segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Não carregue peso desnecessário nos ombros...


  Você carrega o mundo nas costas? Saiba como livrar-se disso!
  
"Não somos o centro das atenções, e o universo não gira ao nosso redor. Somos um ponto, um ponto único, significativo, mas cuja maior importância é contribuir no conjunto da obra que é a vida. Assumir mais que isso é carregar um peso desnecessário nos ombros"

Na mitologia encontramos muito material para reflexão sobre nossas próprias atitudes. Na mitologia grega, por exemplo, encontramos a figura de Atlas, um dos titãs que foi vencido por Zeus e seus aliados (as energias do espírito, da ordem, do Cosmos). Todos os titãs vencidos nesta batalha foram condenados eternamente ao Tártaro (equivalente ao inferno judaico-cristão), mas Atlas foi condenado a carregar o “mundo“ nas costas por toda a eternidade.

Essa alegoria mitológica nos leva a perceber que sempre que desrespeitamos as forças que harmonizam a vida, sofremos a consequência de carregar nosso próprio mundo nas costas. Começamos a “carregar o mundo nas costas” a partir do momento em que nos colocamos como o centro do mundo. É nesta inversão de papéis que nós cometemos nossos maiores erros.

Queremos ser responsáveis por tudo, moldar o mundo à nossa vontade e, não raro, começamos a carregar também “o mundo dos outros” nas costas, por acreditar que somos os alvos de todas as ações que provêm das outras pessoas.

Se você vem experimentando muito sofrimento e realmente deseja mudar esta situação, pare imediatamente de pensar que tudo o que acontece à sua volta está relacionado a você! Você não é o centro do mundo, nem o centro das atenções. Mesmo as pessoas de vida pública e celebridades são muito menos o centro das atenções do que pensam e gostariam de ser.

Uma vez uma pessoa me procurou no final de uma de minhas palestras e disse:
 - “... eu tenho um problema muito grande, onde quer que eu entre as pessoas estão sempre olhando direto para mim”!
Eu perguntei a ela:
- “Como você saberia que estas pessoas estão olhando direto para você, se você não estivesse olhando direto para elas”?
Da mesma forma, muitas pessoas reclamam que os outros estão sempre rindo dela, falando sobre ela, criticando-a...

Um momento: Será que o único foco de interesse disponível é você? Quando as pessoas riem na sua presença, este riso sempre significa deboche? Você tem certeza disso?

Passo muito tempo em aeroportos, nas idas e voltas das minhas palestras. Sempre que algum cantor ou artista conhecido da mídia se encontra na sala de embarque surgem muitos risos. Estes risos logo depois se transformam em pedidos de fotos e autógrafos, não eram risos de deboche.
  
Com as pessoas que não são conhecidas através da mídia, acontecem coisas similares. Diversas vezes já vi rapazes rindo entre si ao comentarem a beleza, o charme ou a sensualidade de uma bela jovem na sala de embarque. Presenciei várias vezes o mesmo fato quando um homem muito bonito era apreciado por mulheres empolgadas com sua presença.

Risos não são e jamais foram expressão universal de deboche. O fato é que a baixa autoestima faz com que as pessoas interpretem fatos positivos como ameaças! Exatamente como essa pessoa que se sentia observada só porque ela mesma estava observando os outros, muitas pessoas sofrem por razões semelhantes todos os dias.

Em uma peça de teatro, em uma novela ou em um filme, encontramos uma personagem central, a protagonista. A protagonista é aquela que “agoniza”, sofre por todos. Toda a trama se origina ao seu redor e reflete suas dores e alegrias.

Embora sejamos a personagem central de nossas vidas, não devemos com isso acreditar que somos a personagem central na vida dos outros. Não precisamos “agonizar”, sofrer, como se tudo ocorresse por nossa causa ou sob nossa responsabilidade. As coisas nem sempre são a nosso respeito!

