sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Endometriose - Projeto PROENDO da Santa Casa de SP



Especialista alerta para necessidade de diagnóstico precoce e lança projeto para ampliar atendimento para mulheres na fila de espera da Santa Casa de SP, com diagnóstico de Endometriose.

Você sabe o que é endometriose? 




“É uma doença confusa. Tem de conversar bastante para entender. Ela começa no útero e vai para outros lugares, para onde não deveria ir.” A resposta não é de uma especialista, é da cantora e atriz Maria Bia Martins, de 31 anos. Mas ela sabe do que está falando pois faz parte da preocupante estatística de cerca de 6 milhões de mulheres brasileiras atingidas pela doença. A moça foi operada num estágio bem adiantado da endometriose, quando ela havia atingido o seu intestino. Hoje, passa bem. A ginecologista e cirurgiã Helizabet Salomão Abdalla Ayroza Ribeiro, especializada no assunto, concorda com a descrição de Maria Bia. A confusão a que ela se refere vem da dificuldade do diagnóstico. “Como os primeiros sintomas são cólicas, os médicos e as pacientes não valorizam a queixa, pois ficou estabelecido que mulher tem cólica mesmo, é normal”, diz a médica Helizabet.  

Onde a endometriose ocorre?

Os implantes de tecido endometrial ocorrem com mais frequência nos seguintes locais:
• Peritônio
• Ovários
• Trompas de Falópio
• Na superfície do útero, bexiga e intestino
• Fundo de saco vaginal (o espaço atrás do útero)
• Raramente fora da pelve feminina, como no fígado, em cicatrizes de cirurgias, e até no cérebro ou pulmões.

É uma doença que atinge as mulheres em idade reprodutiva e que se caracteriza pela presença de endométrio em locais fora do útero. O endométrio é a camada interna do útero que é renovada mensalmente pela menstruação. Existem três tipos de endometriose: ovariana, peritoneal e profunda. Quando não tratada a tempo, pode invadir outros órgãos da pelve, como os citados acima.

Foi assim com Maria Bia. Ela sentia cólicas terríveis. “Só saía da cama para ir trabalhar”, lembra.  Depois de uns anos, passou a tomar pílula anticoncepcional para não menstruar. Vinda de Brasília para São Paulo, foi batalhar a vida e assim o tempo passou. “Como não menstruava, não tinha cólica. Então, não liguei mais para aquilo. Até que, anos depois, tive um cisto rompido no ovário e fui parar na emergência de um hospital. Os médicos que me operaram disseram que eu tinha endometriose e que ela já havia invadido o meu intestino. Precisaria procurar um especialista.”  Alguns meses depois, Maria Bia voltou ao hospital e fez a cirurgia. “É uma operação cara e eu só pude fazer porque tive ajuda de amigos”, conta.

A médica Dra. Helizabet, que atende na Santa Casa de São Paulo, pelo SUS, diz que só ali há 150 mulheres na fila esperando pela mesma cirurgia de Maria Bia: a endometriose intestinal. “A gente só consegue operar uma por mês e mantém as outras na fila com medicamentos. Mas é uma doença muito invasiva. A vida é limitada pela dor presente nas cólicas e na atividade sexual.”

Mais atendimento

Santa Casa lança projeto para auxiliar mulheres com a doença - em funcionamento desde 21/05/2012

Em maio de 2012, foi lançado o Projeto Social ProEndo (ou Pro-Endometriose). Esta foi uma iniciativa do Departamento Obstetrícia e Ginecologia da Santa Casa de São Paulo para auxiliar mulheres portadoras da doença. A coordenadora do projeto, Helizabet Salomão Ayroza Ribeiro, diz que o maior problema é a desvalorização dos principais sintomas. Confira os detalhes com Patrícia Rizzo.



Helizabet diz que a cirurgia da endometriose intestinal custa caro por causa do material usado e de exames mais elaborados. Para ampliar o atendimento na Santa Casa/SP, ela e outros especialistas lançaram o projeto social Pró Endometriose. O objetivo é dar atendimento a mais mulheres e esclarecer sobre a doença. “Se ela for diagnosticada no começo, pode ser curada só com medicamentos”, diz Helizabet. E alerta: “Ela atinge todas as faixas etárias. É importante ir ao ginecologista e não aceitar que cólica é normal. Se a dor não passa com analgésicos, tem de ser investigada.”

O projeto da Santa Casa começa capacitando ginecologistas para fazer a cirurgia intestinal, segundo a médica, que também é professora. “Já conseguimos, para este ano, operar dez mulheres a mais. É um começo!”

Profa. Dra. Helizabet Salomão A. Ayroza Ribeiro, uma das idealizadoras do projeto.

Professora Assistente Doutora, do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Santa Casa de São Paulo.
Mestre em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da SantaCasa de São Paulo
Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela FEBRASGO
Título de Habilitação em Laparoscopia e Histeroscopia pela FEBRASGO
Doutora em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo
Profissional com ampla atuação prática em endometriose, miomatose uterina e sangramento uterino anormal
A Profa. Helizabet terminou sua especialização em Ginecologia e Obstetrícia na Santa Casa de São Paulo no ano de 1998. Desde então atua como professora nesta entidade na qual defendeu seu mestrado no ano de 2006 e seu Doutorado em medicina no ano de 2010. Dedica-se à Ginecologia Minimamente Invasiva com interesse especial à Videolaparoscopia e Videohisteroscopia.

Atualmente participa de estudos que investigam a interferência de diversos fatores biomoleculares na gênese e na progressão da endometriose, bem como os efeitos do tratamento da endometriose na Qualidade de Vida da mulheres portadoras desta doença.

