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sábado, 6 de abril de 2013

A VITÓRIA DEMORA MAIS VÊM - Diogo Nogueira



Aprendi pra ensinar o ensinamento, Que tudo na vida tem seu tempo...
“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;
Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar;
Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;
Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, 
e tempo de afastar-se de abraçar;
Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;
Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;
Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz”.(Eclesiastes 3. 1 – 8)


Tempo de acreditar que A Vitória Demora Mais Vem!



E lá vou eu saindo para o batente
Antes mesmo do galo cantar
Sempre correndo na frente
Espero a minha estrela brilhar





Não sou de atrasar, nem tão pouco puxar
O tapete de ninguém
Nessa vida nada é por acaso
Pra quem nasceu predestinado
A vitória demora, mas vem

A vitória demora mas vem...


Guerreiro não foge a luta
Eu tô sempre na disputa
Em prol de um amanhã melhor
(bem melhor)
Pego firme na labuta
Malandro é quem escuta bom conselho
Pra não ficar na pior (na pior)

Eu vou compondo minha história
Guardo em minha memória
Quem sempre me fez o bem (fez o bem)

Aprendi pra ensinar o ensinamento, Que tudo na vida tem seu tempo, tem... 
A vitória demora mas vem...                                                     
                                               A vitória demora mas vem...


Diogo Nogueira
Compositores: Juninho Thybau / Baiaco e Luis Caffe

domingo, 31 de março de 2013

O valioso tempo dos maduros - Mário de Andrade


Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora. Tenho muito mais passado do que futuro.


Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.



Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.


Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.



Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.



Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário geral do coral.



As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...



Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana, que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade...


Só há que caminhar perto de coisas e pessoas de verdade. O essencial faz a vida valer a pena. E para mim, basta o essencial.







sábado, 9 de março de 2013

Pensamentos Negativos - Não os alimente!

“O nosso mundo vive demasiado sob a tirania do medo e insistir em mostrar-lhe os perigos que o ameaçam só pode conduzi-lo à apatia da desesperança. O contrário é que é preciso: criar motivos racionais de esperança, razões positivas de viver. Precisamos mais de sentimentos afirmativos do que de negativos. Se os afirmativos tomarem toda a amplitude que justifique um exame estritamente objetivo da nossa situação, os negativos desagregar-se-ão, perdendo a sua razão de ser. Mas se insistirmos em demasia nos negativos, nunca sairemos do desespero.” (Bertrand Russell, in 'A Última Oportunidade do Homem')

Se você tem um problema, seja qual for, e resolve falar dele, todo dia, toda hora, com todo mundo, lamento dizer que ele se tornará cada vez maior, cada vez pior e cada vez você se enterrará na areia movediça da "análise-buraco-negro". Wayne Diyer

"Mantenha seu foco naquilo que você quer, não naquilo que você não quer"

Para sobreviver, o Homo sapiens ganhou um cérebro que funciona, basicamente da seguinte forma: tudo aquilo que tem a sua atenção, ganha sua força e sua ação... e tende a crescer. Isso é tão importante -- e primário -- que vou repetir para você: tudo aquilo que recebe sua atenção, ganha sua força e sua ação... e tende a crescer.

Apesar de parecer uma frase vaga e pouco técnica, ela está correta e precisamos entender o seu real significado em nossas carreiras, nossas empresas, nossa vida pessoal e nosso autocontrole. Leia a frase novamente: tudo aquilo que tem a sua atenção, ganha sua força e sua ação... e tende a crescer.

Este simples mecanismo permitiu a construção da civilização como a conhecemos, incluindo nossos erros e acertos. Por que? Porque nosso cérebro não faz nenhuma distinção entre as coisas que queremos ou que não queremos. Ele somente se concentra em encontrar meios de obtermos aquilo que está em nossa cabeça, mesmo que seja o que não queremos. Por isso (*) Wayne Dyer afirma: "Mantenha seu foco naquilo que você quer, jamais no que você não quer, ou não tem"

Algumas pessoas acham que isso tem elementos esotéricos, paranormais ou de fé religiosa; não tem. Na verdade, é somente biologia darwiniana e matemática pura, pois a mente não tem meios de avaliar a qualidade relativa de cada um dos 50 mil pensamentos gerados diariamente pelos neurônios. Por isso ele, de modo simples e direto, ajuda você a conseguir aquilo em que você pensa. Sempre.