Como seres humanos, temos a tendência de pensar que as reações dos outros refletem algo que nós fizemos a eles. Por isso, acabamos agindo como se fôssemos sempre os protagonistas de todas as vidas ao nosso redor. Se você cumprimenta um amigo ou colega de trabalho e ele responde de maneira fria, indiferente ou até grosseira, você começa a pensar: O que foi que eu fiz a ele, para ele me tratar assim?

Você não precisa ter feito absolutamente nada. A reação da outra pessoa pode ser fruto de problemas pessoais, problemas de saúde, preocupações, problemas com outras pessoas ou um aborrecimento que tenha ocorrido poucos segundos antes de você chegar. Simplesmente, não tem nada a ver com você! Colocar-se no centro de todas as situações não é uma prática saudável, cria problemas inexistentes. Agir assim, quase sempre, demonstra megalomania e/ou baixa autoestima. Essa postura só causa problemas. 

Da próxima vez que alguém reagir de maneira negativa e inesperada à sua chegada, ou a qualquer ato seu, lembre que esta pessoa pode estar passando por infinitas situações e que a reação dela pode não ter relação direta com você. Na maioria das vezes, a pessoa que reagiu mal nem percebeu ter agido assim com relação a você, ela está imersa em seus próprios problemas e “carregando o seu próprio mundo”.

Se você percebe razões concretas, evidências de que você efetivamente causou a reação, isso é natural no universo das relações, uma boa conversa pode colocar tudo de novo no lugar!

Sempre que encontrar alguém em um dia ruim (carregando o mundo nas costas), entenda que se nós temos o direito de ter um dia “ruim” e de querermos ficar sozinhos e incomunicáveis por algum tempo, outras pessoas também têm essa necessidade. Por que negaríamos esse direito aos outros?

Não queira ser protagonista dos sofrimentos alheios. A cada um de nós bastam os sofrimentos que nós mesmos, desnecessariamente criamos e os que a vida nos apresenta, como convite à reflexão e aperfeiçoamento.

Isso não é um convite à indiferença, é um convite à aceitação do outro e um alívio para nós mesmos.

Não somos o centro das atenções, e o universo não gira ao nosso redor. Somos um ponto, um ponto único, significativo, mas cuja maior importância é contribuir no conjunto da obra que é a vida. Assumir mais que isso é carregar um peso desnecessário nos ombros! É melhor carregar o peso de um “ponto” a carregar “o mundo” nas costas.

Da mesma forma que não devemos causar intencionalmente dor nos outros, não devemos assumir a dor “particular” dos outros, como se nós a tivéssemos causado.

Seja sempre solidário com a dor do próximo, ajude o quanto puder, mas não julgue que você seja a causa e o responsável por todas essas dores. Muitas pessoas escolhem sofrer, mesmo quando não têm razões concretas para isso e exportam, com suas reações, a desarmonia interna que elas mesmas criaram. Temos que aprender a nos libertar de nós mesmos e dessas pessoas também. Não podemos ajudar alguém que não quer ajuda e nem nos prejudicar com culpas que não temos.

Viva seu mundo ao invés de carregá-lo nas costas. Convide os outros a fazer o mesmo.

"Eu gosto de pessoas inteligentes que enxergam o mundo com humor. Tem muitas pessoas em quem eu bato o olho e penso: deve ser legal ser amiga dela. É gente que não carrega o mundo nas costas, que fala olhando nos olhos, que não se leva tão a sério, que é franca na hora do sim e na hora do não. É difícil sacar as qualidades de uma pessoa sem antes conhecê-la, mas intuição existe pra isso. Tenho vários amigos que enriquecem minha vida e se encaixam no meu conceito de 'pessoas especiais', mas meu coração é espaçoso e está em condições de receber novos inquilinos. "[Martha Medeiros]


por Carlos Hilsdorf

sábado, 3 de novembro de 2012

Mulheres que Amam Demais (MADA)

"Como é fácil, dar aos que amamos, até mesmo o que não temos, ou o que nunca deveríamos oferecer a ninguém, nosso dom maior; a liberdade.”

