quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A dificuldade masculina em lidar com as próprias emoções...


Deus, para a felicidade do homem, inventou a fé e o amor. O Diabo, invejoso, fez o homem confundir fé com religião e amor com casamento. (Machado de Assis)

Não há homem algum tão exclusivamente masculino que não possua em si algo de feminino. (Carl Gustav Jung)

O homem superior atribui a culpa a si próprio; o homem comum aos outros. (Confúcio)

Imagine a cena: é sábado à noite e um casal de namorados se encontra. Ela propõe um cinema e ele diz não. Ela insiste e ele mantém o não. Ela pergunta o porquê e ele continua no simples não. Então ela dispara uma metralhadora de porquês e ele perde a paciência. Está declarada uma guerra. Ela recebe uma descarga de fantasias a respeito da recusa dele em ir ao cinema enquanto que para ele esse não é pura e simplesmente um não!

O enredo até pode mudar, mas esta cena é muito frequente entre os casais modernos. Já foi constatado que homens e mulheres não falam a mesma língua.

Segundo Luiz Cushnir, um estudioso de assuntos de gêneros do Instituto de Pesquisa do Hospital das Clínicas de São Paulo, homens têm dificuldades de expressar suas emoções. Isto deve-se ao fato de que eles têm um raciocínio lógico e matemático, enquanto que as mulheres têm o raciocínio mais voltado para argumentações e questões mais subjetivas. Não podemos classificar uma forma de pensar como melhor que a outra, elas são apenas diferentes.

Em suas pesquisas nesse Instituto de São Paulo, Cushnir constatou que os homens se drogam mais e estão mais envolvidos em acidentes e mortes violentas do que as mulheres. Além disso, a taxa de suicídio também é maior entre eles. A dificuldade masculina em lidar com as próprias emoções faz com que eles se transformem em vítimas da ansiedade, depressão, doenças do humor, síndrome do pânico, fobias, pensamentos obsessivos, atitudes compulsivas e disfunções sexuais.

Tais doenças eram consideradas mais incidentes em mulheres porque o homem tem muita resistência em procurar ajuda profissional. Entretanto, como a mulher vem ganhando cada vez mais voz na sociedade, ela passou a exigir seus direitos não só como cidadã, mas também como parceira deste homem. Antigamente ela calava-se diante de uma disfunção sexual (falta de ereção e ejaculação precoce), por exemplo, mas hoje em dia ela cobra dele um tratamento sob o risco da extinção da relação. O homem passou, a procurar ajuda profissional, ainda que o faça com receio e vergonha.

Segundo Chevalier & Gheerbrant (1997), fazem parte da dinâmica feminina os sentimentos, os afetos, as intuições, a sensibilidade ao irracional e as relações com o inconsciente. Essa dimensão feminina está presente na mulher, de forma consciente e no homem, de forma inconsciente.

“A mulher está mais ligada do que o homem à alma do mundo, às primeiras forças elementares, e é através da mulher que o homem comunga com essas forças (…). Não será a mulher emancipada nem aquela que se torna semelhante ao homem que terá um importante papel a desempenhar no período futuro da história, mas sim o eterno feminino. A mulher é o futuro do homem.” (Chevalier & Gheerbrant, 1997, p. 421)

O estigma do feminino tende a afugentar quem o procura. Os homens românticos e sensíveis tendem a receber rótulos pejorativos e, gostar de discutir a relação, é um comportamento normalmente atribuído às mulheres. A imagem do homem ideal tende a ser um tanto heróica, máscula, forte e viril. Isto não quer dizer que tal imagem não possa existir, porém reduzir o homem a esse estereotipo significa polarizar a sua personalidade na dimensão masculina e ignorar o seu “feminino” que lhe é complementar.

Homens e mulheres de fato são diferentes, mas isso não significa que sejam rivais. Depois da revolução feminista dos anos 60, o homem sentiu-se desafiado pela nova mulher que surgiu. Se ambos passarem a se ver como duas faces da mesma moeda, como partes complementares de um todo, talvez encontrem a si mesmos.

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