sexta-feira, 9 de março de 2012

O Passado, Presente!


Que importância tem o passado dentro do tratamento analítico? (terapia)

"Atiramos o passado ao abismo - mas não nos inclinamos para ver se está bem morto." (William Shakespeare)

"Os verdadeiros progressistas são os que partem de um profundo respeito ao passado." (Joseph Ernest Renan)

Ouço, com frequência, pessoas dizendo que “o passado não mais importa, que o valor da vida deve estar focado em nosso presente e nossa atenção voltada para o futuro”.
As pessoas questionam o por que a psicanálise ou a psicoterapia de orientação psicanalítica, se volta para o passado da história de vida do analisando (paciente). Acham isso um desperdício de tempo, dinheiro e que nada mais é do que um capricho. Muitos dizem que o passado já passou e não há mais o porque de se voltar a ele e que devem apenas seguir em frente. Há quem diga que não se sujeitaria a contar suas particularidades e seus segredos mais íntimos, a um estranho. No entanto, há uma forte razão para que assim seja.

O que será que as pessoas, que pensam desse jeito, estão perdendo? Que importância tem o passado dentro do tratamento analítico? (análise ou terapia, popularmente conhecido)

Antes de responder quero levantar alguns fatos.
É fato que o seu dia de hoje será o seu ontem amanhã, correto?
Que o seu ontem foi um dia o seu hoje, e que o seu hoje foi, há digamos... Um mês atrás, o futuro que estaria por vir, concorda?
Pois bem, essas três instâncias do tempo, passado, presente e futuro, fazem parte de nossas vidas assim como o ar que respiramos.

A psicanálise ensina que o inconsciente é atemporal, ou seja, que registros e memórias do passado podem ser trazidos à consciência a qualquer momento. Na análise há alguns momentos em que se voltar para o passado faz todo sentido para se entender o presente. Todas as pessoas carregam uma história e é através dela que se pode entender como algumas coisas que não ficaram bem resolvidas ainda cobram, no tempo presente, um preço muito alto na qualidade de vida.

Alguns fatos passados ficam como marcas e muitas delas machucam. Então durante a análise tem-se a chance de ver esse passado com outro olhar e com isso encontrar alternativas que permitam suavizar essas marcas.

Quando um paciente está no consultório, em tratamento, memórias são trazidas à consciência, carregadas de afeto e sentimentos. Estes sentimentos que estão presos nestas memórias, recalcadas no inconsciente, afetam nosso presente e influenciam nosso futuro. São sentimentos de angústia, raiva, medo, rejeição, baixa-estima, etc. Através da análise, os sentimentos aprisionados nessas memórias são gradualmente liberados, gerando um alivio da tensão causada pelos mesmos, que estão presos em nosso inconsciente há anos. Essa liberação de afetos, reprimidos no passado, afetarão diretamente presente e futuro.

Voltar-se ao passado não é só uma questão de ficar preso a ele e se lamentar, mas sim a oportunidade de enfrentá-lo e criar para si outra história onde existe a possibilidade de haver liberdade. É se recriar. São muitos os que se mantêm atados ao passado e, assim vivem o presente, como se ainda estivessem num tempo que já não mais existe. Estão parados no tempo e viver dessa forma causa um empobrecimento na vida e porque não dizer, da Alma.

Por isso, enfrentar o passado e se reconstruir é uma forma de viver um presente, bem mais confortável e um futuro bem mais alentador.
           
 Para se compreender esse passado é preciso tempo e trabalho. Em outras palavras é necessário paciência para que as coisas comecem a fazer sentido. Não existe uma coisa tal qual uma “Fast-Análise” (análise rápida).  É como um trabalho artesanal que demanda dedicação. Se recriar é tal como uma obra de arte que necessita de atenção e muito amor.

Freud diz em sua obra, que “os neuróticos sofrem de reminiscências, ou seja, sofrem de lembranças do passado”.

Confúcio, pensador chinês da antiguidade, tem uma frase que expressa essa realidade:  “Para se entender o presente e construir o futuro, é necessário estudar o passado”.


       

Foto principal do post: Sergey Larenkov, fotógrafo russo http://troikcriativa.com/blog/?p=655 
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