“Amar demais deixa de ser saudável quando persistimos num relacionamento inacessível, insensato e mesmo assim somos incapazes de rompê-lo.”

A psicóloga e terapeuta familiar Robin Norwood escreveu o livro baseado na sua própria experiência e na experiência de centenas de mulheres envolvidas com dependentes químicos. Ela percebeu um padrão de comportamento comum em todas elas e as chamou de "mulheres que amam demais". No final do livro ela sugere como abrir grupos para tratar da doença de amar e sofrer demais, como o grupo MADA (Mulheres que Amam Demais Anônimas).

O trabalho pioneiro de Robin Norwood em Mulheres que amam de mais permitirá que reconheça as causas do padrão destrutivo que conduz a relacionamentos fracassados e, através de testemunhos reveladores, oferece linhas de orientação para que seja capaz de redescobrir a confiança em si mesma e construir uma relação saudável, feliz e duradoura. Neste “manual de primeiros socorros”, a especialista Robin Norwood oferece às mulheres que amam demais 365 reflexões inspiradoras - sementes para que transformem a maneira como amam e alcancem a liberdade emocional. Mulheres que amam demais busca traçar o caminho para quem quer deixar de se envolver em relacionamentos destrutivos, que comprometem o bem-estar emocional e físico.

"A casa representa a alma da mulher... aprisionada"

O primeiro passo no tratamento de uma mulher com esse problema é perceber que está sofrendo de um processo doentio. Precisa saber que é viciada na dor e na familiaridade de um relacionamento desagradável, e que essa doença aflige muitas mulheres, com suas raízes nos relacionamentos conturbados que viveu na infância. Que a mulher que ama demais deve cortar o mal pela raiz imediatamente ao notar ter um relacionamento assim, que deve procurar uma terapia e procurar também grupos de apoio. Parar com esse tipo de comportamento para que outras áreas de sua vida possam se aperfeiçoar. A autora acredita que seja muito difícil reconhecer o fato de se amar demais como uma doença, pois o vício não se relaciona a uma substância, mas a uma pessoa.

Vale lembrar que, mulheres que amam demais, se existem filhos na história, estão certamente sendo negligenciados emocionalmente, quando não fisicamente também. Ou há outros indícios como a paralisação das atividades sociais. Existe amargor demais e segredos demais para manter, fazendo aparições públicas nada além de uma provação. E a falta de contato social serve para isolar cada vez mais a mulher que ama demais. Ela perdeu outra ligação vital com a realidade. O relacionamento tornou-se o seu mundo.

Segue abaixo, um pequeno resumo do livro, com exemplos de comportamentos, típicos de mulheres que amam demais:
QUANDO AMAR significa sofrer, estamos amando demais. Quando grande parte de nossa conversa com amigas íntimas é sobre ele, os problemas, os pensamentos, os sentimentos dele e aproximadamente todas as nossas frases se iniciam com "ele...", estamos amando demais.
Quando desculpamos sua melancolia, o mau humor, indiferença ou desprezo como problemas devidos a uma infância infeliz, e quando tentamos nos tornar sua terapeuta, estamos amando demais.
Quando lemos um livro de autoajuda e sublinhamos todas as passagens que pensamos que irão ajudá-lo, estamos amando demais.
Quando não gostamos de muitas de suas características, valores e comportamentos básicos, mas toleramos pacientemente, achando que, se ao menos formos atraentes e amáveis o bastante, ele irá se modificar por nós, estamos amando demais.
Quando o relacionamento coloca em risco nosso bem-estar emocional, e talvez até nossa saúde e segurança física, estamos definitivamente amando demais.

“... essa uma das ironias da vida... As mulheres capazes de reagir com simpatia e compreensão à dor na vida de outrem se mantêm, contudo, cegas à dor que existe na sua própria vida.”