Se você pensa o dia inteiro em pobreza, nas dívidas para pagar, nas noites solitárias e nos defeitos das pessoas.... seu cérebro, obedientemente, vai procurar modos de conseguir mais daquilo em que você pensa. Você tenderá a conseguir mais falta de dinheiro, mais dívidas para pagar, mais noites solitárias e encontrará ainda mais defeitos em mais pessoas... Repito, isso não tem mágica envolvida, nem paranormalidade: só biologia e matemática. É impossível explicar neuropsicologia em um texto de quinze parágrafos, mas observe se isso não ocorre em todo lugar. Tudo aquilo que tem a sua atenção, ganha sua força e sua ação... e tende a crescer. Sejam pensamentos que ajudam ou atrapalham você.

- Uma amiga, que praticamente cresceu comigo, repetia desde a adolescência que "não queria ser como o pai". Um dia, ela resolveu que precisava de terapia, e me contava como, durante muitos anos, as sessões giravam em torno da avaliação que ela fazia do pai e "como ela não queria ser como ele".
Um dia, muitos anos depois, nos reencontramos e a conversa acabou indo para o assunto predileto dela: "não queria ser como o pai". 

Deprimida, ainda sob terapia e, agora, tomando remédios, perguntei por que ela continuava a falar disso; "porque eu preciso me entender, e entender essa minha raiva e os motivos pelos quais não quero ser como meu o pai. E agora estou pior, porque eu descobri que estou agindo e até pensando do mesmo modo que o meu pai. E isso me dá raiva de mim mesma!"

Quando ela começou com essa história, na adolescência, era somente um problema. Mas agora, depois de anos de pensamento concentrado, terapia com foco errado e desprezo pelas leis naturais, ela tinha conseguido: estava se tornando o próprio pai! Tudo aquilo que recebe sua atenção, ganha sua força e sua ação... e tende a crescer.

"Agora que você é coach, o que eu faço?", perguntou para mim. Olhei-a nos olhos e perguntei diretamente: "Você repete desde a adolescência que não quer ser como seu pai certo?". Ela me encarou e disse: "É... certo". Então, fiz a pergunta óbvia: "Então você quer ser como quem? Quem é seu modelo? em quem você gostaria de se espelhar?"

Ela me olhou, desconcertada. Pensou um pouco e disse: "Eu não sei com quem eu quero parecer, mas sei que não quero parecer com meu pai. Em todos esses anos de terapia, eu nunca pensei nisso, jamais pensei em quem eu queria ser...". Note que todas as frases que eu grifei, acima, tem o pensamento "quero ser como meu pai". O cérebro simplesmente despreza a palavra não (estou simplificando para efeito didático).

Tentei explicar o conceito de que tudo aquilo que recebe sua atenção, ganha sua força e sua ação... e tende a crescer, mas ela quase entrou em choque. "Pelo que você está dizendo, eu estou fazendo a coisa errada a minha vida toda! Todos os anos de terapia, todas as horas do dia em que falei com meus amigos sobre isso??? ". Sim, infelizmente sim.

Embora praticamente todos os livros de sucesso, e vários filósofos e religiosos digam isso (com palavras diferentes), o impacto que este conceito pode ter, por aqueles que o entendem e o aplicam, é poderoso, seja dentro da cultura de uma empresa, uma equipe de trabalho, um casamento, um time e até dentro de nossa própria cabeça.

Tudo aquilo que tem a sua atenção, ganha sua força e sua ação... e tende a crescer, por isso, faça como sugere Wayne Dyer: mantenha seu foco naquilo que você quer, jamais no que você não quer, ou não tem. Se você entender essa frase, começará a compreender, também, porque algumas pessoas ficam 20 ou 30 anos fazendo terapia, como minha amiga, e infelizmente, os problemas continuam lá. Maiores e piores.

(*) Dr. Wayne Walter Dyer é psicoterapeuta e tem doutorado na área de educação pela Wayne State University, sendo associado do curso de doutorado da St. Jonh’s University, em Nova York. É autor e co-autor de diversos livros, colabora com alguns periódicos e é conferencista reconhecido nos Estados Unidos da América


Algumas Frases de Wayne Diyer

“Tudo que você é contra, te enfraquece. Tudo que você é a favor, te fortalece.”

