quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Que Medo é esse?!


A bioquímica do medo

O medo é uma emoção primitiva. Como nos protege das enrascadas, essa ferramenta, ao longo de nossa história evolutiva, vem garantindo a preservação da espécie, mantendo-nos alertas. Embora não ocorra com exclusividade entre os homens, é em nós que se manifesta com mais freqüência e nas situações mais diversas, e não apenas diante de ameaças. 'Isso porque o medo não é inato', afirma Mário Eduardo Costa Pereira, diretor do Laboratório de Psicopatologia Fundamental do Departamento de Psiquiatria da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). 'Ele se constitui individualmente, com as experiências, com as relações culturais e no contato com os outros.'

Como o corpo reage ao estímulo

ü      Pêlos se eriçam
ü      Pupilas se dilatam
ü      Respiração se acelera
ü      Salivação diminui
ü      Batimentos cardíacos disparam
ü      Inicia a queima das reservas de gordura
ü      Estômago se contrai
ü      Circulação sanguínea se concentra nos músculos

O segredo do gosto pelo pânico pode estar em um conjunto de estruturas nervosas famosas pela relação com o uso de drogas - o sistema de recompensa. Ao provocar a liberação de hormônios, o medo promove reações físicas estimulantes e ativa essas regiões cerebrais. O estresse causado pelas situações apavorantes faz o corpo se sentir bem.

A reação envolve principalmente a produção de quatro substâncias: adrenalina, endorfina, dopamina e cortisol. Essas descargas químicas preparam a pessoa para reagir à ameaça, seja pela luta ou pela fuga; atenuam o desconforto físico e trazem satisfação depois que o desafio termina.

O bem-estar também está associado aos opióides que o cérebro produz para si mesmo durante o estresse. Essas substâncias, de ação analgésica, trazem calma depois da euforia. Assim como acontece com as drogas, essa sensação pode ser viciante.

Real x imaginário

Uma prova disso é o fato de os bebês não estarem preparados para lidar com o perigo - eles mexem com facas e chegam à beira de janelas. Aos poucos, constroem seu repertório de medos, ou seja, delimitam o que constitui, para eles, situações de alerta. Pereira, que é especialista em pânico, lembra que o risco real não é muito diferente do imaginário. É por isso que, mesmo conhecendo a natureza irreal dos filmes de monstros, muitas pessoas se deixam envolver.
Sangue, cortes e perseguições com serras elétricas causam grande alvoroço nas telonas, mas os medos humanos não vêm apenas do instinto de sobrevivência. 'O próprio medo da morte é um medo construído', diz o psiquiatra. 'Em outras épocas, perder a honra ou o amor de Deus era mais temido do que morrer.'

Medo ancestral

Nos animais, o medo aparece exclusivamente na relação do bicho com o predador. 'Os animais não têm consciência da morte e as questões são respondidas instintivamente', explica o etólogo (especialista em comportamento animal) Kleber Del-Claro, presidente da Sociedade Brasileira de Etologia. A ausência de racionalidade é o que os afasta da prática do medo prazeroso. 'Na natureza, um risco deve sempre ter uma recompensa, geralmente em aumento da chance de deixar descendentes.'

A ausência de entretenimentos perigosos entre os bichos pode dar pistas sobre a fixação humana por esse tipo específico de lazer. Talvez por não ter mais de fugir de animais selvagens, os homens tenham passado a reproduzir artificialmente os desafios de seus antepassados. É o caso de quem se infiltra no território inimigo.

'O medo primitivo da caçada está guardado em nosso inconsciente', afirma a psicóloga  Neuza Corassa, do CPEM (Centro de Psicologia Especializado em Medos, de Curitiba). 'É uma emoção natural que faz parte da nossa constituição, por isso buscamos revivê-la', completa.