Apesar de toda a dor e insatisfação, amar demais é uma experiência tão comum para muitas mulheres, que quase acreditamos que é assim que os relacionamentos íntimos devem ser. A maioria de nós amou demais ao menos uma vez, e, para muitas, está sendo um tema repetido na vida. Algumas nos tornamos tão obcecadas por nosso parceiro e nosso relacionamento, que quase não somos capazes de agir.

Veja outros exemplos (sintomas) de uma mulher que ame demais:

  • Apaixona-se continuamente por homens perturbados, distantes, temperamentais – e acha que os “bons rapazes”, são todos aborrecidos?
  • É obcecada por homens emocionalmente indisponíveis, dependentes do trabalho, de hobbies, do álcool ou de outras mulheres?
  • Abre mão dos seus amigos e dos seus próprios interesses para estar disponível sempre que ele quer?
  • Sente um vazio quando não está com ele, mesmo que os momentos passados juntos sejam um tormento?

Quando o amor passa a fazer mal, é hora de parar e refletir.

A mulher percebe que esta amando demais quando passa a ter um estrago físico e emocional sério a ponto de ser forçada a analisar o relacionamento. Geralmente essas mulheres (é o que revela a autora) que amam demais vêm de famílias desajustadas. A tensão emocional desse tipo de infância deixa marcas profundas na psique do indivíduo. Lares desajustados possuem grande probabilidade de produzirem filhos desajustados. Uma família que não consegue discutir os problemas inerentes a sua peculiaridade pode ser classificada como família desajustada.

Sendo assim podemos dizer que família desajustada é aquela que seus membros são inflexíveis e a comunicação é deficiente entre seus membros. Quando a família nega a realidade ela se nega também. A análise dos problemas cotidianos dentro de uma família é norteador para seus membros no enfrentamento de crises. Mulheres que amam demais, aquelas que têm obsessão por cuidar de alguém foram geradas em famílias que possuíam algum tipo de problema emocional.

Quando a experiência na infância é bastante dolorosa, o indivíduo é frequentemente compelido a recriar situações parecidas na sua vida, com o intuito de conseguir domínio sobre ela. E o que foi errado no passado, o que faltou e o que foi doloroso, é o que a mulher que ama demais tenta no presente corrigir. E é assim que se dá início a compulsão de controlar aquele ou aqueles que estão mais próximas dela.
Incrivelmente a mulher que ama demais não tem atração por homens gentis, estáveis, seguros e que estão interessados nela. Acha que esses homens “agradáveis” são enfadonhos. Acha que o homem instável é excitante é desafiante, o imprevisível é romântico, o imaturo é charmoso e o intelectual é misterioso.
 
Para as mulheres que amam demais, fará sentido, o homem que atraem serem, na maioria, os que parecem carentes. Um homem que apele, que não será necessariamente um pobretão ou doente. Talvez seja uma pessoa incapaz de relacionar-se com outras, seja frio e não afetuoso, ou inflexível, ou egoísta, mal-humorado, ou incapaz de assumir um compromisso, ou ser fiel. Ou talvez nos diga que nunca foi capaz de amar alguém. Ou mesmo alguns homens que são incapazes de ficar com apenas uma mulher, embora gostem da segurança de um relacionamento.

Uma das características da mulher que ama demais é o grande medo de ser abandonada, ela faz qualquer coisa para impedir o fim do relacionamento e não mede esforços para ajudá-lo. Vive numa constante esperança de que amanhã será diferente. Esperar que ele se modifique é, na verdade, mais confortável que nos modificar e modificar nossas vidas. Estando disposta a arcar com mais de 50 por cento da responsabilidade, da culpa e das falhas em qualquer relacionamento.

A mulher que ama demais imagina que sem um homem a quem dirigir a atenção, entra em estado de abandono, frequentemente com muitos dos mesmos sintomas físicos e psicológicos do estado que acompanha o verdadeiro abandono do uso de drogas: náuseas, suor excessivo, arrepios, tremedeira, aceleramento cardíaco, depressão, insônia, pânico e ataques de ansiedade. Num esforço de aliviar esses sintomas, ela retorna ao ultimo parceiro ou procura desesperadamente por outro.