“Mude o modo que você olha para as coisas, e as coisas que você olha mudarão.”

"Você não é um ser humano que está passando por uma experiência espiritual. Você é um ser espiritual que está vivenciando uma experiência humana."

"Você é tratado da maneira como ensina as pessoas a tratá-lo."

“Não há falta de oportunidades para se ganhar a vida com aquilo que você ama; há apenas uma falta de determinação para fazer com que isso aconteça.”

"Quando você julga os outros, você não os define, você define a si mesmo."

“Aqueles que nos magoaram fizeram apenas o que sabiam fazer, em função das condições de suas vidas. Se você não perdoar, permitirá que essas mágoas antigas continuem a dominá-lo.”

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Perdas Necessárias...


“E enfrentando as perdas que os anos de vida trazem consigo, sofremos, choramos, crescemos e nos adaptamos: cada perda em cada estágio da vida comporta uma lição, uma oportunidade de crescimento e transformação, indefinidamente... até o último suspiro”.

Durante todo nosso processo de crescimento, as perdas são abrangentes, pois perdemos não só pela morte, mas também por abandonar e ser abandonado, por mudar e deixar coisa para trás e seguir nosso caminho. Segundo a pesquisadora norte-americana Judith Viorst, autora do livro "Perdas Necessárias",  nossas perdas incluem não apenas separações e partidas dos que amamos, mas também a perda consciente ou inconsciente de sonhos românticos, expectativas impossíveis, ilusões de liberdade e poder, ilusões de segurança – e a perda do nosso próprio eu jovem, o eu que se julgava para sempre imune às rugas, invulnerável e imortal. Perdas são necessárias porque para crescer temos de perder, abandonar e desistir. A estrada do desenvolvimento humano é pavimentada com renúncia.

Ao longo da vida, crescemos desistindo e só através de nossas perdas nos tornamos seres humanos plenamente desenvolvidos. Sendo assim, para compreender nossas vidas precisamos compreender como enfrentamos nossas perdas, onde a auto-compreensão pode ampliar o campo das nossas escolhas e possibilidades. Começar a perceber como nossas respostas às perdas moldaram nossas vidas pode ser o começo da sabedoria e de uma mudança promissora. As respostas às perdas nos dão uma nova visão do que é a liberdade: “liberdade começa quando reconhecemos o que é possível – e o que não é.” As liberdades que perdemos, nossas restrições e tabus são perdas necessárias – parte do preço que pagamos pela civilização.

Todas as nossas perdas estão relacionadas com a "Perda Original, que é a conexão mãe-filho, que pode ter reflexos no decorrer de toda nossa vida”. Se as separações não forem bem resolvidas, ressalta, elas podem deixar cicatrizes emocionais no cérebro, porque atacam a conexão humana essencial: o elo mãe-filho que nos ensina que somos dignos de ser amados. Não podemos nos tornar seres humanos completos sem o apoio dessa primeira ligação. A dimensão narcísica na relação entre mãe e filha: quando “viver junto é impossível e separar-nos é mortal”.

“...a dimensão narcísica nas relações familiares mais especificamente na relação mãe-filha, considerando o narcisismo como um conflito intrapsíquico ou seja um modo de funcionamento do sujeito que remete ao amor do ego por si mesmo, mas que precisa ser confirmado por um investimento do outro. Em algumas dinâmicas transgeracionais essa relação pode cristalizar os membros da família tornando-os reféns de uma situação da qual não se vê possibilidades de saída”. (Hayd e Faimberg - 2001) 
O narcisista pode também sentir-se vazio ou deprimido, sempre que perde os objetos idealizados do próprio eu. Tendo feito deles a fonte de tudo o que é poderoso e feliz, sente-se agora desamparado e vazio sem eles. E pode procurar fugir desse vazio recorrendo a drogas ou ao álcool, a frenéticas conquistas sexuais, a passatempos perigosos. Ou pode procurar o refúgio narcisista comum de algum culto religioso, onde o “envolvimento total, a rotina infindável, canto compulsivo e a meditação ritual” ajudam a encher “vazios quase inimagináveis”…

No centro dessas falhas narcisistas existem experiências com pais indiferentes: pais que não podiam ou não queriam ser acessíveis, pais que rejeitavam, desaprovavam ou desapontavam, ou que simplesmente não se interessavam. Cynthia Macdonald, no seu impressionante poema realizações, registra a aflição de uma filha tentando conseguir a confirmação da mãe:
Pintei um quadro - céu verde - e mostrei à minha mãe.



