sábado, 22 de setembro de 2012

Paixão - Diagnóstico, Sinais e Sintomas


 

"As juras mais fortes consomem-se no fogo da paixão como a mais simples palha." (William Shakespeare)

"As paixões são todas boas por natureza e nós apenas temos de evitar o seu mau uso e os seus excessos.” (René Descartes) 

"A paixão, tal como a arte, vive só para si: a arte para a arte, a proeza para a proeza, a coragem para a coragem, o amor para o amor, a embriagues para a embriaguez, o prazer para o prazer. Quem disse que a vida é um sonho? A vida é um jogo." (O Livro Secreto -  Gabriele D'Annunzio) 

Ou São Sinais de Paixão ou Você Está Apaixonado!?
 

 A lista abaixo pode ajudar você a fazer um diagnóstico desse seu estado de atenção concentrada
 

Ah, a paixão. Não se trata de um mero sentimento: de acordo com a antropóloga Helen Fisher, a paixão é um estado particular de hipermotivação e atenção concentrada na pessoa querida. E transcende culturas - seus sinais são os mesmos em qualquer lugar, entre eles:

- pensamentos obsessivos e intrusivos a respeito de uma única pessoa, como se seu cérebro não conseguisse afastar sua ideia da mente;

- motivação aumentada quanto a tudo o que puder colocá-lo na presença dessa pessoa, seja atravessar a cidade à noite ou fazer mágicas para conseguir uma passagem de avião;

- necessidade diminuída de sono, pois qualquer oportunidade de ficar acordado na presença daquela pessoa (ou de sua voz, ou mesmo só de frases por chat) é imperdível;

- sensação de euforia em sua presença, acompanhada de otimismo incorrigível e um sorriso bobo no rosto;

- olhar fixado no outro, que rouba o foco da sua atenção e torna tudo o mais ao redor irrelevante;

- necessidade de tocar no outro, acompanhada de manifestações fisiológicas variadas (coração disparado, pele eletrizada) e desejo sexual irresistível;

 - ideação constante sobre futuros possíveis com essa pessoa especial;

- angústia da separação, uma ansiedade terrível em resposta a meros pensamentos sobre distanciamento e, eventualmente, morte da pessoa em questão.

Quem já esteve profundamente apaixonado se reconhecerá nessa lista e quem está em dúvida pode tentar se "diagnosticar".

Pessoalmente, acho que a angústia da separação é uma maneira excelente de tirar a dúvida se o amor ou a paixão são verdadeiros. Faça uma lista mental de pessoas do seu conhecimento e, em segredo e de maneira totalmente hipotética, "mate-as" uma a uma. A morte do síndico ou de seu chefe não o deve incomodar muito; a morte de um tio talvez seja lamentável, mas suportável. Já a morte de seu filho ou daquela pessoa em especial... bingo!

A ressonância magnética hoje confirma as suspeitas de Fisher: o cérebro apaixonado tem seu sistema de recompensa e motivação, centrado no estriado ventral, hiperativado por tudo o que é direta ou vagamente relacionado ao objeto do desejo. Tudo a seu respeito é maravilhoso, desejável e certamente digno dos maiores esforços.

Conhecer suas origens no estriado ventral torna a paixão menos maravilhosa? Nem um pouco, eu diria. Se esse pedacinho de nada do meu cérebro pode me fazer sentir assim... uau!



 












 





SUZANA HERCULANO-HOUZEL é neurocientista, professora da UFRJ e autora do livro "Pílulas de Neurociência para uma Vida Melhor" (ed. Sextante) e do blog www.suzanaherculanohouzel.com
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