A mulher que ama demais geralmente é correspondida sexualmente, de tal forma, que chega a pensar ser ninfomaníaca. O homem que seria o oposto do ideal a faz sentir a atenção que deseja num simples bate-papo e ao se envolver, a sua vida passa a girar em torno do tempo roubado que passam juntos. E passa a estar determinada a salvá-lo através da força de seu amor. O fato de fazê-lo feliz a deixa feliz. E passa a usar como grande impulso a sexualidade para estabelecer um relacionamento com o parceiro. (este é um dos comportamentos descritos pela autora) Comporta-se sedutoramente para conseguir o que quer e se sente bem quando isso funciona, e muito mal quando não da certo. E a primeira coisa que acontece quando o relacionamento começa a não dar mais certo é o sentimento de culpa.

O ato sexual, quando é altamente gratificante fisicamente, tem o poder de criar laços profundos entre duas pessoas. Especialmente para mulheres que amam demais. Elas acreditam que viverão no futuro, uma vida maravilhosa com a pessoa com quem estão se relacionando e quando ouve do parceiro que ele precisa dela, quando isso a torna como um fator necessário na vida dele, começam a chamar esse novo sentimento de amor, que esta necessidade do companheiro é um legítimo sinal de amor.

A mulher que ama demais faz do auto-sacrifício um padrão de vida. E todo o fracasso em sua historia por não ter ganhado o amor através de seus esforços só a fazem esforçar-se ainda mais. Se o relacionamento que tivemos com nossos pais foi essencialmente de atenção, com expressões apropriadas da afeição, interesse e aprovação, quando adultos tendemos a nos sentir confortáveis com pessoas que produzem sentimentos parecidos de segurança, calor humano e auto-consideração positiva.

Entretanto, se nossos pais relacionam-se conosco de forma hostil, crítica, cruel, manipuladora, surpreendentemente, ou de outras formas inapropriadas, isso é o que parecerá “correto” quando encontrar alguém que expresse, talvez bem sutilmente, sinais das mesmas atitudes e comportamentos. Como as mulheres que amam demais encontram os homens com quem possam continuar os padrões de relacionamento insalubres que desenvolveram na infância?

Não é tanto o fato de ser o parceiro que escolhemos absolutamente igual à mãe ou ao pai, mas o fato de que com esses parceiros somos capazes de ter os mesmo sentimentos e enfrentar os mesmo desafios que encontramos ao crescermos; somo capazes de reproduzir a já tão conhecida atmosfera da infância, e usar os mesmo artifícios nos quais já temos tanta prática. Isso é o que, para muitos de nós, constitui o amor.

Mas como fazemos isso? Qual é exatamente o processo misterioso, a química indefinível que está entre uma mulher que ama demais e o homem por quem está atraída? Se a pergunta for formulada de outras maneiras, por exemplo: que luzes se acendem entre uma mulher que precisa se sentir necessária e um homem que procura alguém para assumir responsabilidades por ele?

A mulher que ama demais quer assegurar-se de que seu homem seja dependente de dela. Muitas vezes acreditamos que somos atraídas por qualidades que parecem ser o oposto das que nossos familiares possuíam. Todos os indícios de quem ele é já estão presentes nas primeiras conversas, mas a necessidade dela de aceitar o desafio que ele representa é tamanha que, ao invés de vê-lo como um homem instável, imprevisível, perigoso, bravo ou agressivo, o vê como uma vítima desamparada, precisando de compreensão.

Como as coisas funcionam para o homem envolvido? Quais são suas experiências com respeito à química que ocorre nos primeiros instantes ao conhecer uma mulher que ama demais? E o que acontece aos seus sentimentos, conforme o relacionamento prossegue, principalmente se o homem começa a modificar-se e tornar-se mais saudável ou mais doente?