Ela disse: bonito, eu acho.
Então pintei outro, segurando o pincel com os dentes.
Veja, mamãe, sem as mãos. E ela disse:
Acho que alguém poderá admirar isso, se souber
Como foi feito, e se se interessar por pintura, o que não é o meu caso.

Toquei um solo de clarineta no Concerto para Clarineta de Gounod
Com a Filarmônica de Buffalo.
Minha mãe foi ouvir e disse:
Bonito, eu acho.
Então toquei com a Sinfônica de Boston
Deitada de costas e usando os dedos dos pés.
Veja, mamãe, sem as mãos. E ela disse:
Acho que alguém poderá admirar isso, se souber como foi feito,
e se estiver interessado em música, o que não é o meu caso.

Fiz um suflê de amêndoas e o servi à minha mãe.
Ela disse: acho que está bom.
Então fiz outro, batendo com minha respiração
E servindo-o com os cotovelos.
Veja, mamãe, sem as mãos. E ela disse:
Acho que alguém poderá admirar isso, se souber como foi feito,
e se estiver interessado em comida, o que não é o meu caso.

Então esterilizei os pulsos, realizei a amputação, joguei fora minhas mãos,
e fui até minha mãe, mas antes que eu pudesse dizer
Veja, mamãe, sem as mãos, ela disse:
Tenho um presente para você, e insistiu em que eu experimentasse
As luvas azuis, para ter certeza de que eram do tamanho certo.

 "encontramos no poema Realizações de Cynthia Macdonald o registro poético desta busca do reconhecimento do olhar materno por parte de uma filha".

Às vezes, o confuso narcisista teve pais que ofereciam amor, só que… o amor que ofereciam era do tipo "errado". Não era amor pela criança por ela mesma, mas pela criança-como-enfeite, uma flor que os enfeitava e colocava na lapela. GERALMENTE, NARCISISTAS SÃO FILHOS DE NARCISISTAS.
Os pais narcisistas usam e abusam inconscientemente dos filhos. Faça direito. Sejam bons. Quero me orgulhar de você. Não me irrite. O trato tácito é o seguinte: se enterrar as partes que não gosto, então posso amá-lo. A escolha tácita é a seguinte: perder você ou me perder.

É importante não esquecer que, às vezes pais bastante bons não conseguem se entrosar com o filho, e o prejuízo causado pode resultar de uma infeliz falta de combinação, e não de indiferença, incompetência ou maldade. Mas, seja qual for a causa, a ausência dessas experiências cruciais de imitação e idealização põe em perigo a coesão do eu. Defendendo-se da ameaça contra esse eu, e tentando urgentemente compensar a falha, nasce o narcisista patológico.

Um crescimento saudável implica na capacidade de renunciar à nossa necessidade de aprovação, quando o preço dessa aprovação é nosso verdadeiro eu.
Significa ser capaz de renunciar à divisão defensiva, e integrar nosso eu mau com o eu bom.
Significa ser capaz de renunciar à grandeza e funcionar com um eu de proporções humanas.
Significa que, embora possamos, durante a vida, ser afligidos por dificuldades emocionais, possuímos um eu confiável, um senso de identidade. O que chamamos de senso de identidade é a certeza de que nosso eu mais profundo, mais forte e mais verdadeiro persiste através do tempo, a despeito da mudança constante. É a sensação de um eu verdadeiro mais profunda do que qualquer diferença, o eu para o qual todos os nossos outros “eus” convergem... ou seja, as perdas que enfrentamos quando nos vemos face a face com o fato do qual não podemos fugir!!!