CONHEÇA O PROENDO ou pro-endometriose

Foi lançado em 21 de maio de 2012, em São Paulo, o projeto social PROENDO (Pró-Endometriose), ligado ao Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. “Atualmente, uma paciente pode levar cinco, seis e até sete anos para ser operada. O Proendo vai ajudar mulheres com palestras, reuniões e esclarecendo dúvidas a respeito da endometriose.
Vamos também buscar parcerias com o setor privado para conseguir o material necessário para as cirurgias, não fornecido pelo SUS (Sistema Único de Saúde), fazendo com que essas mulheres possam ser atendidas mais rapidamente”, esclareceu a professora Dra. Helizabeth Salomão Abdalla Ayrosa Ribeiro, uma das coordenadoras da iniciativa.

A cerimônia ocorreu no auditório do Hospital Santa Isabel e teve sua mesa composta por Dra. Helizabeth; pela vice-prefeita, Alda Marco Antonio; pelo assessor técnico da Coordenadoria de Atenção Básica à Saúde da Prefeitura Municipal de Saúde, Dr. Jovino Paes Junior; pelo chefe da Disciplina de Ginecologia da Santa Casa, Dr. Vilmar Marques de Oliveira; pelo diretor médico do Hospital Santa Isabel, Dr. Frederico Carbone Filho; pelo Diretor Clínico da Santa Casa de São Paulo, Dr. Raimundo Rafaelli Filho; e pela editora da Agência de Notícias da Aids, Roseli Tardelli. Alda Marco Antonio lembrou que nos anos 70 os postos de saúde do setor de saúde pública não tinham ginecologistas em seus quadros.

“É de extrema importância um projeto voltado para a atenção à saúde da mulher. Vocês podem contar comigo no combate à endometriose”, declarou. Dr. Rafaelli manifestou a sua satisfação pelo projeto ter tido sua origem na Santa Casa. “Precisamos do apoio de todos para combater essa doença que castiga tanto, que é mal diagnosticada e mal tratada. Este projeto vai abrandar, com certeza, o sofrimento dessa população”. “É importante que a cidade de São Paulo consiga construir uma resposta para as mulheres com endometriose do mesmo jeito que conseguiu construir uma resposta para as pessoas vivendo com HIV e aids”, ressaltou Roseli Tardelli

Queria também convidar as mulheres com endometriose para fazerem uma manifestação, dando as mãos em um abraço ao redor da Santa Casa para chamarmos atenção para esta questão”, finalizou a jornalista.
O projeto foi recebido com entusiasmo por profissionais de saúde e pacientes da Santa Casa presentes ao evento. “É uma iniciativa excelente, uma maneira de poder atender as pacientes com qualidade e dar o tratamento adequado. Se a paciente não é atendida adequadamente, a doença continua”, explicou a ginecologista Catulina Bosi.

Para a Dra. Jaqueline Alvarenga, o projeto é fundamental. “Um dos principais fatores limitadores do tratamento da doença é o alto custo. É primordial fornecer tratamento completo também às pacientes de menor renda”, observou. Outra ginecologista, a Dra. Karin Rossi informou “que o Brasil não deixa nada a desejar em relação aos outros países no que diz respeito à experiência no atendimento às mulheres com endometriose. É essencial que o diagnóstico da doença seja cada vez mais precoce”, alertou.

Depoimento de alguns Pacientes
Maria Aparecida Gonçalves, dona de casa, contou que é a paciente número 120 na fila para a cirurgia na Santa Casa, “o que significa que pode demorar até oito anos para eu conseguir ser operada”, disse. “Espero que o projeto agilize esse processo”.
Outra dona de casa, Vanda de Souza Bueno, de 43 anos, foi diagnostica há cerca de oito anos e elogiou a iniciativa. “Tudo o que fizerem para acelerar o tratamento é bem-vindo. Só quem tem a doença, sabe o sofrimento que é. A dor é intensa”, relatou. Vanda descobriu que tinha endometriose quando tentou engravidar. “Tinha parado de tomar pílulas e mesmo assim não conseguia. Quando o médico me deu o diagnóstico, eu já não podia ter filhos nem mesmo por inseminação artificial”.
Divina Cardoso da Silva, auxiliar de enfermagem, de 59 anos, perdeu um rim por causa da doença. Ela teve que passar por uma cirurgia e contou que suporta bem a dor. “Eu preciso de uma nova operação, mas preciso aguardar seis meses para ser avaliada, para saber se realmente poderei ser operada. O diagnóstico precoce vai ser bom pra muita gente. Se meu diagnóstico tivesse sido feito antes, eu não teria perdido um rim.”

O público presente à cerimônia de lançamento teve a oportunidade de assistir a uma palestra ministrada pelo Professor Adjunto e chefe da disciplina de Ginecologia da UERJ e Chefe do Ambulatório de Endometriose do Hospital Universitário Pedro Ernesto, Dr. Marco Aurélio Pinho de Oliveira. Ele é um dos coordenadores do MOVENDO (www.movendo.com.br), projeto similar ao PROENDO no Estado do Rio de Janeiro.

PROENDO - É um projeto social que tem como objetivo informar, orientar e buscar subsídios para o atendimento e tratamento das pacientes portadoras de endometriose. Existe uma longa espera para realizar esta cirurgia. As parcerias com empresas tem possibilitado aumentar o número de cirurgias, em 2012 foram realizadas nove cirurgias a mais.

Para maiores informações de como colaborar, entre em contato:
doacao@santacasasp.org.br | tel (11) 2176-1734


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