas fracassadas de suicídio.
    
Perdas recorrentes de empregos, interrupção dos estudos e casamentos rompidos são comuns. Abuso físico e sexual, negligência, conflito hostil e perda ou separação parental precoce são mais comuns na história da infância dos indivíduos com Transtorno da Personalidade Borderline.

Características Específicas à Cultura, à Idade e ao Género

O padrão de comportamento visto no Transtorno da Personalidade Borderline foi identificado em diversos contextos, no mundo inteiro. Adolescentes e adultos jovens com problemas de identidade (especialmente quando acompanhados pelo uso de substâncias) podem exibir, temporariamente, comportamentos que podem ser confundidos com o Transtorno da Personalidade Borderline.
   
Estas situações são caracterizadas por instabilidade emocional, dilemas "existenciais", incertezas, escolhas que causam ansiedade, conflitos acerca da orientação sexual e pressões sociais no sentido de decidir-se por uma profissão. O Transtorno da Personalidade Borderline é diagnosticado predominantemente em mulheres (cerca de 75%).

Prevalência

A prevalência do Transtorno da Personalidade Borderline é estimada em cerca de 2% da população geral, cerca de 10% dos indivíduos vistos em clínicas ambulatoriais de saúde mental, e cerca de 20% dos pacientes psiquiátricos internados. A prevalência varia de 30 a 60% entre as populações clínicas com Transtornos da Personalidade.

Curso da doença

 Existe uma variabilidade considerável no curso do Transtorno da Personalidade Borderline.     O padrão mais comum é de instabilidade crônica no início da idade adulta, com episódios de sério descontrole afetivo e impulsivo e altos níveis de utilização de serviços de saúde mental. O prejuízo resultante do transtorno e o risco de suicídio são maiores nos anos iniciais da idade adulta e diminuem gradualmente com o avanço da idade. Durante a faixa dos 30 e 40 anos, a maioria dos indivíduos com o transtorno adquire maior estabilidade nos seus relacionamentos e funcionamento profissional.

Padrão Familiar
    
O Transtorno da Personalidade Borderline é cerca de cinco vezes mais comum entre os parentes biológicos em primeiro grau dos indivíduos com o transtorno do que na população geral. Existe, também, um risco familiar aumentado para Transtornos Relacionados a Substâncias, Transtorno da Personalidade Anti-Social e Transtornos do Humor.

O tratamento

A integração de tratamentos medicamentosos mais psicoterápico trouxe grandes progressos no tratamento do Transtorno Borderline.

Medicação:

O tratamento medicamentoso inclui Estabilizadores de Humor (mesmo que não se trate de DAB) pois eles ajudam a conter a impulsividade e as oscilações de humor.
Antidepressivos e Tranquilizantes não tem a mesma eficácia que teriam em casos de depressões ou ansiedades "puras" mas certamente tem sua utilidade em Borderline.

Embora a medicação seja muito importante, ela é ator coadjuvante. O ator principal no tratamento é a Psicoterapia.

Psicoterapia

Não é uma terapia fácil. O que acontece "na vida real" acontece dentro do consultório: instabilidade, alternância de amor e ódio, idealização e desapontamento com o terapeuta, sedução, impulsividade, etc. Geralmente no início do tratamento a Psicoterapia é mais Analítica, para que a paciente reconheça o problema, suas causas e as consequências na sua vida.

IMPORTANTE
Procure o seu médico Psiquiatra para diagnosticar doenças, indicar tratamentos e receitar medicamentos.

http://portfolio.med.up.pt
Publicado por: Dra. Shirley de Campos
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