1) que nossa mãe vai nos deixar, e que nós vamos deixá-las
2) que o amor de nossa mãe jamais será só nosso;
3) que as dores que nos machucam nem sempre desaparecem com um beijo;
4) que estamos no mundo essencialmente por nossa conta;
5) que teremos que aceitar – nos outros e em nós mesmos – um misto de amor e ódio, de bem e de mal;
6) que, por mais sábia, bela e encantadora que seja, nenhuma garota pode se casar com o pai quando crescer;
7) que nossas opções são limitadas pela anatomia e pela culpa;
8) que há falhas em qualquer relacionamento humano;
9) que nosso status neste planeta é implacavelmente efêmero;
10) e que somos completamente incapazes de oferecer a nós mesmos ou aos que amamos qualquer forma de proteção – proteção contra o perigo e contra a dor, contra as marcas do tempo, contra a velhice, contra a morte, proteção contra nossas perdas necessárias!!

Perdas e o sentimento de Saudade

Saudade, palavra paradoxal e de muitos significados. Encanta, desencanta e se manifesta através de sentimentos como a tristeza, angústia, solidão e até mesmo a alegria. Ela está presente em nosso dia-a-dia, nas lembranças do tempo passado, das pessoas que amamos e dos lugares de onde viemos e por onde passamos. Ela é poesia, música e canção, e está inserida nos momentos de dor e felicidade do ser humano. Para uns, é uma palavra triste, para outros é apenas um sentimento que faz parte do nosso processo de crescimento. A saudade traz dissabores, mas resgata em nossa memória alegrias já esquecidas.

Para entender a saudade, é preciso refletir sobre as várias perdas que sofremos ao longo da vida a começar pelo próprio nascimento.

Estudos mostram que as perdas na primeira infância nos tornam mais sensíveis e vulneráveis às perdas que sofreremos mais tarde. "Assim ao longo da vida, nossa resposta à perda de uma pessoa da família, a um divórcio, à perda de um emprego, podem ser causas de depressão grave - a resposta daquela criança desamparada, desesperançada e zangada", ressalta a pesquisadora.

De acordo com alguns filósofos, a morte é a perda mais aterradora, aquela que acompanha o ser humano desde a infância, quando se descobre o inevitável. À tristeza profunda pela morte, especialmente a repentina e prematura, somam-se outros sentimentos como a culpa e o inconformismo. Não há respostas fáceis para conviver com as perdas provocadas pela morte, mas segundo os especialistas, não se deve ignorá-la, sufocar as lágrimas, nem abafar o luto.

O envelhecimento é também uma das mudanças mais difíceis para o ser humano. Aceitar as perdas provocadas pela idade requer uma avaliação do passado, que envolve os aspectos positivos e negativos de toda nossa vivência, e ao mesmo tempo, há de se considerar os desejos e as possibilidades para o futuro. É nesta fase, segundo a pesquisadora Judith Viorst, que a preocupação com a morte e a destruição, estão mais presentes, e o homem tem a sensação mais profunda da própria mortalidade e da morte iminente dos outros. A capacidade de mudar e crescer na velhice está ligada a história de cada pessoa. Mas, a chegada da terceira idade pode dar origem a novas forças e novas aptidões não acessíveis nos outros estágios.

A Dor do Amor

A dor da saudade, os encontros e desencontros da vida afetiva sempre estiveram demonstrados nas canções e poemas do nosso cotidiano. As perdas são universais e constantes, e sempre nos ensinam a alcançar a maturidade e o equilíbrio psicológico. A saudade decorrente de uma grande perda pode nos levar a desequilíbrios emocionais irrecuperáveis. No amor, muitas pessoas se tornam totalmente incapazes para estabelecer um vínculo afetivo por medo de amar e sofrer grandes desilusões. Outros, com medo da solidão preferem manter relacionamentos opressivos.

O amor é uma fonte de grandes prazeres, mas também de muitas dores em todas as idades. Quando as coisas estão bem, as pessoas se sentem em estado de êxtase e harmonia, mas quando o amor se encaminha na direção da dor e do sofrimento, nos sentimos totalmente abandonados e desamparados.

Segundo alguns psicanalistas, o fim de um casamento pode ser uma perda maior do que a morte de um dos cônjuges. O sofrimento, a saudade, o desespero podem ter a mesma intensidade, bem como a sensação de abandono.

É preciso ser perseverante para superar não só as perdas por amor, como todas as outras que ocorrem durante toda a nossa vida. As dores existirão tanto para os que não as suportam como para os que as aceitam e as toleram. A vida é marcada por repetições e continuidade, mas é também aberta a mudanças, e para crescer, deve-se renunciar a muitos projetos, pois não se pode amar profundamente alguém ou alguma coisa sem se tornar vulnerável às perdas.