Está sempre presente a atração por uma mulher forte que, de certa forma, promete compensar o que falta a cada homem e à vida dele. Os homens, de forma correspondente, indicam que estiveram procurando por alguém que os pudesse ajudar, que conseguisse controlar o comportamento deles, fazer com que se sentissem seguros, ou “salvá-los”. No livro também encontramos vários relatos de homens que se sentiram atraídos por mulheres que amam demais.

No conto “A Bela e a Fera” - mostra que a mulher conseguirá modificar um homem se o seu amor por ele for muito grande.

Por que será que a ideia de transformar uma pessoa infeliz, doentia ou coisa pior em parceiro perfeito atrai tão intensamente as mulheres que amam demais? Por que esse conceito é tão tentador, tão persistente?

“Eu passava sermões e tentava organizar sua vida”, diz Pam, uma das personagens do livro, que tentava desenvolver relacionamentos, nos quais seu papel era compreender, encorajar e aperfeiçoar o parceiro. Esta é uma fórmula frequentemente empregada por mulheres que amam demais, e no geral produz exatamente o efeito oposto do esperado. Ao invés de um parceiro agradecido e leal, que fica ligado a ela pela devoção e dependência, tal mulher percebe logo que possui um homem cada vez mais rebelde, ressentido e crítico para com ela. Sem considerar a própria necessidade de manter a autonomia e o auto-respeito, ele para de vê-la como a solução de todos os seus problemas, e, ao invés disso, faz dela a fonte de muitos problemas, se não da maioria deles.

A autora descreve que a veneração ao trabalho é também um sério desajuste, como são todos os comportamentos compulsivos. (veneração ao trabalho é uma das formas de se evitar alguém, empregada frequentemente por homens provenientes de famílias desajustadas, da mesma forma como amar demais é um dos principais meios de fuga empregados por mulheres provenientes daquele tipo de família)

Com frequência achamos que estamos infelizes porque acreditamos que o comportamento de outra pessoa está nos impedindo de sermos felizes. Ignoramos a obrigação de nos desenvolvermos, enquanto esquematizamos, manobramos e manipulamos outra pessoa para modificá-los, e tornamo-nos zangados, desencorajados e deprimidos quando fracassamos.

Tentar modificar uma pessoa é frustrante e deprimente, mas exercer o poder que temos de efetuar uma mudança em nossa própria vida é hilariante. Quanto mais nos esforçamos e quanto mais, “válvulas de escape” perseguimos, mais doente ficamos, combinando vícios e obsessões. No final, descobrimos que as soluções tornaram-se os problemas mais sérios. Precisamos loucamente de alívio e não encontrando nenhum às vezes pode começar a ficar um pouco loucas. Ou loucos. (Isto serve para ambos). Esta válvula de escape faz a pessoa esforça-se bastante em aperfeiçoar uma imagem para apresentar ao mundo exterior, uma imagem que mascara seu medo, sua solidão e o terrível vazio interior. Esses tipos de relacionamentos proporcionam uma ótima válvula de escape, um grande passatempo, e certamente um disfarce altamente afetivo para a depressão.

Tais mulheres podem procurar inconscientemente o estimulo poderoso de um relacionamento difícil e dramático. Esse é o motivo por que, quando começa a se recuperar de seus problemas relacionando-se com homens de uma forma mais saudável, a mulher com esse tipo de problema normalmente afunda-se na depressão. Quando ela estiver sem um homem, tentará ressuscitar o ultimo relacionamento fracassado ou procurar freneticamente outro homem difícil para quem dirigir a atenção, porque necessita ardentemente do estímulo que ele lhe proporcionará.

O caminho para a recuperação
“A chave está em aprender uma vida saudável, satisfatória e serena, sem depender de outra pessoa para ser feliz.”

Grupo MADA - Mulheres Que Amam Demais Anônimas

MADA é um programa de recuperação para mulheres que têm como objetivo primordial se recuperar da dependência de relacionamentos destrutivos, aprendendo a se relacionar de forma saudável consigo mesma e com os outros.