Transtorno ou Síndrome do Pânico

É tão difícil, atualmente, encontrar alguém que nunca tenha ouvido falar em Síndrome do Pânico. O sintoma básico é um medo enorme sem explicação, indefinido, medo infundado; você acha ridículo sentir esse medo, mas não consegue controlar. Ela é caracterizada pela presença de ataques de pânico. São crises súbitas, repentinas, espontâneas, com forte sensação de medo (medo de tudo e sem motivo), de perigo, de desmaio, de derrame cerebral, loucura ou morte iminente (o que nunca ocorre); sensação de alerta ou de fuga, necessidade de socorro imediato ou até de se encolher num canto, agitação e múltiplos sintomas indefiníveis. Enfim, um terrível mal estar. Você se sente totalmente inseguro, como uma criança. Não houve nenhum fator que o precipitasse.

De repente a pessoa sente um mal estar estranho na cabeça como se fosse perder a razão, a consciência. É comum uma sensação de estar fora da realidade; ou um mal estar generalizado, como um pressentimento de que algo muito grave fosse acontecer. E é nesse momento que um outro sintoma (bastante característico) aparece: a necessidade de estar ao lado de alguém que traga segurança. Geralmente, alguém muito próximo.

Podem surgir desde palpitações no coração, falta de ar ou dificuldade de respirar, sensação de sufocamento ou bolo na garganta, mãos e pés molhados e frios, formigamentos nos braços, pernas ou no rosto, zoeira, zumbido ou pressão nos ouvidos (como se fosse pressão baixa ou labirintite), suor ou tremedeira generalizado, distúrbio gastrintestinal como (náuseas, enjôos, diarréia, gases, vontade irresistível de urinar, falta ou excesso de apetite), desânimo acentuado, mal estar geral, insônia ou sono excessivo, ondas de calor ou frio, tonteiras.

Porém, pessoas predispostas à síndrome podem desencadeá-la depois de passar por situações traumáticas. Dias, semanas ou meses depois de determinados problemas como perda de entes queridos, término de um relacionamento, desemprego, doenças no lar, pré ou pós-operatórios, assaltos, seqüestros, acidentes, etc.

É comum um paciente passar meses tentando resolver a diarréia, sem solução. O mesmo acontece com o indivíduo que nunca teve pressão alta e passa a ter depois da crise.

Como a síndrome do pânico varia muito na sua intensidade, nem todos sentem os mesmos sintomas. A crise do pânico pode ser classificada como: leve, moderada, grave e muito grave. Alguns portadores do pânico, apesar de muito desconforto, conseguem manter suas atividades, tais como trabalhar, estudar, resolver questões do cotidiano, devido à necessidade; porém outros não conseguem nem mesmo sair de casa, ficando confinados, reclusos em seu lar. À medida que o pânico se agrava, diminui o seu raio de ação, ficando bloqueados à mercê de seu “inimigo oculto”.

Quais os sintomas físicos de uma crise de pânico?

Como se descreve acima, os sintomas físicos de uma crise de pânico aparecem subitamente, sem nenhuma causa aparente. Os sintomas são como uma preparação do corpo para receber algo “terrível". A reação natural é acionar os mecanismos de fuga. Diante do perigo, o organismo trata de aumentar a irrigação de sangue no cérebro e nos membros usados para fugir - em detrimento de outras partes do corpo, incluindo os órgãos sexuais.

Se você tem sentido crises  de forma inesperada, abrupta e sem motivo aparente, avalie quantos desses  sintomas  você apresenta durante a crise:

• Contração / tensão muscular, rijeza
• Palpitações (o coração dispara)
• Tontura, atordoamento, náusea
• Dificuldade de respirar (boca seca)
• Calafrios ou ondas de calor, sudorese
• Sensação de "estar sonhando" ou distorções de percepção da realidade
• Terror - sensação de que algo inimaginavelmente horrível está prestes a acontecer e de  que se está impotente para evitar tal acontecimento
• Confusão, pensamento rápido
• Medo de perder o controle, fazer algo embaraçoso
• Medo de morrer
• Vertigens ou sensação de debilidade

Se você conseguiu identificar 4 ou mais sintomas é pertinente, que se procure um médico Psiquiatra, que possa fazer uma avaliação acerca dos sinais e sintomas do transtorno.

http://revistagalileu.globo.com/Galileu/0,6993,ECT610967-2989-2,00.html
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