"Nenhuma dor é tão mortal quanto a da luta para sermos nós mesmos." (Ievguêni Vinokurov)

Sobre a autora: Nascida e criada em New Jersey, Judith Viorst formou-se em História e, seis anos depois, graduou-se no Washington Psychoanalytic Institute. De lá pra cá, Viorst escreveu várias coleções de poemas para adultos, quatro livros de não-ficção, entre eles Controles Imperfeitos. Grande parte de suas obras foram publicadas em todo o mundo e vários de seus livros infantis tornaram-se filmes.

Ficha técnica: Livro: Perdas Necessárias, Autora: Judith Viorst, Editora: Melhoramentos, Nº de páginas: 336

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Sua Vida e Sua Felicidade, Não tem Preço!



“Tudo é precioso para aquele que foi, por muito tempo, privado de tudo”. (Friedrich Nietzsche) 

“Lute com determinação, abrace a vida com paixão, perca com classe e vença com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é muito bela para ser insignificante.” (Charles Chaplin)



Tu podes ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não se esqueça de que a tua vida é a maior empresa do mundo. E só tu podes evitar que ela vá à falência. Tu és o arquiteto de teu próprio destino e sua vida é a maior Preciosidade que você tem. Não coloque sua vida nas mãos de ninguém... Não se deixe conduzir, conduza!

Seja feliz e encontre força no perdão, esperança nas batalhas, segurança no palco do medo, amor nos desencontros e vontade para fazer a diferença... pratique felicidade e aprenda que:
Ser feliz não é apenas valorizar o sorriso, mas refletir sobre as atitudes.
Ser feliz não é apenas comemorar o sucesso, mas ter experiência nas lutas. Não é apenas ter júbilo nos aplausos, mas poder ajudar quem precisa. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz não é uma fatalidade do destino, mas uma conquista de quem sabe viajar para dentro do seu próprio ser. 

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. Há muitas pessoas que precisam, admiram e torcem por ti. Valide suas conquistas.
Lembre-se sempre de que ser feliz não é ter um céu sem tempestade, caminhos sem acidentes, trabalhos sem fadigas, relacionamentos sem desilusões. Não se limite apenas em comemorar o sucesso, mas aprenda com os fracassos. Ser feliz é reconhecer que você é o responsável pelos infortúnios que lhe causou, bem como, pelos êxitos  que promoveu a si mesmo.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um “não”.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
É beijar os filhos, curtir os pais e ter momentos poéticos com os amigos, mesmo que eles nos magoem.
Ser feliz é deixar viver a criança livre, alegre e simples que mora dentro de cada um de nós.
É ter maturidade para falar "eu errei". É ter ousadia para dizer "me perdoe".
É ter sensibilidade para expressar "eu preciso de você". É ter capacidade de dizer "eu te amo".

Desejo que a vida se torne um canteiro de oportunidades para você ser feliz. Jamais desistas de si mesmo. Jamais desistas das pessoas que você ama e que amam você. Jamais desista de ser feliz, pois a vida é um espetáculo imperdível ainda que se apresentem dezenas de fatores que demonstram o contrário. Você é um ser humano especial e muito precioso, confie em quem você é, pois se não confiar antes em você mesmo, como vai conseguir que os outros o confiem?

Que nas suas primaveras você seja amante da alegria.
Que nos seus invernos você seja amigo da sabedoria.
E, quando você errar o caminho, recomece tudo de novo, pois assim você será cada vez mais apaixonado pela vida.
E descobrirá que…
Ser feliz não é ter uma vida perfeita.
Mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância.
Usar as perdas para realizar a experiência.
Usar as falhas para esculpir as perfeições.
Usar a dor para realizar o prazer.
Usar os obstáculos para abrir as janelas da inteligência.

Felicidade é a certeza de que nossa vida não está passando inutilmente. A verdadeira Felicidade vai além das posses materiais, mas inclui também as riquezas de natureza espiritual.

"Pedras no caminho? Guarde todas, um dia construirá um castelo..."

adaptado a partir do texto de Augusto Cury
“Dez leis para ser feliz” - Editora Sextante - Ano 2003

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