O grupo foi criado baseado no livro "Mulheres que Amam Demais", de 1985, da autora Robin Norwood, Ed. ARX.

Os Dose Passos de MADA
1.Admitimos que éramos impotentes perante os relacionamentos e que tínhamos perdido o controle de nossas vidas.
2.Passamos acreditar que um poder superior a nós mesmas poderia nos devolver a sanidade.
3.Decidimos entregar nossas vidas aos cuidados de Deus, na maneira como O concebíamos.
4.Fizemos um minucioso e destemido inventário moral de nós mesmas.
5.Admitimos perante Deus, perante nós mesmas e outro ser humano, a natureza exata de nossas falhas.
6.Nos dispusemos inteiramente a deixar que Deus removesse os defeitos do nosso caráter.
7.Humildemente, pedimos a Ele que nos livrasse de nossas imperfeições.
8.Fizemos uma lista de todas as pessoas que prejudicamos e nos dispusemos a reparar os erros que cometemos com elas.
9.Fizemos reparações diretas dos danos causados a tais pessoas, sempre que possível, salvo quando fazê-lo significasse prejudicá-las ou a outrem.
10.Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos erradas, nós o admitíamos prontamente.
11.Procuramos, através da prece e da meditação, melhorar nosso contato com Deus, na forma em que O concebíamos, rogando apenas o conhecimento de Sua vontade e forças para realizar essa vontade.
12.Graças a esses passos, experimentamos um despertar espiritual e procuramos transmitir essa mensagem a outras mulheres, dependentes de pessoas. Procuramos praticar esses princípios em todas as nossas atividades. Nada, absolutamente nada, acontece por equívoco no mundo de Deus.... A não ser que eu aceite a vida totalmente do jeito que ela é, não poderei ser feliz. Preciso me concentrar menos no que é preciso mudar no mundo e mais no que eu preciso mudar em mim e nas minhas atitudes.
Os Doze Passos De MADA (Adaptados de A.A.)

Sobre a autora:
Robin Norwood exerceu a profissão de conselheira matrimonial, psicoterapeuta familiar e infantil, tendo-se especializado no tratamento de alcoólicos e tóxico dependentes. Mulheres que amam de mais obteve um sucesso ímpar, com mais de três milhões de exemplares vendidos e uma longa presença no topo da lista de livros mais vendidos do New York Times. Em diversos países foram criados grupos de “entre-ajuda” com base nos conceitos deste livro. Atualmente Robin Norwood dedica-se a participar, um pouco por todo o mundo, em conferências subordinadas ao tema dos relacionamentos e dependências.

Título completo - Mulheres Que Amam Demais - Como vencer sua dependência do homem errado e mudar para melhor.

Dica da autora para a leitura do livro:

“Leia devagar, tentando relacionar-se quer intelectual quer emocionalmente com estas mulheres e as suas histórias. As histórias relatadas neste livro podem parecer-lhe extremas. Garanto-lhe que a verdade é o contrário. As personalidades características e as histórias que se me depararam entre centenas de mulheres que conheci pessoalmente e profissionalmente que se adaptam à categoria de amar de mais não estão de forma alguma exageradas aqui. As suas verdadeiras histórias são muito mais complicadas e dolorosas. Se os seus problemas parecem muito mais graves e desesperados do que o seu, deixe-me que lhe diga que essa é a reação típica da maior parte das minhas clientes. Cada uma de nós crê que o seu problema «não é assim tão mau», mesmo quando se solidariza por compaixão com a luta de outras mulheres, que, na sua opinião, têm problemas «verdadeiros».”

Obs.: Caro leitor, se você conhece alguma mulher que apresente alguns desses comportamentos e, que a maioria das características demonstram que ela “Sofre por Amar demais”, compartilhe este post, divulgue e incentive-a na busca ajuda,  encoraje-a a procurar uma solução para o seu caso, seja no MADA, seja terapia, ou o simples ato de ler o livro e a partir dele, enxergar o problema e ter o desejo genuíno de resolvê-lo para sempre.


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